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29 de jun de 2017

Hiking: apitou, começou!

É trilha no meio do mato literalmente

Há tempos fui picada pelo bichinho do hiking. Culpo pessoas específicas: Helô Righetto, que faz trilhas lindas no Reino Unido, e a máfia de Seattle (usuários do Snapchat: @adriradu, @fkoetz, @camilapicolli), que fica passando vontade na gente por  meio do Snapchat com aquelas paisagens de cair o queixo no estado de Washington (EUA). Enfim, tudo o que eu sabia é que assim que eu pusesse os pés na Inglaterra, eu a exploraria à pé.

Às vezes tem trilha marcada, às vezes é só o mato puro e simples

Comprei bota de caminhada, calça à prova d'água, meias de lã com liners que não fossem de algodão (viu, Adri, eu presto atenção nas dicas!) e falei "tô pronta". Hiking é muito comum aqui na Inglaterra, sempre tem gente com botas de caminhada por aí, fazendo um passeio longo e terminando em um pub. Por essa razão, se aventurar pelas trilhas não é exatamente um bicho-de-sete-cabeças.

Siga a seta!

Descobri um site chamado iWalk Cornwall e uso o aplicativo deles pra explorar essas paisagens loucas que tem por aqui. É praia, misturado com fazendas de gado e ovelhas, misturado com lagos e lama e porteira, e stiles (a versão de mata-burro deles) e kissing gates (uma porteira que só passa gente). Eu me sinto a própria Lizzy Bennet, andando lindamente por aí com seus 6 inches of mud.



O site do iWalk Cornwall é muito funcional, a maioria das caminhadas são circulares e você pode escolher por região ou por tipo (com pub, com sombra, na costa, na beira do rio... enfim). O único porém é que pra obter a caminhada no aplicativo, você precisa comprá-la por $1,99. Ainda assim, acho super válido porque consigo fazer a trilha sozinha, usando o GPS do telefone mesmo quando não tem sinal, ou seja, nunca me sinto perdida (atenção: leve baterias extras).

Dá pra levar o cachorro pra passear na coleira

Minha maior felicidade foi descobrir que uma das trilhas começa aqui na porta de casa, então sempre que estou meio entediada só calço as botas e saio pra caminhar. Outra vantagem do aplicativo, na minha opinião, é saber a história local, curiosidades sobre a vila e suas construções e ainda sobre as coisas incríveis que já aconteceram na região.

E você pode terminar a trilha com uma paisagem dessas

Além dessa, já explorei uma trilha na costa, em Mawgan Porth, e outra totalmente rural, na região de Withiel. Essa aqui perto de casa já fiz umas 3 vezes. Todas elas são diferentes, embora haja alguns pontos em comum. Sortuda que sou, não peguei chuva em nenhuma das vezes em que saí por aí. Em breve, quero fazer posts específicos de cada caminho, pois consegui fazer umas fotos muito legais, que mostram como a paisagem de Cornwall é rica. Não sei o porquê desse lugar só ser famoso entre os ingleses. Turistas precisam vir aqui. É lindimais.

Conhece Cornwall? Tem dicas? Deixa aí nos comentários!

21 de jun de 2017

Curtinhas: olá, Cornwall!

Newquay sendo incrível num fim de tarde

Vim parar na Inglaterra de novo.

Dessa vez, no interior do País, em Cornwall - estado conhecido pelas paisagens deslumbrantes, pelas praias incríveis e pelas pessoas mais calorosas da ilha. Confirmo todos os estereótipos.

Dá-lhe praia!

Adaptação tem sido a palavra-chave pra essa temporada, que se encerra em agosto. Morar em Londres não tem muito a ver com morar em qualquer outro lugar da Inglaterra. Londres é muito surreal. O interior me parece mais real, mais palpável, mais confortável.

O interior da Inglaterra é muito charmoso

Tive que aprender a dirigir do lado errado da pista, o que exige um bocado de concentração. Mas agora, 40 dias depois, já consigo ouvir meus podcasts e dirigir, tudo ao mesmo tempo. Sim, isso é uma vitória.

Praia vai virar paisagem de praxe desse blog por um tempo

Estacionar nas cidades é um pesadelo. Ou os estacionamentos são muito caros ou são de tempo limitadíssimo. Estacionar na rua? Oi? De comer ou passar no cabelo? :)

No fim de maio ainda tava indo vestida, mas agora já tá rolando bikini weather

Some-se a isso o fato de ser uma cidade praiana, ou seja: todo o tipo de gente louca e hippie e morando na rua e querendo te vender miçangas. Meu namorado me proibiu de ser educada. Nada de bom dia, nada de responder as pessoas, nada de dar informação. Teimei e me lasquei.

De vez em quando você se depara com céus como esse

O boy estava abastecendo o carro e eu vi uma carteira no chão. Cheguei perto do carro e apontei pra pessoa lá dentro, pra ver se ele não era o dono dela. Daí ele ficou hein? o quê? Como é? Até que por fim ele saiu de dentro do carro, bêbado como uma mula, assim como os outros quatro ocupantes. Fiquei muito puta. E o namorado disse que é um golpe comum: vc abaixa pra pegar a carteira, ele abre a porta na sua cabeça, você cai e ele te rouba. Que delícia é morar na praia. Passei a dar ouvidos ao namorado depois disso.


Vivi por um mês na casa sem internet porque absolutamente tudo nesse País exige um contrato de 12 meses e eu não fico aqui por mais que quatro. Por fim, descobrimos que se a única empresa que provê internet no meu prédio (BT) não for capaz de fornecer a mesma velocidade quando nos mudarmos, eles são obrigados a descontinuar o contrato sem custo. Mas até que a gente descobriu isso foi chão.

