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17 de set de 2015

Eu li: Wuthering Heights (Morro dos Ventos Uivantes)

Charlotte Riley e Tom Hardy sendo lindos na adaptação da ITV de 2009

Findei Wuthering Heights, um dos maiores clássicos ingleses e talvez a história mais romântica/doentia de toda a literatura do século XIX. Enquanto Jane Austen gosta de um final feliz para as suas personagens, Emily Brontë gosta de ver o circo pegar fogo. E terminar com tudo queimado. Como é um clássico, vou partir do princípio que todo mundo conhece a história principal: Heathcliff é o irmão adotivo de Cathy, eles se apaixonam, mas não ficam juntos. Cathy casa com outro cara, Heathcliff fica doidão, ela morre e ele resolve ser um monstro do mal. Queria ter podido resumir livros assim nas aulas do Ensino Médio, a vida teria sido mais fácil.

Recurso do Wise Word no Kindle (clique na foto pra aumentar)
Chegar à parte legal deste livro foi um parto, confesso. Mas depois que a Cathy parte dessa pra melhor (o que acontece um pouco antes da metade da leitura) a coisa desenrola. Durante a leitura, comentei com amigas como este livro era desgastante. Alguém resumiu de uma maneira bem simples: é um livro-vampiro. Ele suga as energias, mas você não consegue largar. Novo status do Facebook: Em um relacionamento abusivo com Wuthering Heights. Dica de uma amiga: se tiver numa "bad", é melhor esperar pra ler porque a coisa é tensa.

Suspiros, suspiros...

Eu li no Kindle, e em inglês. Foi difícil. Essa irmã aí escolhe umas palavras mais difíceis do que a outra (Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre - leitura muito mais fluida e fácil). Por sorte, Wuthering Heights ativa o Word Wise do Kindle, um recurso em que as palavras mais difíceis ganham uma definição automática, o que me ajudou a vencer esse livrinho. Além disso, ela usa umas expressões de Yorkshire (norte da Inglaterra), esse lugar cujo sotaque não é compreendido sequer por londrinos (avaliem).

Pedacinho de "como falar Yorkshire" - tenta aí!

Meu primeiro contato com a história foi pela adaptação da ITV (TV britânica) de 2009 e lembro que não entendi nada com nada, fiquei mal e a ver navios. Daí li o livro agora e fiquei odiando muito o Heathcliff e principalmente a Cathy (putz! como ela consegue ser chata! Pessoal no snapchat sofreu com minhas reclamações sobre a personagem). Assisti o filme mais uma vez e agora já gostei, entendi e criei uma empatia pelo amor esquisito dos dois e pasmem! Até chorei com a morte de Heathcliff (Tom Hardy) - que não acontece igual à morte do livro. Achei ele gato e sexy e agora já tô querendo marcar uma sessão de análise pra resolver isso aí dentro de mim, porque não pode ser normal.



O que eu achei engraçado é que no livro a história é contada com a ajuda de um inquilino que não aparece uma única vez sequer no filme. Na versão televisiva, a história é muito focada em Cathy e Heathcliff, enquanto que no livro, fala-se mais de Catherine (filha da Cathy). Ainda não sei do que gostei mais. Mas tenho a certeza de que vai ser um livro que vou reler nos próximos cinco anos. E vocês? Já leram? O que acham desta história bizarra?

*** Update em 02/03/2016: Gente, e eu que não sabia que os atores de Cathy e Heathcliff são casados desde 2014? Tô chocada. Olha eles no Oscar sendo maravilhosos.

26 de ago de 2015

A foto e o conto


Prévia.

A Helô Righetto, do Básico e Necessário (e também do Aprendiz de Viajante), postou nesta semana uma foto linda no instagram dela (@helorighetto). A tal foto foi tirada no País de Gales, esse lugar que nem conheço e já considero pacas. Fiquei namorando a imagem por uns bons minutos e minha cabeça ferveu. Brinquei no comentário: "Nossa, dava pra escrever um conto sobre essa foto". E aí ela botou pilha e o resultado está aí embaixo. Provavelmente a última vez que escrevi algo assim, estava no 3º ano do colegial (que oi, nem existe mais!), então perdoem a pieguice. Promete que vcs me contam nos comentários se isso é legal e se devo continuar fazendo? Vai que...!

