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21 de jun de 2017

Curtinhas: olá, Cornwall!

Newquay sendo incrível num fim de tarde

Vim parar na Inglaterra de novo.

Dessa vez, no interior do País, em Cornwall - estado conhecido pelas paisagens deslumbrantes, pelas praias incríveis e pelas pessoas mais calorosas da ilha. Confirmo todos os estereótipos.

Dá-lhe praia!

Adaptação tem sido a palavra-chave pra essa temporada, que se encerra em agosto. Morar em Londres não tem muito a ver com morar em qualquer outro lugar da Inglaterra. Londres é muito surreal. O interior me parece mais real, mais palpável, mais confortável.

O interior da Inglaterra é muito charmoso

Tive que aprender a dirigir do lado errado da pista, o que exige um bocado de concentração. Mas agora, 40 dias depois, já consigo ouvir meus podcasts e dirigir, tudo ao mesmo tempo. Sim, isso é uma vitória.

Praia vai virar paisagem de praxe desse blog por um tempo

Estacionar nas cidades é um pesadelo. Ou os estacionamentos são muito caros ou são de tempo limitadíssimo. Estacionar na rua? Oi? De comer ou passar no cabelo? :)

No fim de maio ainda tava indo vestida, mas agora já tá rolando bikini weather

Some-se a isso o fato de ser uma cidade praiana, ou seja: todo o tipo de gente louca e hippie e morando na rua e querendo te vender miçangas. Meu namorado me proibiu de ser educada. Nada de bom dia, nada de responder as pessoas, nada de dar informação. Teimei e me lasquei.

De vez em quando você se depara com céus como esse

O boy estava abastecendo o carro e eu vi uma carteira no chão. Cheguei perto do carro e apontei pra pessoa lá dentro, pra ver se ele não era o dono dela. Daí ele ficou hein? o quê? Como é? Até que por fim ele saiu de dentro do carro, bêbado como uma mula, assim como os outros quatro ocupantes. Fiquei muito puta. E o namorado disse que é um golpe comum: vc abaixa pra pegar a carteira, ele abre a porta na sua cabeça, você cai e ele te rouba. Que delícia é morar na praia. Passei a dar ouvidos ao namorado depois disso.


Vivi por um mês na casa sem internet porque absolutamente tudo nesse País exige um contrato de 12 meses e eu não fico aqui por mais que quatro. Por fim, descobrimos que se a única empresa que provê internet no meu prédio (BT) não for capaz de fornecer a mesma velocidade quando nos mudarmos, eles são obrigados a descontinuar o contrato sem custo. Mas até que a gente descobriu isso foi chão.

Queria esses cavalos fofos pra mim

As casas da Inglaterra são preparadas pro frio, mas definitivamente não são preparadas pro calor. Tá 30 graus na sombra e eu estou suando bicas com minhas duas janelas pequenas abertas sem entrar um sopro de vento. O vento não entra, mas as moscas...  Ah, essas vêm a mil.

Fazer hiking tem me colocado em lugares como esse

Semana passada ativei o alarme de incêndio do apartamento enquanto cozinhava. Meu pé direito tem quase 5 metros de altura, mas a fumaça chegou até lá. Maldito frango e o óleo que espirrou dele no forno, fazendo o diabo da fumaça. Descobri que não tem como desativar à distância e descobri também que isso é mais comum do que se imagina. Corri pra perguntar a uma amiga o que fazer e ela me contou que desativa o dela pra cozinhar porque sempre dispara. Ou seja, esse negócio ainda vai gritar no meu ouvido algumas vezes.

Meus vizinhos têm portais enfeitados como esse

Estou bem ativa por aqui, descobri uma nova paixão chamada hiking. Fazer trilha tem sido algo incrível pra mim nessa fase. Tem um quê de desbravar terras novas, de ver paisagens deslumbrantes, de se sentir poderosa por fazer um caminho difícil e de se sentir independente e segura encontrando o lugar certo. Farei mais posts só sobre isso e com as fotos incríveis que tenho feito.

A que tiver nome mais esquisito é mais interessante

Já tive que usar meu seguro saúde por ter machucado o pescoço e descobri que odeio o NHS, o sistema público de saúde daqui. Mesmo tendo pago o seguro pra usar hospital privado, estou numa área de poucos recursos médicos, o que faz as opções diminuírem. Fui duas vezes ao hospital e nas duas vezes me mandaram tomar paracetamol e voltar pra casa sem um exame sequer. Resultado: paguei uma massoterapeuta e resolvi meu problema.

Um grande dia de felicidade: nós e o aspirador de pó novo

Fui à praia, nadei no mar e tive insolação. Meu namorado e meu sogro surfam, eu tô tomando coragem pra praticar bodyboarding. É que as ondas não são incrivelmente gigantes por aqui, mas são extremamente fortes, te puxam pra dentro do mar. Mesmo nadando eu senti a força da água (e olha que sou acostumada a nadar no mar).

