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16 de dez de 2014

De volta à terrinha: Lisboa Dia 1

Mosteiro dos Jerónimos num belo domingo de sol (e frio)

Há tempos devo uma visita a Portugal. E foi assim, meio sem querer, que eu vim parar aqui. Nossa história é longa. E linda. Foi num 11 de setembro de 2006 que eu cheguei aqui pela primeira vez, pra estudar Jornalismo por um ano na Universidade de Coimbra. Eu tinha 20 anos, saía de casa pela primeira vez na vida; saía do país pela primeira vez na vida. Portugal me recebeu muito bem e amo este país como se meu fosse. Ano passado, quando estive na Europa novamente, nem me veio à cabeça dar um pulo aqui. Nesse ano as coisas foram diferentes e só quando eu pisei meus pés em Lisboa é que percebi o quanto fiz mal em estar tanto tempo longe.


Detalhe na arquitetura do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa

Essa mistura de friozinho com sol forte forma o céu mais lindo do mundo todo. Quanto amor por este lugar! Apesar de ter passado tanto tempo aqui anos atrás, a grana era muito curta pra passear, então o que eu conheço se resume a Coimbra. Fui a Lisboa uma única vez e conheci o Parque das Nações e o melhor oceanário do mundo (desculpe lá a sinceridade). Agora vim pra fazer o circuito turistão num esquema relax, se é que você me entende. Reservei 2 dias pra Lisboa e 1 pra Sintra, mas se você estiver planejando vir pra cá numa primeira visita, sugiro 3 dias na capital portuguesa.


Sim, mais Mosteiro dos Jerónimos

Então vamos lá às informações técnicas. Paguei 24 libras na passagem de Londres para Lisboa e outros 26 euros do Porto para Londres outra vez. (Não sabe como eu consigo passagens baratinhas? Aqui o manual do viajante mão de vaca!) Quando cheguei ao aeroporto de Lisboa fui direto ao metro, comprei um cartãozinho por 50 centavos e carreguei 5 viagens que podem ser usadas em todos os meios de transporte daqui. A viagem individual custa 1,40 euro. Hospedei-me no Equity Point Hostel, perto da estação Restauradores. Olha, taí um hostel que eu aprovei e recomendo. Para gente com o preparo físico em dia, no caso, porque é escada e ladeira pra todo lado. Mala grande nem pensar. Paguei 37,40 euros por 4 diárias (incluindo fim de semana, que é quando os preços ficam mais altos) na cama mais confortável que já tive quando se fala de hostel. 


Praça dos Restauradores, em Lisboa: o Hard Rock Café fica aqui!

Cheguei num sábado à tarde e me preparei pra dar um rolé no burburinho da noite. Escolhi o Cais Sodré porque o cara do hostel me indicou uma tal Pink Street pra passear. Eles pintaram o chão de rosa e fecharam a passagem pra carros, é uma rua com vários restaurantes, bares e casas noturnas. Jantei num restaurante chamado Povo: comida honesta, preço honesto, atendimento top! Os garçons são muito gente boa! Comi um bacalhau à braz, tomei vinho e sopa verde e ficou tudo uns 12 euros. Depois fui atrás de uma boate que se chama Viking, pra dançar anos 80. Cheguei lá por volta da meia noite e realmente a música era top, mas tinha ZERO pessoas lá dentro. O moço falou que ninguém chega antes da 1 da manhã e eu acabei voltando pro hostel pois: too old for that shit. Se você estiver no espírito, dê uma olhada na outra boate que o cara do hostel me indicou, chama Jamaica.
 

Bondinhos na Praça da Figueira

No domingo fui cedo pra Praça da Figueira pegar o bondinho pra Belém, o 15E. Apesar da tabela de horários dizer que não leva mais que 20min entre um e outro, a fila foi ficando grande e nada do tal bondinho passar. Até que finalmente uma senhorinha de bom coração chegou lá e gritou "ê pá, se esxtão à esxpera do 15, não há! Tensx que tomar o autocarro 714 (sete-catorze)". Depois que eu traduzi pra gringaiada, fomos nós pro ponto do ônibus, que demorou outra meia hora pra chegar. Afinal, o tal 15 não passava porque fecharam as ruas de Belém pra uma corrida.