Foto do Martin, o maridão cozinheiro da Helô


Inerência

Ela chegou. E quando ela percebeu que havia chegado, ela parou. Ela parou e contemplou tudo aquilo que enchia os olhos de beleza. Havia também uma certa melancolia cinza, mas isto também era belo. Como bem se sabe, a beleza está nos olhos de quem a vê. E não são raras as vezes em que ela é subestimada, esquecida, abandonada. Aproveitando um momento de percepção mais apurada, ela notou que não havia apenas o que ser apreciado. Havia ali uma missão, uma escolha. Havia ali alguém apontando o dedo e dizendo: faça sua parte. Ela se viu impelida a ceder. Argumentar seria inútil, desgastante. E foi ali que ela se viu de frente a um impasse. Na imensidão de uma praia cuja visão era incapaz de alcançar, ela olhou pra fora. E foi olhando pra fora que ela conseguiu se ver por dentro. E nela também se refletiam as escolhas de uma vida cujas pegadas a seguiam. O certo, o errado, o bom e o mau. Todas as dicotomias inerentes ao que chamamos humanidade. Ponderando sobre o passado, o sentimento de que nada ali podia ser alterado. No entanto, a sorte de de se ver naquele portal, pronta para uma nova caminhada, pronta para um novo caminhar. Ela olhava pra praia e a praia lhe mostrava: um farol e uma ilha. Quantas dicotomias existiam ali? Um farol, uma construção humana. Uma ilha, um evento natural. E quanto às semelhanças? Ambos presos a uma ponta de esperança e conforto aos marinheiros. Um lugar onde jogar a âncora. Um porto seguro. Uma garantia. Mas de que adiantam tantas garantias e seguranças e confortos quando o coração anseia por mares bravios e turbulentos? Quando a alma pede por mais, quando a vida não se quer estar e pede por ir. E foi nesse momento que ela percebeu que as opções muitas vezes estão veladas, presas debaixo de um véu de obviedades. Nenhuma das escolhas que se mostravam transbordava sua alma. E transbordar era tudo o que ela queria naquele momento. Transbordar. Transbordar. Transbordar. E há algo mais transbordado que o mar? Ali ela se despiu. Não havia mais ilha, nem farol nem praia. O que havia agora era apenas o transbordar do mar. E ela. E ela na imensidão do mar.

10 de jun de 2015

Até quando vai ser normal?

Foto: reprodução

- Nossa, esse celular tira umas fotos TOP!
- É um iPhone! Já que você está querendo trocar de telefone, por que não compra um desses?
- Tá louca? E se me roubam?

E aí minha colega riu do meu desespero e eu fiquei pensando no porquê de ela ter rido, o que em seguida me levou para novos questionamentos: até quando vou ficar com medo de comprar coisas por medo de elas serem roubadas? Até quando vou achar normal ter medo de ter coisas porque elas podem ser roubadas? Até quando vou me obrigar a viver num lugar onde é normal ter suas coisas roubadas?

Quando você passa a sua vida inteira vivendo uma realidade, dificilmente vai se importar em distanciar-se dela para analisá-la. Por outro lado, quando você conhece qualquer outra coisa que seja melhor que essa realidade, tudo passa a ser questionável. O fato de eu ser uma mulher agrava muito mais a quantia de questionamentos.

"Ai, Marla, vai me dizer que fora do Brasil não tem violência, roubo, estupro?". Claro que tem. Em quantidade infinitamente menor, mas é claro que tem.

Portugal foi minha primeira viagem internacional, morei em Coimbra por quase um ano enquanto fazia faculdade. Lembro-me claramente de que sempre avisavam às mocinhas que não era bom andarem sozinhas no Parque da Sereia, bem na praça principal, porque uma mulher havia sido estuprada lá uma vez. Então eu só tinha duas coisas a evitar: o Parque da Sereia e as ciganas (eu literalmente corri de uma morro acima - história para outro post). Teve uma vez que saímos tarde do bar e já não havia mais ônibus. Pensamos em pegar um táxi, mas era uma caminhada de meia hora pra chegar em casa, não valia a pena. Tínhamos medo de sermos assaltados no caminho. Todos os portugueses que estavam na nossa mesa riram. De gargalhar. 