Dica muito importante: compre um aspirador de pó decente e potente. Invista nisso. Vocês não fazem ideia da nojeira que eu tirei desse apartamento quando cheguei.

Mais post aparecerão por aqui. Paciência é a palavra de ordem. :)

Eu li: Garota exemplar


Ah, os livros de terror psicológico... como não amá-los?

O best-seller de Gillian Flynn é um desses que transcendem a narrativa clássica, usando o olhar das personagens principais para contar a mesma história. O pulo do gato é perceber como uma mesma história pode ter versões tão diferentes. Acontece assim na vida real, acontece assim no livro de Flynn.

A história baseia-se no desaparecimento de Amy Dunne em condições que indicam violência. O principal suspeito, claro, é seu marido, Nick Dunne. Será que foi ele? Outra pessoa? Quem mais poderia querer machucar a linda e inteligente Amy? Difícil saber.

A narrativa fica por conta de Nick, nos dias atuais, a partir do dia em que Amy sumiu, e de Amy, tanto no passado, por meio de seu diário, quanto do presente. É legal isso aí, mas ó, pra mim que não consigo me ater às datas, sempre fico um pouco perdida no comecinho. Depois consigo entender bem se o fato é do passado ou do presente, então não acho que seja um problema.



Quanto à construção psicológica das personagens, não posso reclamar. O livro te faz trocar de opinião, igual a quem troca de roupa. Numa hora você quer abraçar a pobre Amy, depois quer mais que ela se jogue do penhasco, em seguida fica amiga de Nick e deseja sua morte. Tudo assim, tudo ao mesmo tempo agora.

O maior elogio ao livro é que ele não deixa a peteca cair. É bom e instigante do começo ao fim, coisa que não tenho encontrado em muitas histórias. Acho que a maior decepção dos últimos tempos foi Quarto. É preciso abrir um paralelo entre Garota exemplar e A garota no trem: a narrativa segue o mesmo padrão. Pesquisei e vi que o livro de Flynn é três anos mais velho, então darei a Paula Hawkins o título de copiona do ano.

A história de Amy e Nick não termina no final. O que é engraçado é que você fica torcendo pra chegar no final e esperar uma justiça divina, um fechamento pra essa doideira de livro. Não acontece. O que acontece me deixou indignada. Terminei de ler e fiquei pasma, procurando folha depois da contra-capa. O mundo está todo errado - e aparentemente não há solução. Fiquei remoendo o livro por dias. Isso quer dizer que o livro é bem bom!



O filme

Tem Ben Affleck. Não dá pra levar a sério. Fim.

Tá, vou tentar dar uma desculpa mais convincente. Como todo best-seller que se preze, a história foi parar em filme, que tem Ben Affleck no papel de Nick Dunne, ou seja, não dá pra ter pena dele, só raiva mesmo. O tempo todo. Ô, atorzinho pra não me causar simpatia.

Como todo livro especial, colocá-lo em película cinematográfica não facilita a tarefa do roteirista / diretor. O filme fica devendo - e muito! - no detalhamento psicológico de cada um deles, especialmente Amy. Pra fazer a parte final do livro ter sentido, você precisa ter entendido muito bem o papel dos coadjuvantes, algo que mal é falado durante o filme. Ficou corrido, ficou meio sem explicação. Mas se você quiser ver por si, fica aí o trailer:


28 de abr de 2017

Dating na Inglaterra


***Atenção: esse post contém um bocado de estereótipos e generalizações

Uma coisa que eu amo sobre Londres é que todo mundo tem chance de se dar bem no amor. A cidade tem uma mistura tão louca, tão miscigenada, que fica difícil não encontrar uma tampa personalizada pra sua panela. Mas isso não significa, necessariamente, que essa tarefa seja fácil.

A boa notícia é que ninguém se importa de tentar. De tentar 200x se preciso for. Outra coisa fantástica sobre Londres: ninguém liga se você conheceu seu namorado na internet. Ninguém liga que você esteja usando o Tinder no metrô. Sabe esse olhar de desprezo-puxa-que-solteirona-buscando-namorado-na-internet que rola aqui no Brasil? Na Inglaterra ninguém dá a mínima.

Inclusive, a Inglaterra levou o dating para um outro nível. O First Dates, por exemplo, junta pessoas que nunca se viram em um jantar romântico num restaurante no centro de Londres. E põe isso no ar. Dá cada merda que nem te conto! Tem o clássico Laura, que seca os pêlos da vagina antes de sair pra um encontro. E ainda tem a pobre da Emma, que reencontrou no programa um cara de quem já tinha levado um toco. Só pérolas.