Queria esses cavalos fofos pra mim

As casas da Inglaterra são preparadas pro frio, mas definitivamente não são preparadas pro calor. Tá 30 graus na sombra e eu estou suando bicas com minhas duas janelas pequenas abertas sem entrar um sopro de vento. O vento não entra, mas as moscas...  Ah, essas vêm a mil.

Fazer hiking tem me colocado em lugares como esse

Semana passada ativei o alarme de incêndio do apartamento enquanto cozinhava. Meu pé direito tem quase 5 metros de altura, mas a fumaça chegou até lá. Maldito frango e o óleo que espirrou dele no forno, fazendo o diabo da fumaça. Descobri que não tem como desativar à distância e descobri também que isso é mais comum do que se imagina. Corri pra perguntar a uma amiga o que fazer e ela me contou que desativa o dela pra cozinhar porque sempre dispara. Ou seja, esse negócio ainda vai gritar no meu ouvido algumas vezes.

Meus vizinhos têm portais enfeitados como esse

Estou bem ativa por aqui, descobri uma nova paixão chamada hiking. Fazer trilha tem sido algo incrível pra mim nessa fase. Tem um quê de desbravar terras novas, de ver paisagens deslumbrantes, de se sentir poderosa por fazer um caminho difícil e de se sentir independente e segura encontrando o lugar certo. Farei mais posts só sobre isso e com as fotos incríveis que tenho feito.

A que tiver nome mais esquisito é mais interessante

Já tive que usar meu seguro saúde por ter machucado o pescoço e descobri que odeio o NHS, o sistema público de saúde daqui. Mesmo tendo pago o seguro pra usar hospital privado, estou numa área de poucos recursos médicos, o que faz as opções diminuírem. Fui duas vezes ao hospital e nas duas vezes me mandaram tomar paracetamol e voltar pra casa sem um exame sequer. Resultado: paguei uma massoterapeuta e resolvi meu problema.

Um grande dia de felicidade: nós e o aspirador de pó novo

Fui à praia, nadei no mar e tive insolação. Meu namorado e meu sogro surfam, eu tô tomando coragem pra praticar bodyboarding. É que as ondas não são incrivelmente gigantes por aqui, mas são extremamente fortes, te puxam pra dentro do mar. Mesmo nadando eu senti a força da água (e olha que sou acostumada a nadar no mar).

Dica muito importante: compre um aspirador de pó decente e potente. Invista nisso. Vocês não fazem ideia da nojeira que eu tirei desse apartamento quando cheguei.

Mais post aparecerão por aqui. Paciência é a palavra de ordem. :)

Eu li: Garota exemplar


Ah, os livros de terror psicológico... como não amá-los?

O best-seller de Gillian Flynn é um desses que transcendem a narrativa clássica, usando o olhar das personagens principais para contar a mesma história. O pulo do gato é perceber como uma mesma história pode ter versões tão diferentes. Acontece assim na vida real, acontece assim no livro de Flynn.

A história baseia-se no desaparecimento de Amy Dunne em condições que indicam violência. O principal suspeito, claro, é seu marido, Nick Dunne. Será que foi ele? Outra pessoa? Quem mais poderia querer machucar a linda e inteligente Amy? Difícil saber.

A narrativa fica por conta de Nick, nos dias atuais, a partir do dia em que Amy sumiu, e de Amy, tanto no passado, por meio de seu diário, quanto do presente. É legal isso aí, mas ó, pra mim que não consigo me ater às datas, sempre fico um pouco perdida no comecinho. Depois consigo entender bem se o fato é do passado ou do presente, então não acho que seja um problema.



Quanto à construção psicológica das personagens, não posso reclamar. O livro te faz trocar de opinião, igual a quem troca de roupa. Numa hora você quer abraçar a pobre Amy, depois quer mais que ela se jogue do penhasco, em seguida fica amiga de Nick e deseja sua morte. Tudo assim, tudo ao mesmo tempo agora.

O maior elogio ao livro é que ele não deixa a peteca cair. É bom e instigante do começo ao fim, coisa que não tenho encontrado em muitas histórias. Acho que a maior decepção dos últimos tempos foi Quarto. É preciso abrir um paralelo entre Garota exemplar e A garota no trem: a narrativa segue o mesmo padrão. Pesquisei e vi que o livro de Flynn é três anos mais velho, então darei a Paula Hawkins o título de copiona do ano.

A história de Amy e Nick não termina no final. O que é engraçado é que você fica torcendo pra chegar no final e esperar uma justiça divina, um fechamento pra essa doideira de livro. Não acontece. O que acontece me deixou indignada. Terminei de ler e fiquei pasma, procurando folha depois da contra-capa. O mundo está todo errado - e aparentemente não há solução. Fiquei remoendo o livro por dias. Isso quer dizer que o livro é bem bom!



O filme

Tem Ben Affleck. Não dá pra levar a sério. Fim.

Tá, vou tentar dar uma desculpa mais convincente. Como todo best-seller que se preze, a história foi parar em filme, que tem Ben Affleck no papel de Nick Dunne, ou seja, não dá pra ter pena dele, só raiva mesmo. O tempo todo. Ô, atorzinho pra não me causar simpatia.

Como todo livro especial, colocá-lo em película cinematográfica não facilita a tarefa do roteirista / diretor. O filme fica devendo - e muito! - no detalhamento psicológico de cada um deles, especialmente Amy. Pra fazer a parte final do livro ter sentido, você precisa ter entendido muito bem o papel dos coadjuvantes, algo que mal é falado durante o filme. Ficou corrido, ficou meio sem explicação. Mas se você quiser ver por si, fica aí o trailer:


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