O perigosíssimo Parque da Sereia, em Coimbra - PT

Depois fui morar em Londres por alguns meses e minha host family caçoou de mim quando contei como é nosso esquema de segurança no Brasil. Esse já rendeu um post e tá aqui. Depois de ser tão zoada por europeus, resolvi desencanar e voltava pra minha casa no leste londrino (considerado uma região suuuuuuper perigosa, ó meu deus) tarde da madrugada nos tão temidos ônibus noturnos. Nunca me aconteceu nada. Nunca me senti ameaçada, com medo - de ser assaltada, estuprada, agredida. Nunca. Você sabe precisar quando foi a última vez em que não sentiu medo?

No primeiro dia da minha segunda temporada em Londres, dormi profundamente em um parque no meio da cidade. Não havia policiais fazendo ronda, umas poucas pessoas almoçavam por ali. Na minha mochila estavam todos meus aparelhos eletrônicos, incluindo meu notebook. Acordei num rompante, batendo a mão à procura da mochila e ela estava ali - do mesmo jeito que eu a havia deixado. Eu dei bobeira? Sim. Mas vamos aqui fazer uma análise. Se eu tivesse pegado no sono assim no Parque Vaca Brava, será que minha mochila ainda estaria lá? Pior: será que eu precisaria ter dormido para ficar sem a minha mochila?

Russell Square, essa pracinha perigosíssima onde peguei no sono em Londres

No último feriado passei um dia na Cidade de Goiás. Em dado momento estendi uma toalha no chão e fiquei lendo meu livro sossegadamente. De volta a Goiânia perguntei-me se eu teria coragem de fazer o mesmo em um parque qualquer daqui. Qualquer um, you name it. A resposta é não. Eu já corro no parque ouvindo música no celular e pensando se estou atenta o suficiente para não ser assaltada em algum canto sem iluminação. Se eu devo passar embaixo da sebe mesmo à noite, sabendo que alguém pode me empurrar para o meio do matagal e me estuprar. E eu te afirmo: não sou a única a pilhar com essas coisas. Mas a pergunta mais importante é: até quando vamos achar normal ter que tomar tanto cuidado pra viver?

Até quando vai ser normal um cara matar a namorada a tiros no meio da praça de alimentação de um shopping? Até quando vai ser normal um cara esfaquear a namorada porque ela terminou com ele? Até quando vai ser normal uma garota morrer depois de ter sido vítima de um estupro coletivo? Até quando?

E eu te pergunto: se você tivesse a oportunidade de morar em outro país continuaria escolhendo o Brasil?

18 de mai de 2015

Sobre finais felizes

Por Igor Morski

Terminei mais um livro de mais um desses escritores modernos e mais uma vez me decepcionei com mais um final não feliz. A quantidade de "mais um" na última frase é uma crítica mesmo. Porque tudo que ouço por aí é que os autores clássicos têm essa mania de escrever histórias com finais felizes e isso não acontece na vida real. Mas daí os escritores modernos vêm com essa de escrever histórias ~reais~ que, obviamente, não podem ter finais felizes. Olha, cês são tudo mais do mesmo.



E vou dizer uma coisa: quisesse eu saber de histórias tristes, com finais cagados, eu compraria um jornal, meu amigo. A vida já é tão amargurada e eu ainda sou obrigada a ler essas coisas e subentender que as personagens não podem ter finais felizes porque pessoas reais não têm finais felizes. É por isso que esse mundo tá todo trabalhado em antidepressivos e psicomaníacos.

Eu não sei como vocês leem livros, mas eu vivo aquilo ali intensamente. Eu choro, eu torço, eu sofro com o desespero das personagens, eu acompanho aquela peleja e fico ali dizendo pra ela "calma, que no final tudo vai dar certo". Aí chega no final e o autor ~moderno~ acha que não pode dar um final feliz pra ela porque a vida é assim (uma grande merda).


Então quando eu digo que amo Jane Austen, isso se dá de uma forma ainda mais absoluta porque eu sei que em algum momento depois de tudo aquilo que nossa heroína sofre (e eu também), haverá um momento de regojizo, de paz, de felicidade. Porque a vida pode não ser um mar de rosas, mas é preciso ter esperança de que possa ser.

Vocês também ficam muito putos quando um livro / filme / série termina de um jeito que não era justo? Cês fazem o quê? Porque eu vou ali abrir uma cider pra curar a amargura.