A Laura e o pobre do date dela (que aflição assistir esse episódio, meldels)

Não satisfeitos, eles resolveram que era melhor colocar umas opções no cardápio. Opções de pessoas, no caso. No Dinner Date, que passa na ITV, um cara escolhe entre 5 menus (de comida agora, vai!). Os três menus escolhidos escondem a identidade de mulheres que vão cozinhar pra ele um jantar romântico na casa delas. Daí eles se conhecem, bebem uma birita, comem e batem papo. No final de cada jantar, o cara dá uma nota de 1 a 3 estrelas e ao fim da comilança nas 3 casas, ele escolhe uma das mulheres para um segundo jantar, dessa vez num restaurante. É isso mesmo. O prêmio para a escolhida é um segundo jantar e, caso não seja escolhida, ganha um menu congelado. Ryzos. Só mesmo na Inglaterra pra um negócio desse fazer sucesso.

Ah, também tem de mulher que escolhe homens. E de gays. Adoro os de viado. Pena que sejam poucos. (Spoiler: já teve brasileiro passando vergonha na gente em rede internacional). Aqui o Buzzfeed listou 19 coisas que sempre rolam no programa e em outro post colocou 33 fatos que você precisa saber sobre Dinner Date. A fama de um programa de TV é proporcional à quantidade de vezes em que ele aparece no Buzzfeed.

Esse amigo aí pode, quem sabe, ter colocado fogo na casa tentando impressionar a mina

Sou viciada, me deixem. De tanto assistir essa bobagem, comecei a analisar a galera e por fim já acerto sempre quem a pessoa vai escolher pro segundo date. As pessoas, elas são muito previsíveis.

Dentre as coisas que eu percebi, a mais gritante é que a galera curte se miscigenar. Britânicos normalmente escolhem uma mina de outra nacionalidade (e o inverso também vale). Eu acredito que tenha a ver com o stiff upper lip dos súditos da rainha. Britânicos não curtem muito falar sobre seus sentimentos e tal (acho que tem a ver com a guerra - esse Keep Calm and Carry On afetou pra sempre os ingleses), então quando tem um estrangeiro que se abre, que fala de suas angústias, medos e vontades, nossa, a coisa flui!

Gente feia também tem vez. É cada casal impossível no Dinner Date que você quase questiona seu grau de miopia. Sabe quando aparece aquele cara e você pensa "sem chance que ele vai se dar bem hoje"? Pois é. Não funciona assim na Inglaterra. Vocês precisam entender: tem uma tampa pra toda panela nessa vida, minha gente! Não só a mina curte o cara, como engata num relacionamento sério com ele. Então, nem preciso dizer que há um monte de casais em que um é MUITO mais bonito que o outro. Rola o tempo todo. No meu caso particular, meu britânico vive dizendo que eu sou a mulher mais bonita que ele conhece. hahahaha coitado. Daí vocês tiram de base.

Na maioria das vezes não acaba assim não haha

Outra coisa engraçada é que as britânicas forçam a barra demais. Não sei explicar o porquê, mas todas elas soam meio falsas. Aquela risada falsa, sabe? Teve até um cara que perguntou por que a mina ria falso assim. Me representou! Mas sério. É muita maquiagem, com muito laquê na cabeça, com muito bronzeamento artificial. Não consigo entender, não precisa disso, elas são lindas. E laranjadas. Desculpa, gente, mas cês são. #stopfaketan

Eu usei Tinder um tempão em Londres (e não foi assim que eu conheci o bofe!) e me divertia muito. Fiz um monte de amigos (juro por Deus!), saí com uns caras bacanas, com outros não tão bacanas assim. Mas valeu muito a experiência antropológica. E também o fato de que ninguém julga porque você está usando um app de date. Como eu disse, ninguém liga. O Tinder de Londres é tão louco que já virou post no Buzzfeed e minhas amigas e eu tínhamos um grupo no Whatsapp só pra jogar print das pérolas que rolavam. 

Enfim, se você sente que nunca vai arrumar um bofe ou uma mina nesse Brasilzão de meudeus, minha dica é: vá para a Inglaterra. Se joga. Seja feliz!

25 de abr de 2017

Eu li: A amiga genial

Detalhe da capa de 'A amiga genial', de Elena Ferrante

O primeiro livro da quadrilogia da escritora italiana Elena Ferrante, A amiga genial, me deixou com muita preguiça. Desde o primeiro capítulo do livro eu me senti engambelada, eu percebi ali mesmo no começo que o objetivo da autora era escrever uma série pra vender vários livros. E isso me deixou bem irritada.