Padrão dos Descobrimentos, na beira do Rio Tejo

Meu destino: Mosteiro dos Jerónimos (é, assim mesmo, com acento agudo). Eu gostei? Gostei. Mas ó: nada de esperar grandes coisas. Arquitetura foda e é isso aí. Eles ajeitaram lá uma exposição com fatos históricos, mas eu achei pobre de detalhes, de história, enfim... Acho que 2 horas dá pra ver tudo com calma. No primeiro domingo de cada mês a entrada é gratuita. Saindo do Mosteiro dá pra almoçar / lanchar / jantar no Pastéis de Belém, a famosa pastelaria com os únicos, os inigualáveis os incríveis pastéis de belém que são pessimamente imitados pelo Habib's. Pra aqui serve dizer: de comer rezando. E fora que é barato. Cada pastelzinho custa 1,05 euro e o preço das outras coisas também fica aí nos 2 ou 3 euros, quando muito. Nada de ficar esperando na fila do lado de fora igual a um turista retardado. Passe lindamente pela fila e vá se sentar em um dos salões que eles têm escondidos lá dentro. É enorme e não vi fila pra sentar nenhuma vez.
 

Pastéis de Belém, os originais

De barriguinha cheia, vá andando até o Padrão dos Descobrimentos, o famoso monumento na beira do Tejo em homenagem aos... navegadores que saíram descobrindo novas terras por aí. Parece uma bobagem, mas é legal tirar umas fotos lá. Especialmente com aquela luz top do pôr do sol. Depois é só continuar andando até a Torre de Belém, outro marco da cidade. Não entrei porque não vi vantagem, mas se você foi me conta aí nos comentário se é super legal e vale a pena? Grata.
 

Torre de Belém sendo lindona durante um pôr do sol de cair o queixo!

Voltar pro hostel foi meio tenso porque ônibus e bondinho estavam lotados como o quê e foi uma daquelas aventuras que qualquer pessoa que já pegou condução no Brasil vai achar facim, facim. Inclusive, não seja um turista otário: vi um monte de gente subindo no bondinho sem marcar o bilhete na máquina, mas ó, se te pegam, a multinha é de 140 euros. Ai! Favor não me passarem vergonha por aí.

Logo, logo, por aqui: Lisboa - Dia 2

4 de dez de 2014

Uma noite nos anos 80, lá na Roller Disco



Tempos atrás fui na coisa mais divertida que essa Londres já me proporcionou na vida: Roller Disco. Achava que essas coisas nem existiam no mundo real, afinal a única vez que eu vi isso antes foi em algum filme dos anos 80 na Sessão da Tarde. Mas que grata surpresa foi ver esse lugar num desses sites de compra coletiva aqui da Inglaterra! Salvei a parada nos favoritos e fiquei aguardando aqueeeeela companhia perfeita porque esse não é o tipo de programa que qualquer pessoa aprecia.

Como funciona? Você compra seu ingresso, que varia de £10 a £15, pega seu patins e se joga na pista. Vale dançar, patinar, chacoalhar o cabelo, se estabacar no chão, enfim. Só não pode ficar parado na pista, senão o moço lindo te pede pra sair.

Alba dando um dos seus super spins!

Pelo que entendi, o som dá uma mudada dentre os dias da semana, mas no dia em que eu fui tocou muito funk anos 70, pop dos 80 e 90 e uma ou outra atual pra galera xóvem não ir embora. Eu simplesmente amei!


Patinando e dançando, patinando e gingando

A Alba, minha amiga catalã, é patinadora profissional lá em Malgrat de Mar e topou na hora esse aventura! A Dany também curtiu a ideia e a gente passou boas horas lá dentro. Não sabe patinar? Faz mal não. Nem você nem 80% do resto da galera que tá lá sabe. Eles mantêm uns instrutores pra te ajudar e também alguns patinadores profissionais na pista pra agitar a galera e fazer a gente ficar com muita inveja de não saber fazer igual. Eu cheguei lá achando que fosse ahazar por razões de: era a melhor patinadora do meu prédio lá nos idos da década de 90. Mas ó, patinar com o in-line e com o tradicional tem uma diferença gigantesca. Então se você também arrebentava no in-line, chega pianinho, bem sussa, pra não passar vergonha. haha

Olha aí a Dany e a Alba atrás de mim no esquema patinando e tirando foto: só não pode ficar parado!