4 de mai de 2015

Indico em Londres: Sass & Belle


A Sass & Belle foi uma dessas descobertas que rolam enquanto se anda despreocupadamente em Londres. Primeiro me encantei pela vitrine fofíssima, que me forçou a entrar na loja - coisa que evito a todo custo por motivos de: a grana tá sempre curta e não deveria gastar. Mas que bom que eu entrei, porque dá pra comprar um monte de coisinhas sem ter que estourar o cartão de crédito e deixar de comer.

Fala se essa vitrine não te convida pra entrar? E essa fachada retrô? Puro amor

 Levei basicamente todas as visitas que tive em Londres pra essa loja e, olha, agrada 10 entre 10 amigas. Inclusive, acostume-se a ser xingada porque a amiga não deveria gastar, mas como não levar todas essas coisinhas fofuxas? Sou da seguinte opinião: você tá em Londres agora, faz nem ideia de quando vai voltar, por que não ser feliz e pensar em como pagar o cartão depois que estiver no Brasil? Sou dessas. Então bora ver um pouco dos produtinhos?


Quem não quer um chaveirinho desses?

Coisinhas penduráveis

Muitas coisinhas penduráveis! Tenho essa gaiolinha! Quem já a viu em outras fotos minhas aqui de casa?

Relógios retrô: queria todos!

Um arrependimento: não ter feito espaço na mala pra trazer esses porta-retratos super baratos e lindos

Olha aí o precinho da peça: 2.99! Dá até pra levar de presente pros amigos!

Fora de temporada de festas esta loja já é uma perdição, mas perto do Natal ela fica insuportavelmente fofoluxa e não sei lidar. Tenho algumas coisinhas de lá, que usarei lindamente no próximo Natal brasileiro (isso se eu estiver aqui na época do Natal, TODAS torce pra eu estar bem longe e aproveitando o recesso forense).

Como não amar (e colecionar) essas tildas?

"Tia, me leva pra casa, sou lindo!"

Tem um monte de coisas pra você enfeitar seu Lar, Doce Lar e também pra dizer que lembrou dos amigos. Acho ok ganhar esses Big Ben e London Eye e tal, mas acho que os produtinhos dessa loja vão ser muito mais úteis e enfeitáveis na casa dos amigos que você vai presentear. É que eu acho que os Big Ben e London Eye fazem mais sentido pra quem já viajou pra lá.


Que tal levar essa canequinha de bike pro seu amigo fissurado?

E pra quem quer completar aquela incrível coleção de qualquer coisa com as cores do UK, lá também dá pra se jogar nas compras. Olha esses da foto aí embaixo: tem lata de biscoito, canecas, porta-retratos e até a rainha que fica dando tchauzinho (essa alguém podia me dar, porque é carinho).

Pra quem curte o UK theme

Quem não quer esse passarinho?

A Sass & Belle tem loja online, mas não entrega pro Brasil. Nem por isso você vai deixar de olhar. Você pode ir lá bisbilhotar e sonhar com as coisinhas que você vai comprar assim que chegar no Reino Unido (ou comprar online e mandar entregar no hotel daquele seu amigo que está de viagem marcada pra lá). Eu só conheço duas lojinhas em Londres: a da New Row, entre Covent Garden e Leicester Square, e a de dentro do Covent Garden (mas ela é menorzinha). Diz que tem um outlet ali do ladinho de Covent Garden que eu nem sabia que eu existia, entre outras lojas espalhadas por aí, incluindo Brighton. Pra ver todas elas e achar a que fica mais fácil, é só clicar aqui.


Portinha da loja de dentro do Covent Garden

Pra achar a danadinha, é fácil: é só procurar o buraco dentro de Covent Garden e voilà!

Lembrando que este post não é patrocinado pela Sass & Belle, mas aceito presentinhos como recompensa pela propaganda foda. hahahah Brincadeira, é que acho que as coisas boas precisam ser espalhadas, sim. E aí? Gostou da dica? Tem outra indicação de loja bacana? Conta aí nos comentários!

30 de abr de 2015

Aprendendo inglês #1: Leitura


Sou dessas que acha que se escola de inglês resolvesse a vida de alguém, eu mesma teria aberto uma. Não vai ser professor nem escola que vai te ensinar o idioma, amiguinho. Isso aí ajuda, é claro, mas o aprendizado depende 95% do aluno. Então bora lá começar uma nova série? Bora. E a primeira dica é: LEITURA.