Eu entendo que existem essas narrativas lentas, cheias de pequenos detalhes, com o objetivo de fazer uma construção psicológica das personagens. Entendo também que há quem goste dessas narrativas. Mas, honestamente, elas não são pra mim. Eu gosto de ação. Gosto de ficar desesperada pra saber o que vai acontecer em seguida e esse livro passou bem longe de me causar tal efeito.

Fiquei ligeiramente curiosa com o que pode ser o desfecho do último livro, pois a história começa com o desaparecimento proposital de uma das personagens principais (são duas amigas). Lila Cerullo decide sumir e apagar todos os registros da sua vida, mas sua amiga Lenu resolve que a história é muito boa pra simplesmente desaparecer. E é assim que a narrativa começa. Prometeu (e deve cumprir lá pelo quarto livro), mas não sei se fiquei instigada o suficiente para me jogar na continuação, História do novo sobrenome.


A amiga genial é, sem dúvida, um best-seller e ainda não li nenhuma resenha negativa sobre o livro, então devo ser o ponto fora da curva. Minha vontade era pegar na mão de Lenu e dizer: "miga, deixa Lila sumir, ninguém se importa com essa história".

Tem ainda todo um mistério envolvendo a identidade da autora, que usa pseudônimo para escrever. Algumas pessoas especulam até que seja um autor. Eu chuto que além do anonimato, ela deve estar tentando se proteger de qualquer tipo de retaliação da máfia italiana. Quem é que brinca com os napolitanos, não é mesmo?

E você? O que achou do livro?

19 de abr de 2017

Tag Wanderlust

Newquay (UK) sendo linda numa tarde de inverno

Visitando o site do Aprendiz de Viajante, me deparei com esse post da Helô sobre a tag Wanderlust. Fiquei curiosa pra saber minhas próprias respostas e daí - por que não? - já enfiei aqui no blog pra virar um post. Ficou com vontade? Faz também e cola o link aqui nos comentários :)

Quando e pra onde ia seu primeiro avião?
Putz, nasci no Rio de Janeiro, mas toda minha família sempre morou em Goiânia, então desde bebê eu fazia essa ponte aérea, não vou saber precisar quando. Pode ser o primeiro voo internacional? Obrigada. Foi em 2006, de Goiânia a Lisboa, com conexão em Madrid (Barajas). Lembro como se fosse hoje. Uma choradeira sem fim pra fazer meu intercâmbio universitário na Universidade de Coimbra. Só amores por essa experiência.

O eterno problema de tentar não voltar pra Londres em todas as férias

Pra onde já foi e gostaria de voltar?
Tá aí o principal problema das minhas férias. Sempre quero voltar a Londres. SEMPRE. Daí tenho que respirar, desapegar e tentar um destino diferente. É sempre a primeira coisa que me vem a cabeça quando penso em viajar. Mas se vou pra Europa, Londres precisa estar enfiada de alguma forma nesse calendário. É meu acordo comigo mesma.

Você está viajando amanhã e dinheiro não é problema, para onde vai?
Vou fazer minha roadtrip pelos Estados Unidos. É a viagem que quero fazer há mais tempo, a que mais desejo desde sempre, mas demanda grana, tempo (e companhia) porque quero viajar de costa leste a oeste, de New York a San Francisco. O roteiro está pronto há anos. Sinto que ela está cada vez mais perto. O boy já curtiu a ideia de essa ser nossa viagem de lua de mel. Todo mundo cruza os dedinhos comigo!

Sou super adepta das roadtrips

Método preferido de viagem: avião, trem ou carro?
Estou acostumada com a estrada, adoro dirigir, amo uma roadtrip, então, né? Carro. Já fiz muitas roadtrips. A que eu fiz pra Minas Gerais, inclusive, tá aqui no blog em fotos e relatos. Fiz poucas viagens de trem (só na Europa) e eram sempre relativamente curtas, mas fico entediada e tensa, de olho nas malas e tal. Avião não é minha preferida - porque odeio voar, porque odeio a burocracia -, mas topo pra longas distâncias. Tomo um Dramin e apesar de não dormir pra valer, só desperto no destino.

Site preferido de viagens?
Hummmm... Não tenho UM preferido, tenho vários, pode ser? Gosto do Aprendiz de Viajante, do Pra ver no mundo, do London, sô!, do Catálogo de Viagens, do Pequenos Monstros (que não é só de viagens, inclusive) e de vários outros que não me ocorrem agora, cujos donos vão brigar comigo via comentários. Sorry.

Fideuá: melhor comida do universo (é tipo uma paella, só que ao invés de arroz, põe macarrão)

Pra onde você viajaria só para comer a comida local?
Voltaria à Catalunha. Melhor comida da vida toda. Sério. Fideuá. Comam. Sejam felizes. Me marquem no Instagram. Tenho pra mim que também ficarei gamada na comida grega. A ver.

Você sabe seu número do passaporte de cabeça?
Podicrê!

Você prefere assento do meio, corredor ou janela?
Janela. E perto da asa. Já comentei que tenho medo de voar, né? Então, descobri que a asa é a parte mais estável do avião, onde você sente menos os bumps da turbulência. E só levanto pra ir ao banheiro se eu estiver nas últimas. Já passei vários voos de 12h sem me levantar. Sim. Então fico na janela e é sucesso, porque não atrapalho ninguém e, teoricamente, ninguém me atrapalha.

Pra ir pra qualquer lugar da Catalunha, basta me chamar (essa é de Girona)

Como você passa o tempo quando está no avião?
Grogue. Tenho medo e tomo remédio pra tentar dormir. Não funciona, mas fico menos angustiada. Normalmente começo a assistir os filmes e pego no sono. Fico cochilando o voo todo. Só acordo pra comer e pra reclamar que tá demorando demais a chegar. Se for um voo curto, normalmente o Kindle já me é suficiente.

Existe algum lugar para onde você nunca mais voltaria?
Apesar de ser carioca, sempre prometo nunca mais voltar ao Rio. E volto. E passo perrengues. Mas vez ou outra sou feliz por lá, mesmo sem ir à praia.

3 de abr de 2017

Indico em Londres: Pub crawl do Guri in London


 Não é novidade que o guri Rafa Maciel faz uns tours guiados por Londres, mas é novidade que eu fui num tour guiado por ele! êêêê!!!! Como cês sabem, eu sou uma pessoa crítica, então já vou deixar claro logo no primeiro parágrafo que eu AMEI! O Rafa e eu somos amigos? Somos! Mas eu sou sempre a primeira a dar pitaco nas coisas que ele inventa (às vezes ele pede, às vezes não hehehe), então posso dizer que tenho uma opinião bem isenta quanto ao pub crawl que ele guia e que eu fiz em agosto de 2016.

"Ah, Marla... sei não, hein?"

Esse pub crawl tem o selo "mano desconfiado" de qualidade!


Opa. Sem problemas. Tá aqui a opinião de outras trocentas pessoas (222 até o momento de publicação desse post) que valeram um certificado de EXCELÊNCIA pra esse tour. Tá bom? Tá não? Então peraí que conto mais.

Parte da vista que vai fazer parte do seu tour

O tour do guri começa ali na estação de London Bridge, na beira do rio Thames, com a vista do The Shard, uma passadinha na frente do Borough Market e tal. O guri saca muito de Londres, então ele vai contando umas curiosidades da cidade, das ruas onde você tá e que existem muito antes de descobrirem o Brasil. Olha, não sei vocês, mas eu acho isso foda demais!


Ah, é. Tem pubs também.

"No meio do caminho tinha um pub.
Tinha um pub no meio do caminho."

O poema era esse, né? Porque meu filho, se tem uma coisa que essa dona Londres sabe produzir, essa coisa é pub. Tem muito. Tem demais. Tem passado. E como é que você vai saber se aquele é bom e aquele outro ali do lado da rua é ruim? Fazendo o tour do guri, é claro.

Guri guru saca das paradas pubísticas

O pub crawl vai te levar nos pubs históricos, o que quer dizer que eles estão ali há uma boa dezena (senão centena!) de anos e continuam ativos porque são muito bons. Todos eles têm detalhes peculiares, uma história incrível e, claro, cervejas de primeira.

"É o quê, Marla? Heineken, Stella?"

Não, amor. É cerveja local, servida em temperatura ambiente, com todo o amarguinho de Londres. [coração com as mãos]


No total são 15 pubs (calma, você não vai beber em todos! mas se conseguir, parabéns!), cinco lugares especiais da região e referências locais para ao menos nove filmes que você certamente já assistiu nessa vida! Olha, pra quem não conhece Londres é um puta passeio turístico. Pra quem já conhece Londres, é um puta passeio histórico. Essa cidade é simplesmente inesgotável.

A vista ajuda bastante, vou dizer logo

Não indico o passeio para:
- quem tem dificuldade de locomoção;
- quem precisa comer enquanto bebe (no último pub rola o jantar da galera com um precinho especial)
- quem leva mais de hora pra beber uma pint (shame on you, sir!)

Grande guri explicando uma parada sinixxxtra!

Uma coisa que o guri faz e que eu acho o máximo é a atenção incrível que ele dá pra cada uma das pessoas. Começa uns três dias antes, com você recebendo um email cheio de informações de onde a turma vai se encontrar, como chegar, pra quem ligar se você se perder, o que levar, enfim: como se preparar. Depois, durante o tour, ele indica cervejas (Rafa é bom bebedor!!) e ajuda a galera a pedir no balcão, caso o inglês do coleguinha tenha faltado a algumas aulas... (o passeio é todo em português, né? ninguém é obrigado a falar inglês não!). No último pub rola o jantar e ele ajuda a galera com os pedidos, explica o que tem nas comidas, ensina a voltar pro hotel... No fim do tour você ainda recebe um novo email detalhando os pubs por onde você passou, os lugares históricos que você viu e ainda dicas de filmes e vídeos pra você sempre voltar a Londres - nem que seja pela TV/YouTube.