Depois de uma meia horinha de treino você já não fica com tanto medo de arriscar uns passinhos, puxar um trenzinho e tal. Cair faz parte, até a Alba caiu. A Dany caiu. Mas eu resisti em pé, bravamente! Clap, clap, clap!!! Eu não sou boa, não. Só dei sorte. hehehe


Se cansar, tem sofá praquela pausa da restauração

O Roller Disco fica em Vauxhaull, a 5 minutinhos da estação. O mapa pra chegar lá tá aqui. Cada dia tem um preço, então não deixa de conferir antes, ok? Se você não é a Lu Patinadora, aconselho a ir na quinta-feira que, além de mais barato, é o dia mais ~vazio~ e dá pra você se divertir sem ficar batendo nas pessoas (ou vendo elas toparem com você). Agora, aumenta o som, DJ, que vai rolar vídeo da treta aqui!

26 de out de 2014

Festival da Jane Austen em Bath - EU FUI!

Royal Crescent

Bath é uma cidade encantadora e cheia de ruelas maravilhosas que sempre te fazem pensar why the hell você demorou tanto pra visitá-la. Mas sei lá, a Inglaterra é cheia de lugares como esse. Tipo Cambridge. Eu já tinha ido a Bath ano passado pra um bate-e-volta, mas nesse ano minha visita tinha um motivo todo especial: o Festival da Jane Austen. Pra quem não sabe, AMO/SOU essa escritora foda que já criticava o sistema lá no fim dos anos 1790, sendo feminista à maneira dela e tal. Top. Tem até um post só pra ela nesse blog, pois: acho digno.

Pulteney Bridge

Pois bem, o tal festival dura uma imensidão de dias (2 semanas, pra ser mais exata) e tem diversas atividades. Muitas mesmo. Algumas que me lembro agora: café da manhã no parque, workshop de dança, palestras, leitura de livro, curso de harpa (!!!), promenade a caráter e baile de máscaras. O foda é que cada uma dessas coisas é paga, então não sai muito barato brincar de ser a Liz Bennett ali. Uma alemã que estava no meu quarto do hostel, por exemplo, economizou grana por um ano inteiro pra poder participar de tudo, inclusive costurou suas próprias roupitchas pra ser linda em Bath. Suspiros.


A holandesa, à esquerda, e a alemã, no meio, costuraram suas roupas pro festival

Como eu já sabia que a cidade estaria lotada durante o festival, reservei minha cama uns 4 meses antes, o que foi uma decisão acertada. Fiz o mesmo com as passagens. Então vamos lá ao custo: £ 11 pelas passagens e £42 pra dois dias no hostel. Achei caro, porém era fim de semana especial, então OK. O hostel que escolhi foi o St. Christopher's Inn, que é infinitamente melhor do que o de Londres. A começar pelo staff, que é incrível, realmente prontos pra te ajudar a qualquer hora do dia ou da noite. O quarto estava limpo, as camas impecáveis e o café da manhã, apesar de simples, é bem gostoso.



Ruela perdida em Bath

A viagem de ônibus normalmente leva 2 horas e meia, mas gastei uma hora a mais só de congestionamento. Todo mundo indo pra Bath, uma cidade cujas ruas foram feitas pra passar carruagens. Imagine o caos. Depois que cheguei fui dar um rolé pela cidade e fui parar finalmente no Royal Crescent, um conjunto de casas georgianas que formam um C em frente a um lindo parque verde. O número 1 é uma casa museu e você pode ver como é a estrutura e o funcionamento de uma construção antiga assim, além de conhecer um pouco mais da história inglesa. O ingresso custa £8,50 e o passeio leva cerca de duas horas. Não, não pode tirar foto lá dentro (nunca entenderei).


Jardim do Royal Crescent

Na volta pro centro, passei pelo Jane Austen Centre, que é parada obrigatória para os amantes da escritora. Como eu já havia feito o passeio antes, só dei um rolé na loja de souvenir e peguei um folder com a programação do festival. Quando vi lá um workshop de dança que começava dali 10 minutos, saí correndo. Paguei £10 e me enfiei no salão. No começo o pessoal fica meio acanhado, ninguém faz ideia de como dançar, tudo é meio diferente. Nas primeiras danças fiquei só tirando foto e fazendo vídeos, mas depois não me aguentei e fui lá aprender a dançar e descobri que eu arraso nos passinhos da aristocracia. Sou praticamente uma Lizzy Bennett.