Quando era adolescente, tinha essa mania de pegar textos em inglês e traduzir palavra por palavra. Esse é o erro número 1 que você não quer cometer. Primeiro porque inglês é uma língua idiomática, o que quer dizer que um monte de palavras soltas não fazem sentido, você tem que juntar umas expressões pra elas te dizerem alguma coisa.

O objetivo da vida é entender a frase que você está lendo. Não fez sentido algum? Calma. Respire. Leia de novo e siga firme até o fim do parágrafo. E agora? Melhorou a ideia do que tá rolando na trama? Ainda nada? Siga ate o fim da página. Prender-se a uma palavra atrapalha o contexto e a fluidez da leitura (e muitas vezes te faz desistir e jogar o livro bem longe). Confia em mim, em algum momento você vai pegar a ideia do autor, não se aflija e persista.


O primeiro livro que comprei pra ler em inglês foi Pride and Prejudice, da Jane Austen. Erro número 2: se você nunca leu um livro inteiro em inglês antes, comece com um infanto-juvenil. Terminar esse livro foi um parto. Não aconselho nem pro meu pior inimigo. Findei porque tomei como "challenge accepted", mas não se jogue nessa armadilha.

Depois que pari o queridinho da Miss Austen, resolvi baixar minha bola e ir atrás de uma leitura mais sussa, ao que encarei A Little Princess. Sabe aquele filminho da Sessão da Tarde, em que Sarah, A Princesinha, vai para um colégio interno, mas perde o pai e vira a empregada do lugar? Pois é, esse aí. Nossa, foi um upgrade da velocidade da leitura. Livro fácil, gostosinho de ler e, no final, aquela sensação de dever cumprido. Spoiler: o fim da história original é totalmente diferente da versão do filme. Ficou curioso? Corre ler.

Kindle no computador: essa maravilha

"Ai, Marla, não tenho dinheiro pra ficar comprando livro em inglês". Nem eu, fia. Mas tem uma pá de aplicativos de leitura que oferecem um monte de livrinhos de graça. Sabe o Kindle? Então, se você - assim como eu - não tem o reader queridinho da Amazon, fique sabendo que dá pra baixar o aplicativo no celular, no tablet e até no seu próprio computador. É só clicar aqui e você já vai ser direcionado pra página de download.

Facilidade: disponibiliza um dicionário ao duplo clique na palavra

Vantagem número 1 de usar o Kindle como leitor: além de ter vários livros de graça (como A Little Princess, que já citei), dá pra clicar na palavra que tá prendendo sua leitura e ele te dá o significado da mesma - em inglês. Lembro que fiquei encafifada com um "bear" que aparecia o tempo todo no livro e eu jurando que esse urso não fazia parte da história, até que não resisti e fui procurar o significado, que oeeeeee, também quer dizer "suportar" e pronto, minha vida ficou mais leve. Hoje em dia praticamente não leio mais em português, mas é mais pra poder manter o inglês afiado. Fora que ler no original teuma liberdade imensa.

E aí? Tem mais uma boa ideia de leitura pra pôr em prática e avançar no inglês? Joga aí nos comentários!

27 de abr de 2015

O causo da cidade que anda pra trás


Tô na vibe de caminhar por aí nas pistas de Goiânia pra mexer um pouco o corpo. Tentando criar gosto pela coisa, sabe como é. Daí descobri que não pode caminhar a qualquer hora. Tem que ser de manhã ou à noite. Mas não qualquer hora da noite, tem que ser no máximo até 8 da noite ou então não vai ter ninguém mais na pista e você vai se ver sozinha num lugar ermo e escuro e vai ser perigoso. Chato, né?

Dia desses saí da yoga às 20h40 e achei que poderia ir dar um rolé no Areião, mas tinha mais ou menos umas 4 almas vagando pela pista, achei meio perigoso e fui-me embora sem o caminhar daquele dia. Comentei com uma amiga que mora em São Paulo e que não perdeu a oportunidade: se fosse aqui, tinha gente saindo pra caminhar às 11 da noite. Pois é. Pois é. Mas aqui em Goiânia tem hora pra caminhar, é claro. E, pelo que vi, tem sentido obrigatório também. Explico.

Perto da minha casa tem uma dessas praças que virou pista de caminhada / campo de futebol / parquinho pra criançada / lugar de levar o cachorro pra passear. Um belo dia fui lá e, enquanto caminhava, reparei que todo mundo seguia num único sentido, eu era a única a ver as pessoas de frente. Achei que fosse uma coincidência e segui meu caminho. Mas obviamente não demorou muito até que alguém viesse me bater a real.

O velhinho nem caminhando estava. Com suas havaianas no pé, não fez cerimônia pra interromper minha passada e dizer "Filha, quando vier caminhar aqui você deve seguir pelo sentido anti-horário, o contrário do que você está fazendo agora." Ora essa, como assim? "Por quê?", perguntei sem pressa. Ao que ele respondeu:

- Porque aqui a gente faz assim.

Mandei um "então tá", resmunguei um "mas eu não sou provinciana" e segui meu caminho no sentido horário mesmo pois: não sou obrigada. Goiânia, essa cidade que tem hora pra caminhar e sentido obrigatório - o de andar pra trás.

18 de mar de 2015

Resenha: The English Studio

Porta da The English Studio, na Bloomsbury Square (foto do Google Street View)

Escolher uma escola pra estudar inglês em Londres é uma incrível aventura que depende, basicamente, de dois pontos: quanto dinheiro você tem pra gastar e a reputação do lugar. Na minha primeira ida eu tinha grana e pude bancar uma escola que eu achei fantástica e super indico, a St. Giles. Inclusive, tem um post sobre ela aqui.

Dessa última vez, porém, a grana era curta, o período era longo e eu fiz o meu melhor escolhendo a The English Studio. Lembro-me de ter pesquisado muito, procurei diversas opiniões sobre a escola e confesso que não achei muita coisa que valesse. Com o budget lá embaixo e um desespero eterno por rotina, encarei mesmo assim. Mas não foi uma decisão acertada. Deixa eu te contar o porquê.

Primeiro que eu revirei o site de cabo a rabo e não tinha informações sobre que livro eles usariam para o curso preparatório pro CAE (Cambridge Advanced English Certificate). Mandei email com a pergunta e eles demoraram dias e dias pra me responder que: não tinham decidido ainda.

Uma foto publicada por Marla Rodrigues (@rodriguesmarla) em


Quando finalmente cheguei a Londres, fui lá fazer o tal teste de nível pra saber se eu poderia fazer esse curso especificamente. Olha, meu teste de nível no St. Giles levou uma manhã inteira e teve prova escrita e oral. Tava esperando algo nesse nível, mas não. A moça me entregou uma folha, mandou eu sentar num cantinho daquela sala lá mesmo e terminar em até meia hora. "O resultado será enviado pro seu email até amanhã à tarde". E eu WHAT? Só isso?

(((Vou dizer: isso nem é teste de nível, gente. Eu sempre tive a impressão de que na minha sala tinha um monte de gente que não deveria estar ali. E quando a turma não está no mesmo nível, os retardatários atrasam o resto da galera e me irritam pra caralh*: pronto, falei.)))

Três dias depois e nada de email, fui lá outra vez. Eis que a recepcionista da vez, que varia entre espanhola, italiana e russa (não, não tem ninguém com inglês como língua materna), me informa que a pessoa que corrige os testes de nível esteve doente nos últimos dias. Aí eu perguntei se numa escola gigante de inglês só tem UMA ÚNICA PESSOA qualificada pra corrigir um teste de nível. Acho que peguei pesado, porque ela foi atrás do diretor na mesma hora e me prometeu que o resultado sairia naquela tarde ainda.


Problema 1 resolvido, passei, beleza. Fui lá, então, pra fazer minha matrícula pra um curso de 10 semanas. "Ok, cadê seu visto de estudante?" Não, eu tenho visto de turista, pra 6 meses. "Então só pode 6 semanas de curso" Are you f*cking kidding me? Não, mentira. Não falei isso, mas que eu pensei, pensei. E aí depois de pagar por 6 semanas de curso basicamente o que eu pagaria por 10 (quanto mais tempo você estuda, mais barato sai o curso), fui lá ter minha aula experimental.

Imaginei que fosse ter mais de 20 pessoas na sala, pois essa é a reclamação básica sobre a escola, mas foi tranquilo, 12 alunos em um semi-círculo. Mas daí... Surprise: a professora tem um sotaque estranho. Ela deve ser da África do Sul, imagino. Mas aí ela falou uma coisa qualquer com uma pronúncia muito, mas muito equivocada e eu só pensava "suspeitei desde o princípio". Alguém menos discreto do que eu perguntou de onde ela era, ao que respondeu "Polish". Pois é, amiguinhos, a nossa fessora era polonesa (e no fim do curso chegou uma turca. Anram. Turca). Ela arrasava na gramática e no vocabulário, mas a pronúncia deixava muito a desejar. E puxa vida, eu tinha ido pra Londres justamente pra não ter que lidar com pronúncia errada de professores que não têm inglês como língua materna. E o curso preparatório pro CAE só perde em nível pro curso preparatório pro CPE (Proficiência), ou seja, não tem desculpa pra não usar um nativo.


Daí fui lá reclamar, ou melhor, solicitar que me encaminhassem pra uma turma com um nativo e a moça faltou rir na minha cara. Anram, aquela espanhola. Vou parafrasear: "Meeeeenha feeeelha, você viu algum nativo trabalhando nessa escola? Pois é. É o que tem pra hoje". Aí olhei o extrato da minha conta bancária, suspirei, engoli a raiva e resolvi encarar a parada assim mesmo, afinal - aprendam pra vida - aprendizagem inclui 90% de esforço do aluno e 10% de competência do professor. Beijos do minuto de sabedoria.

Daí que tirando a parte de ter um espanhol muito sem noção na minha sala (nível ele merece um post só pra eu poder reclamar dele), as aulas transcorreram bem, a fessora tinha muita boa vontade em ensinar as coisas mais cabeludas da prova e tal. Depois eu vou fazer um post pra falar como é a prova do CAE, mas até lá fiquem sabendo que... fui aprovada. Então, resumindo: o curso serviu pro meu objetivo, mas eu não indicaria essa escola, não. E vocês, tem escola pra indicar (ou pra NÃO indicar)?

11 de mar de 2015

Chá com leite (ou leite com chá)


Que os ingleses adotaram o consumo do chá centenas de anos atrás e influenciaram boa parte do mundo com isso vocês já sabem. Novidade mesmo é que adotei o hábito de tomar chá e agora estou mais viciada no cuppa do que vocês no seu café. O fato de eu estar abismada é que eu achava que não traria esse costume pro Brasil por razões de: calor pra cacete. Mas não, tô aí firmona nos meus 4 cuppas diários, sendo: um quando acordo, dois durante a tarde e outro quando chego em casa.
  

Mas Marla, que trem mais sem noção você tomando 4 xícaras de chá por dia num calor de 30 graus nessa Goiânia! Peraí, vamo arrumar essa frase. São quatro xícaras de chá Earl Grey com leite e sem açúcar. Pois é, taí outra coisa que mudou no meu paladar quando fui pra Inglaterra: lá nenhum doce é muito doce e nenhum salgado é muito salgado. Pra brasileiros, tudo parece meio sonso, mas eu me acostumei e acho ótimo pois cortei açúcar e adoçante pra essas bobagens de chá, suco e derivados, ao mesmo tempo em que reduzi o sal da comida e não morrerei de hipertensão (meu médico manda beijos). 
 
Minha caixa de chá e parte da minha coleção de carrosséis

Na minha primeira visita à Inglaterra, em 2013, eu nem dei bola pro tal do chá porque lá era primavera e eu achei que tava quente demais pra isso. Daí que um pouco antes de ir embora dei uma passada no castelo de Windsor (para ver o post sobre o danado basta clicar aqui) e comprei umas latinhas fofas, entre elas esta azul lindona (para ver o post sobre minha coleção de latinhas e bibelôs, clique aqui):
 
Uma foto publicada por Marla Rodrigues (@rodriguesmarla) em

E o que é que tinha nessa lata? Chá da rainha. Mentira. É chá preto mas eu chamo de chá da rainha porque acho que orna com a lata rs. Esta tal lata ficou lá enfeitando minha cozinha uns bons 6 meses sem que eu sequer olhasse pro seu conteúdo. Até que um dia eu resolvi que ia tentar fazer scones e nada mais óbvio do que fazer um chá inglês pra acompanhar. Resumidamente, uma maneira de tentar embalar meu coração que sofria de saudades da terra da rainha (cês ainda não se acostumaram que eu chamo o Reino Unido assim?!).
 
Uma foto publicada por Marla Rodrigues (@rodriguesmarla) em

O tal chá é um negócio levado tão a sério lá na Inglaterra, que eu não queria correr o risco de fazer errado e aventurei-me na internet pra ver de qual que era a preparação do dito cujo. Pois bem, depois de muito pesquisar, entendi que é assim:

1. Ferva a água
2. Coloque um saquinho de chá preto (atenção: chá preto NÃO é chá mate) pra cada xícara e um extra pro bule
3. Deixe em infusão de 2 a 4 minutos
4. Coloque um dedo de leite frio na xícara e complete com o chá do bule

Meu kit de fazer chá com a cara da riqueza

Pronto. Delícia. Ganhei até um bule da amiga (brigada, Tati!) pra praticar o ritual do chá com sucesso e me mantive assim até a minha última visita à rainha, em setembro/2014. É que a casa que eu aluguei não tinha esses paranauê de bule etc, eles usavam a chaleira elétrica pra esquentar a água, deixavam o saquinho em infusão, tiravam com a colher (porque chá inglês não tem essas frescuras de cordinha) e completavam a caneca (nada de xícara!) com leite frio e era isso aí. E eu só pensava meu deeeeeuss, que sacrilégio com o ritual do chá. Durou uns 3 dias issaê. Agora eu tenho minha própria chaleira elétrica aqui em Goiânia e é assim mesmo que eu preparo o chá.

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Nossa, mas não era o leite antes do chá? Agora é o chá antes do leite? Olha, se quiser puxar assunto com inglês é só perguntar qual a maneira certa de fazer isso. Inclusive, é quase tão eficiente quanto discutir como está o tempo hoje. Resumindo: não tem certo não. Experimenta os dois, vê o que te apetece mais e pronto, é isso aí, bola pra frente.

Mas então, todo esse blablablá é pra tentar entender por que fiquei tão apaixonada no chá. Eu amo o gosto do chá, mas eu já percebi que o ato de tomar chá tem a ver com um conforto mental. Ai, Marla, que sem noção dizer que um negócio com cafeína te traz conforto mental. Olha, psicólogos explicarão, eu só relatarei.

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O primeiro chá do dia é colocado do lado do meu puf na sacada do apê, enquanto faço minha leitura matinal. Que jeito de começar o dia, amigos. Os outros dois são no trabalho, momento em que eu dou um tempo das pressões e irritações. Aqueles 15-20 minutos são deliciosos, chego a me transportar dali, sei nem explicar. Inclusive foi enquanto eu tomava meu chá no trabalho que tive a ideia do post. E o chá final (às vezes substituído pela cider que consegui comprar online - woohoo!!) tem gosto de missão cumprida: venci o dia.
 
Uma foto publicada por Marla Rodrigues (@rodriguesmarla) em


O que é que tem no seu cuppa?

Lá na Inglaterra se você pedir um chá, eles vão te servir um kit com: bule com Breakfast Tea, uma xícara e uma mini leiteira com leite frio. Porque chá no UK, meus senhores, é chá preto, ponto final. De acordo com dados do ~Google~, o Earl Grey é um chá preto misturado com outras especiarias e tem um sabor mais suave. O Breakfast Tea é chá preto puro e é mais forte que o primeiro citado. Por fim vem o Irish Breakfast (que eu nunca nem vi pra vender em Goiânia), feito com folhas de Assam, uma plantinha da Índia que deixa o sabor do chá bem forte.

Eu não tenho muita frescura com marca, mas me acostumei com o Earl Grey e tomo o da Twinings, mas se não tiver no mercado eu não me abalo e compro outro chá preto qualquer. Outro que agora não fico sem é o chai orgânico vendido no Borough Market. Depois que achamos a mulher no Facebook e ela disse que despacha pro Brasil, fechou o esquema da felicidade. É um bom sem tanto! Acho melhor até que o chá preto tradicional (que os ingleses não me ouçam, amém!).

No cantinho da direita o pacote do chai maravilha do Borough Market

Dica de ouro: se você estiver indo pra Londres e curtiu toda a parada do chá, sugiro uma passadinha na loja da Twinings, que fica no número 216, Strand, entre as estações de Holborn e Temple. Ela é pequenininha, está sempre cheia, mas não se abale, a experiência vale a pena. Lá você pode experimentar todos os chás da casa (pois é!), além de uns cafés especiais, e foi assim que eu saí com minha caixinha de chá sabor salted caramel green tea. yummy! Inclusive, você pode comprar uma caixa e encher com todos os sabores do universo, o que é maravilhoso!

E você? Toma um chazinho vez ou outra? O que é que tem na sua xícara?
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