"Nossa, Marla! Quero! Como faz?" 

Cantinhos ao redor do Borough Market

Para agendar, você precisa ver as datas disponíveis no site do Guri in London. Hoje o tour do guri tá custando R$ 20 pra agendar + £20 na hora do passeio e tem vagas limitadas (ou sejE: não vai dar a bobeira de tentar marcar no dia anterior!). Além do Pub Crawl histórico, o guri oferece ainda os seguintes passeios:

- Tour da Música - Let's Rock!
- Keep Calm - Londres e as guerras mundiais
- Jack, o Estripador
- Beatles Tour
- Harry Potter tour

Se você quiser acompanhar o trabalho do Rafa, ele tem site, canal no YouTube (pelamordedeus o Papo de Pub! Maravilhoso!), página no Facebook, Podcast (Chá dos 3), Instagram e Snapchat (@guriinlondon). Só jogar guri in london em tudo, que você acha. Já fez um passeio com o guri e quer deixar o testemunho, irmão? Se joga nos comentários!

*** Este post NÃO é um publieditorial

28 de mar de 2017

Causos do metrô londrino


O transporte público de Londres é uma coisa que eu nem sei explicar. Não é só transporte. É cultura. É um resumo da sociedade. É arte. E é onde rolam as coisas mais inexplicáveis, especialmente durante a noite. Dia desses lembrei de alguns episódios. Veja aí e me conta se já viu algo parecido?

Teve uma vez em que uma garota trêbada entrou no metrô e encostou a cabeça num estranho pra dormir. O cara deu uma olhada de rabo de olho, mas não se mexeu. Até chegar à estação dele, é claro. Daí ele pediu licença pra sair, a moça xingou porque ela perdeu o travesseiro e ele disse um verdadeiro "Sorry".


Teve também o causo da garota louca no ônibus noturno. Começa com ela não achando o Oyster Card #classic, pra em seguida xingar o motorista porque afinal de contas "como assim você não pode me deixar passar?". Não satisfeita, ela resolveu tomar as dores do Brexit e começou a xingar geral a galera do busão. Eu me encolhi no cantinho, fingindo que não tava entendendo nada #nohabloingles enquanto os caras do fundão riam sem parar. Claro que ela ficou puta e foi lá dar uns tapas nos caras quando o busão fez uma curva e a mana caiu de cara no chão. Eu respirei fundo e os caras riram ainda mais. Ela se levantou tentando dar uns socos no ar e os caras a seguraram e a colocaram pra fora do ônibus no MAIOR AMOR DO MUNDO. Sério. Eles não a machucaram e a impediram de se machucar ainda mais.


Essa não foi comigo, mas com o meu namorado. No dia em que a gente se conheceu, ele tentou dar um caô pra dormir na minha casa, mas eu o mandei embora às 3 e tal da manhã. Ele entrou no ônibus noturno e obviamente caiu no sono dos anjos bêbados. Acordou com o motorista avisando que tinham chegado no ponto final. Ele, completamente perdido, pediu desculpas e disse que não fazia ideia de como voltar, se o motorista poderia dar alguma dica pra ele. O que o motorista fez? Dirigiu de volta até o lugar onde ele precisava descer.


Essa rolou recentemente na estação de St. Paul's. Um dos caras que controla a plataforma pediu pra todo mundo sair do trem por causa de uma falha mecânica. Acontece que ele ficou preso do lado de dentro. Quer dizer, mais ou menos. O corpo ficou pra dentro, mas a cabeça ficou pra fora. Anram. Isso mesmo. Daí todo mundo da plataforma caiu na risada e ele, num tom irônico à la British humour, mandou "Can everyone stop taking pictures, please?"

Numa bela madrugada voltando pra casa, me joguei no último trem da noite na Central Line e um cara no mesmo vagão começou a vomitar dentro de uma sacolinha de supermercado. Daí a galera meio que ficou tirando onda dele estar passando mal e ele, num ar super sério e sóbrio, disse: "pô, melhor vomitar no saquinho do que no pé de vocês, né não?" É, sim, migo. Valeu!

15 de mar de 2017

Eu li: A garota no trem

A garota no trem, de Paula Hawkins (foto sem créditos disponíveis)

O romance de Paula Hawkins é triste. Um suspense com personagens psicologicamente bem marcadas, com histórias que poderiam ser reais e que me deixaram bem deprê. Primeiro, eu achei que fosse pela história em si, que inclui o desaparecimento de uma mulher, mas depois eu saquei que era pelo background. É pela história que não é explícita.

O livro retrata três mulheres que vivem nos arredores de Londres e cujas vidas se cruzam por razões diferentes. Rachel é uma alcóolatra digna de pena, raiva, decepção, nojo. Anna é a dona de casa mimada, cuja filha "estraga" sua vida. Megan é a loira escultural que desaparece numa noite de sábado. Todos esses estereótipos, no entanto, esfregam na sua cara como a sociedade pode ser cruel com as mulheres. E isso não fica explícito no livro, afinal, esse não é o ponto principal da história. Mas está ali, pra quem lê nas entrelinhas.

O suspense é bem amarrado, fazendo você se questionar sobre absolutamente todas as personagens e como elas poderiam ser responsáveis pelo desaparecimento de Megan, afinal, todo mundo tem "uma razão" para querer que ela suma do mapa. Pra mim foi difícil digerir a história principal porque o alcoolismo de Rachel me parece um assunto que precisa ser discutido mais do que qualquer outra coisa. Por que essa mulher bebe tanto? Por que ela não consegue se recuperar? Por que ela é tão desacreditada? Misoginia é a resposta para todas as questões. A fase final do livro é reveladora quanto à forma como a misoginia pode arruinar a vida de uma mulher. E não estou falando apenas de Rachel.

É difícil acreditar que Emily Blunt é uma mulher feia, hein, minha gente?

Como todo best-seller que se preze, o livro virou filme, com o título A garota no trem, lançado em 2016. Minha primeira decepção foi ver que eles fizeram a adaptação em Nova Iorque e não em Londres. Fuéééénnnn. Achei a Rachel do filme bonita demais pra ser a Rachel que imaginei no livro (entra aqui um parênteses porque o livro é narrado pelas personagens principais a partir de seu ponto de vista, então a descrição é incrivelmente subjetiva). Achei também que não retrataram a Anna direito, ela é um personagem muito abandonado no filme e no livro ela tem um papel fundamental na virada da história. Megan também foi reduzida a uma única característica psicológica, sendo que ela é muito mais densa. Ou seja, como toda adaptação, cortes muito bruscos foram feitos.

Acho que dá pra sobreviver lindamente nesta vida tendo lido o livro e não assistindo ao filme. Mas se você estiver muito curioso, vai aí o trailer pra você me dizer o que achou.

14 de mar de 2017

Eu li: Quarto


Contei pra vocês que meu digníssimo me deu um Kindle de presente de natal? Pois é. Quando fui assaltada, levaram meu pimpolho e desde então venho fazendo um certo drama pra ganhar um novo. Só digo que: deu certo. Mas daí virei uma leitora voraz e compulsiva e me perdi aqui na lista dos livros lidos. #malzaê

Depois de abandonar o Just Kids da Patti Smith por razões de: chato pra caralh*, pedi dicas pra Nah, do Pra ver no mundo, que me passou uma certeira: Quarto.

Olha, vou falar pra vocês: foi difícil abandonar a leitura. Sabe aquela hora que você fica no desespero de sono, mas tá muito emocionalmente investido na história? Isso. O tempo todo. Não, péra. Isso até atingir o clímax do livro, que não contarei qual é. :)

Pra mim, a grande sacada da narrativa é ter uma criança de 5 anos contando o que está acontecendo, porque daí você precisa se emaranhar na descrição lúdica pra entender o livro. Achei fantástico. Sério mesmo. Queria muito explorar fatos específicos, mas é praticamente impossível falar deles sem dar spoilers, então espero deixá-los com curiosidade suficiente para embarcar nessa história.

Capa do livro de Emma Donoghue (a foto é do site Save the Cat)

Uma crítica é que o clímax do livro chega muito rápido e depois a história não se segura. Ela sobe de uma vez e depois vai amornando, amornando, até esfriar por completo. Há algumas tentativas de segurar a atenção do meio pro fim, mas nem se comparam com a tensão que você fica no começo. Mesmo assim, acho que vale a pena dar aquela explorada.

Como era de se esperar de um livro tão descritivo, o danado inspirou um filme, O quarto de Jack.O filme é bem fiel ao que importa na história, mas muito resumido. A história fica quase boba sem os detalhes que dão cor (e tensão) à narrativa. No livro fica mais claro porque as personagens têm determinadas atitudes, mesmo que contadas por uma criança de 5 anos. Alguns fatos sem explicação (nem spoiler!): o liga e desliga de luzes, a gritaria, o desespero pra sair daquele lugar. Isso tudo não tem muita explicação no filme. Está lá, mas parece sem sentido. Quando contei essas coisas pro boy ele fez "ahhhhh, podia ter sido melhor explicado mesmo". Ainda assim, acho que é uma boa maneira de visualizar o livro, achei bem parecido ao que eu tinha no meu imaginário. A pergunta que Jack faz no final é exatamente como eu me senti: "O quarto encolheu?". O trailer vai aqui embaixo, mas pode estragar algumas surpresas. Estejam avisados.