Galera vestida a caráter pro workshop de dança

Dançarinas do workshop arrasando no figurino

À noite comprei umas bobagens no supermercado pra cozinhar no hostel mesmo - leia-se: comida congelada pra enfiar no micro-ondas. E o lugar de comer no hostel é numa salinha que chama Chill Out Room. Galera se esparrama lá, tem uma geladeira, uma TV grandona, uns jogos de tabuleiro e tal. Quando cheguei já tava cheio, mas ainda assim encontrei um cantinho pra comer numa boa, observando a galera e julgando, pois essa é uma necessidade de vida, amigos. Olha, um povo já com a cara barbada brincando de drinking games. Mas vai me dando uma vergonha alheia tão grande que nem sei relatar. Acho que estou ficando velha demais pra esse negócio de hostel. Pode fazer barulho, acender a luz na minha cara, mas né? Limites. Muita preguiça.


Pessoal se preparando pro Promenade no Parade Gardens

O domingo amanheceu meio morto e a alemã me convidou pra ir pra Bristol, também conhecida como a primeira cidade da Inglaterra que pensei em ir pra estudar inglês. Tudo sobre esse dia eu conto em outro post, porque as fotos valem o seu link. hehehe


Lateral da Bath Abbey

Todo mundo se anima pra tirar foto com essa galera vestidinha

Na segunda-feira, meu último dia de Bath, resolvi fazer o que curto mais: não ter planos. Sentei em frente à Bath Abbey, experimentei um tradicional cornish pasty e odiei. Desculpaê, é bem ruim. Depois tomei um sorvete delícia e parei numa casinha de fudge pra descobrir o que é esse doce, cujo nome uso pra disfarçar o FUCK que falo perto de crianças. Pois bem, entrei na loja, encostei num rapazinho, pedi pra ele me explicar que diabos era o tal do fudge. Ele faz lá toda uma explicação do tal doce, que vai chocolate e blá blá blá e no fim me oferece um pedaço pra experimentar. Hummmm mordo a metade. "Wow, it's quite sweet". Ele balança a cabeça. Quando termino de mastigar, peço pra jogar a outra metade fora, pois "OMG, it's TOO sweet". Blé. Ele ri. Capaz que nunca viu uma mulher recusar um doce muito doce na vida.


Bath Abbey vista de fora

No dia em que cheguei a Bath, vi um cara loiro e cabeludo tocando um violão clássico na rua. A música era maravilhosa, suave, melódica e tal. Só que ele me perseguia. Aonde quer que eu estava, lá estava o cara loiro, de pé no chão, com uma havaiana recostada num canto, tocando a MESMA música. Doze horas depois, vou pra outro lugar dar uma sentadinha pra descansar e lá está o diabo da música novamente. Mas como é que pode o cara só ter uma única música no repertório, gente?



Bath Abbey por dentro

A volta pra Londres foi tranquila e já estou de olho na newsletter do Jane Austen Centre pra saber tudo sobre o festival do ano que vem. E o plus pra quem teve paciência de ler até o fim é o vídeo que contém cenas chocantes minhas dançando as coreografias de um baile regencial.


20 de out de 2014

Interrompemos nossa programação...


Acho que aqui todo mundo sabe que sou a louca da Inglaterra e que amo a cultura, os passeios e as viagens que esse lugar proporciona a quem se arrisca a visitá-lo. Mas acho que é importante dar um choque de realidade a quem, assim como eu, já pensou em fazer desta a sua terra de oportunidades.

Eu no Brasil sou funcionária pública da ralé. Ganho o suficiente pra não morrer de fome e faço um trabalho burocrático e chato, mas que me permite pegar umas férias compridas pra gastar na Inglaterra, por exemplo. Então sim, tenho minhas regalias, embora não seja completamente feliz morando em Goiânia. Estou aí sempre nesse dilema: continuo minha vida pacata e segura ou abro mão de tudo pra tentar algo mais emocionante mundo afora? Pra ficar no meio do caminho, comecei a cogitar a fazer um mestrado de um ano na Inglaterra e como uma das exigências do curso é um diploma de inglês avançado, cá estou eu, gastando umas libras estudando pra esse bendito exame. Mas olha, o que tenho visto não me deixou muito animada, confesso.




Ano passado, quando estive aqui por dois meses, tinha uma boa grana economizada durante anos pra gastar, então fiquei na melhor casa, fiz o melhor curso de inglês e viajei tanto quanto meu ânimo me permitiu - o que foi bastante. Desta vez, com grana curtíssima e pagando quase 5 dilmas numa úúúúúnica libra, muita coisa mudou. Primeiro, a acomodação. Gastei minha primeira semana em Londres buscando um quarto pra alugar numa casa compartilhada. Até agora foi a pior coisa pela qual passei desde que cheguei. Achar um quarto decente pra morar nessa cidade com pouco dinheiro é missão só para os campeões. Eu passava a manhã inteira olhando tudo quanto era anúncio na internet e marcando pelo telefone horários para ver as casas durante a tarde.

"Nossa, Marla, que fácil issaê", você vai me dizer. Problema número 1: você liga, marca pra ver o imóvel e 2 horas depois o cara te liga pra avisar que já alugou o lugar. Isso quando liga. Problema número 2: o anúncio diz 400 libras por mês, com contas inclusas. Você chega lá e descobre que tem que pagar outras 100 libras de taxas e mais umas 80 ou 100 libras extras para cobrir as "contas inclusas". Problema número 3: o anúncio diz que é quarto de solteiro. Quando você chega, descobre que tem outas 3 ou 4 pessoas dividindo esse mesmo quarto. Problema número 4: não é uma casa, é um cortiço sujo e fedorento. Problema número 5: o quarto é perfeito e impecável, o preço é excelente, a casa fica num ótimo lugar, porém o landlord é louco de pedra e quer regular sua vida. Tudo isso fora todo o dinheiro que você vai gastar batendo perna nessa Londres, cujo único bilhete de transporte público custa mais que duas refeições diárias. Ou seja: é preciso coragem.




Por fim, dei muita sorte de achar essa casa onde estou, que é na zona 3 de Londres (nem tão perto, porém nem tão longe), de uma família simpática (embora com crianças barulhentas), com housemates bacanas (mentira, que só gosto da portuguesa - a australiana nunca limpa nada) e preço camarada. Pra você ver que existe amor em Londres, te conto que pago 380 libras por mês, com contas inclusas. Possível é, só que incrivelmente exaustivo também. Sorte aí pra você, se essa for sua empreitada.

Tenho conversado muito com uma galera que largou tudo no seu país para poder vir trabalhar em Londres e vou te dizer que não tem sido muito animador. Existem sim os casos da galera que ajeitou um trabalho bacana por aqui e ganha mais do que precisa pra sobreviver, porém acho importante pontuar que isso é basicamente exceção na Inglaterra. Inclusive, saiu um estudo (alguém tem o link?) mostrando que os jovens londrinos estão ficando cada vez mais deprimidos por perceberem que jamais terão dinheiro pra comprar sua própria casa e ter qualidade de vida. O pessoal que trabalha como vendedor em loja de shopping, por exemplo, passa 9 horas no trabalho (com 1 hora de intervalo) e tem 2 folgas loucas por semana, que nem sempre são juntas e jamais em dias fixos. Férias é só pra quem tem a sorte de ter bons contratos. Décimo terceiro, até onde sei, não existe. Toda vez que pergunto, o povo nem faz ideia do que tô falando. O salário, em média (vamos realçar o em média, tá?), fica em torno das mil e poucas libras. Daí você tira aí uns 500 paus de aluguel (no mínimo), outros 150 de transporte e uns 250 de comida e me conta quanto sobrou. Resumindo, nêgo trabalha pra morrer, passa 12 horas do seu dia em prol do serviço, não tem tempo nem ânimo pra se divertir, e muito menos um troco sobrando pra tomar um café (todo mundo reclama do preço do café aqui).




Além disso, como a concorrência nessa cidade é desesperadora, as pessoas tendem a se fechar pra se tornarem menos vulneráveis - o que deixa todo mundo (e não só os ingleses) muito sisudo, lutando aí no sistema cada um por si. