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13 de mai de 2016

Perrengue, porém na França

Vista de Pully. Do outro lado do lago: Évians-les-Bains

Essa semana a Denya, do blog Grazie a te, postou no Snapchat (grazieateblog) a pergunta: qual foi o maior perrengue que você já passou em terras internacionais?

Olha, foi difícil escolher só um porque né? Se eu viajar e não tiver um perrengue, alguma coisa está errada. Eu sempre volto com uma história pra contar. Lá no meu snapchat (já me segue lá? rodriguesmarla) eu falei dum dia que fiquei presa no alto de uma montanha suíça (papo pra outro post!). Hoje, vou contar duma treta que rolou em terras francesas.

Uma das minhas primas mora em Pully (na Suíça), às margens do lago Léman (ou lago Genebra, fique à vontade pra escolher). Se você apertar os olhos, enxerga do outro lado uma cidadezinha chamada Évians-les-Bains (já na França). Enrolada com as provas finais da faculdade, ela me emprestou o carro e falou "contorna aí o lago, vai ser legal".

Visão de quem contorna o Lago Léman

E assim o fiz. Fui quicando em umas cidadezinhas, apreciando a paisagem (e ô país pra ter lugar bonito, afffff tudo parece uma pintura de tão lindo!), até chegar a Évians, já no comecinho da noite. Como eu havia esquecido de trazer euros comigo, procurei um lugar onde eu poderia estacionar e pagar com cartão de crédito. Passou da fronteira, amigo, nêgo quer nem saber dos seus francos-suíços.

Estacionei, dei umas voltas na cidade, comi uma coisinha, bisbilhotei lojinhas... Uma delícia de lugar! Duas horas depois, quando voltei pra pegar o carro, o estacionamento tinha ficado em 1 euro. Beleza. Beleza nada! Porque só dava pra pagar com cartão acima de 2 euros. Ok, vamos esperar. Quanto tempo demora pra ficar 2 euros? Duas horas!!!!! E isso já era 8 e tanto da noite e minha prima me esperando pra pegá-la na faculdade.

Pensa numas ruas estreitas? Aí passam carros indo e vindo!

Saí do estacionamento e encontrei um grupinho de umas 4 pessoas. Expliquei que não tinha euros, se alguém trocaria euros pelos meus francos, ninguém quis. Perguntei se alguém poderia me doar 1 euro: ninguém podia. Rodei, rodei, rodei e ninguém trocava meu dinheiro. Fui em várias lojas, que pelo tardar da hora, já estavam fechando. Ninguém se doeu com o meu desespero de estar presa no estacionamento - mesmo tendo dinheiro!

Eu comentei que todo esse perrengue foi em francês? E que meu francês tá super enferrujado? Pois é. Agora tô aqui pensando se eu tava ACHANDO que tava explicando a situação, mas tava dizendo, sei lá, "oi, posso matar sua mãe essa noite?". Vai saber.

Tudo na Suíça parece uma pintura de tão lindo!

Depois de achar que minha única opção era mesmo ficar esperando outras 2 horas, um senhor dono de um açougue me chamou. "Ô, minha filha, tá precisando trocar dinheiro? Aqui o povo é ruim, não troca nada não". E eu pensei: mas não é possível que esse homi me chamou aqui só pra me dizer o óbvio.

Mas não, ele perguntou quanto eu precisava, abriu de novo o açougue, trocou o dinheiro pra mim e tornou a fechar o comércio. OBRIGADA, SENHOR, PELA GRAÇA ALCANÇADA. AMÉM. E foi assim que, finalmente, consegui pagar o UM EURO de estacionamento, e fui-me embora.

Lago, montanhas, neve no topo... Não dá pra não suspirar!

O perrengue do dia acabou? Claro que não. Quando eu já estava saindo da França, aliviada de ter conseguido recuperar o carro, me param na barreira. A primeira coisa que penso: não trouxe meu passaporte. PUTA-QUE-PARIU-EU-NÃO-TROUXE-A-DROGA-DO-MEU-PASSAPORTE!!!!! E minha prima já tinha me avisado que se eu esquecesse, teria que ficar presa lá até alguém levar pra mim. Comecei a suar frio. Mas usei minha parte atriz, abri o vidro e abri um sorrisão, como se francesa fosse.

"Bonsoir, monsieur! Comment peux-je vous aider?" (Fina, finíssima!!!)
E ele pergunta: A senhora comprou alguma coisa na França?
Eu: Não.
Ele: A senhora tem certeza?
Eu (já me tremendo, porém com a cara de pau que todo brasileiro sabe fazer, mesmo quando está errado na situação): Absoluta. Não comprei nada na França (e não tinha comprado mesmo!).
Ele: A senhora mora na Suíça? (E nessa hora me lembrei que eu não tinha perguntado pra minha prima aonde estava o documento do carro. Suo mais um pouquinho)
Eu: Não, sou brasileira. Minha prima é quem mora em Pully, eu só estou de férias, dando um rolê no lago. (Mãos grudadas no volante pra ele não me ver tremendo)
Ele: Ah, que ótimo. Então aproveite sua estadia! Tenha uma boa volta.

Aquele pôr-do-sol merecidíssimo depois de tanto perrengue!

Olha, NEM EU ACREDITO QUE ISSO ACONTECEU. Ele não me pediu nada. Nenhum documento sequer. Eu podia ter um cadáver no porta-malas. Mas ele. me. mandou. passar. Deus existe. Depois disso, cheguei em Pully e nem preciso dizer o tamanho da bronca que levei da prima por estar sem euros e sem passaporte. Mas sobrevivi pra contar MAIS essa história.

Aqui no blog eu já contei outros perrengues também. Um deles foi chegando em Angra dos Reis, outro foi o carinha que bateu no meu carro em Angra e o último (desta viagem) foi voltando pra capital do Rio de Janeiro. Na real essa viagem toda pro Rio foi meio bizarra. E corre lá pra ver também o post da Denya com os relatos dos snapchatters. Tá bem engraçado.

E você? Tem um perrengue de viagem pra contar? Aproveite aí o espaço dos comentários, bora ver se você me humilha no quesito "perrengue quem passou fui eu!" hahaha

4 de mai de 2016

Habemus dominium


Quem notou? Quem percebeu? Quem viu? (o macaco no fio? - #sorrynotsorry)

O bloguinho cor-de-rosa agora é marlarodrigues.com

Sem www. Sem blogspot.com. Sem complicações.

marlarodrigues.com

Uma grande vitória. Um feito incrível. Um trem que deu um trabalho dos diabos. hehe

E como deu um super trabalho, vou facilitar a vida dos que vêm por aí fornecendo links para:

1. Registrar um domínio: só ir pro site da Godaddy. Tá em português, é intuitivo, não tem chatice.

2. Mandar seu blog pro seu domínio sem perder links nem visualizações: ManualPC tem a resposta.

Uma diquinha extra: levou um tempo extra para que o endereço marlarodrigues.com fosse direcionado para o www.marlarodrigues.com.

Tenha calma (pode levar até dois dias!), fé, inspira, expira, vai dar certo.

Agora é facinho indicar o blog pros seus amigos, diga aí "hummm li no marlarodrigues.com, é ótimo esse site!"!

Conexão Paralela: episódio do Tinder sob um olhar feminista

Sou uma grande defensora do Ferminismo, mas por alguma razão desconhecida eu gasto meu latim sobre isso muito mais no Facebook do que no meu blog. Vai entender.

Participei recentemente do canal Conexão Feminista (chique demais!) conversando um pouco sobre o Tinder e especificamente sobre um episódio que mostra como o machismo tá tão impregnado na nossa cultura, que a galera nem se dá ao trabalho de analisar a situação. Inclusive, ta aí um assunto que vale vários posts: Tinder. É cada uma que me aparece...

Mas até lá, fiquem com o vídeo mesmo. É curtinho, divertido, e ninguém usa a denominação #feminazi. Eu juro.


1 de mai de 2016

Deixa as puta*!

Foto de Paul Keller (Flickr)

 *A concordância é essa mesma, pois: goianês. Aceita que dói menos.

Como cês devem saber, sou menina criada em Goiânia, esse lugar que pode ser machista pra caralho, então passei uma vida ouvindo a galera falando mal das puta. Eu mesma fui uma delas e ainda hoje tento trocar o palavrão "filho da puta", pois já sabemos que nem tudo é culpa da mulher, minha gente. O cara é um escroto, mas sua mãe pode não ser, daí nada a ver xingar alguém de filho da puta, haja vista que se está xingando a pobre mãe e não o cara.

Calma, voltei. Foco.

As puta.

Acho normal o trabalho das puta. Um trabalho como outro qualquer. Elas oferecem um serviço, os caras pagam e pronto. Uma modalidade de negócio foi concluída.


Foto de Blemished Paradise (Flickr)

Se você pode usar os serviços de uma massagista, de uma manicure, de uma depiladora etc etc etc, por que outras pessoas não podem usar os serviços da puta? Só porque tem sexo no meio? Mas eu não entendo esses problemas que cês têm com sexo. "Ai, que degradante". Ai, filha. Ninguém tá pedindo pra você se prostituir. Degradante é trabalho escravo. E tenho certeza que você tem muito mais compaixão por esse povo (cutuquei sua lógica?). "Ah, mas pelo menos eles estão fazendo um trabalho honesto". Pra mim, desonesto é roubar e matar. Ou fazer algo em que não estejam todas as partes envolvidas de acordo. Exemplo: estupro. Tá me acompanhando?

Alguém falou que é porque as puta são responsáveis por destruir casamentos da família tradicional brasileira. Sério. Sério mesmo. Acho MUITO engraçado que as minas nem por um instante pensem que a culpa é do cara, que foi lá trair a mulher, pagando por sexo (ou não pagando, enfim). As minas tão sempre culpando outras minas. A culpa nunca é dos caras. Que fantástica essa linha de raciocínio (#sqn).

Foto de Devon Buchanan (Flickr)

Dia desses falei "tenho nada contra as puta, inclusive seria uma, sem problemas, se me sobrasse apenas essa opção". Fez-se o silêncio sepulcral, como se eu tivesse dito que mataria alguém se necessário fosse. Gente. É só um serviço.

Poderia aqui me alongar e falar sobre a falta de legislação pras puta, mas vivemos num país onde não se pode nem abortar quando se é estuprada. Então, né? Vou parar por aqui mesmo.

Deixa as puta trabalhar. Deixa as puta.
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