Pois é. Foda.

E você? Já leu o livro ou viu o filme? O que achou?

27 de jan de 2017

Lyme Regis, praia queridinha de Jane Austen no Reino Unido

Bem-vindo à Lyme Regis

Estava eu toda faceira passando as férias nos arredores de Exeter (Devon-UK) quando meus sogros me convidaram pra conhecer Lyme Regis, uma região costeira de Dorset famosa pelos achados arqueológicos. Como sou da turma do "por que não?", logo me encapuzei numa incrível e ensolarada tarde de inverno e me mandei. Mal sabia eu que já conhecia o lugar.


Conheceeeeeeeer, conhecer, eu não conhecia. Mas reconheci. Rá! É que Lyme Regis faz parte da história de Persuasion, o último dos seis livros escritos pela autora. A BBC fez em 2007 uma adaptação do livro e uma parte importante se passa justamente na muralha do porto (a.k.a. The Cobb). Enquanto andava pela muralha, toda pimpona, me rolou um déjà vu

The Cobb

Como meu namorado, que Deus o perdoe, não entende nada de Jane Austen, ele não soube me dizer se eu tava surtando, se tinha razão, Persuasion who?. A pessoa morou a vida toda a 40km de Lyme Regis e não sabe da importância do lugar pros fãs de Jane Austen. Affff


Lojinha fofucha!

Enfim, bastou descer da muralha e andar pelas ruas fofinhas da cidade pra logo dar de cara com uns mimos e lembrancinhas pros fãs de Miss Austen. Juntei lé com cré, dei um google "Lyme Regis + Jane Austen" e voilà! Eis minha resposta. Além de parte do livro se passar nesse lugar, Jane Austen herself visitou a cidade pelo menos duas vezes, uma em 1803 e outra em 1804. O Google me contou também que Lyme Regis é praticamente um lugar de peregrinação, assim como Bath, que recebe o Jane Austen Festival todo ano (eu fui em 2014!). Eu já fui, inclusive, porque todo fã que se preza precisa ir a Bath pelo menos uma vez na vida. Quem não é fã também, porque Bath é maravilhosa.

Cena clássica de Persuasion foi filmada bem aí nessa muralha

Ah, os ingleses têm senso de humor!

Foi no The Cobb Arms (Marine Parade, Lyme Regis DT7 3JF) que eu comi meu primeiro fish and chips do ladinho do mar, que é o que os ingleses dizem ser o melhor, afinal, tá tudo bem fresquinho. Como entusiasta de uma boa cider, experimentei e elegi como minha bebida favorita a Old Mout Cider de kiwi e limão. Eita, que trem bão!

The Cobb Arms

Old Mout Cider: highly recommended

Se você andar pela costa, vai perceber que parte da praia é de areia e outra parte de pedrinhas (as famosas pebbles que arrebentam os pezinhos). Como fica no Canal da Mancha, não espere ondas, o mar é super calmo. Eu, toda encasacada, fiquei revoltada de ver umas criancinhas de shorts e camiseta brincando na água em pleno dezembro. A última vez que vi isso foi na praia de Holkham (uma das top 10 da Inglaterra!), mas né? Era maio, não dezembro.

Molecada se divertindo. Esse aí tava de calça, mas o resto...

De um lado areia, do outro... Pebbles!!

Bem de frente à praia tem uma parte mais alta onde fica Langmoor and Lister Gardens, um jardim que oferece uma vista incrível da costa. A gente ainda andou até uma galeria de um artista local, M. L. Gibbs, onde eu comprei um quadrinho com uma cena típica de Lyme Regis que agora enfeita a minha sala. Foram apenas 10 rainhas, então além de ser um trabalho incrível, tem um preço super acessível. Recomendo. A galeria fica em 1 Coombe Street, Lyme Regis, Dorset DT7 3PY.

vista do Langmoor and Lister Gardens: ruim não tava

Eita, que essa luz tava linda demais!

Lyme Regis fica a 250km de Londres e eu aconselho demais a visita pra quem estiver na região (Bath / Bournemouth / Exeter). Leva, em média, 3h30 pra chegar vindo de Londres, seja de carro ou transporte público (os trens saem da estação de Waterloo). Quem quiser chegar de avião (eita, precisa?!), há aeroportos em Exeter, Bournemouth e Bristol. Pra saber as linhas certinhas, é só visitar o site de turismo de Lyme Regis.
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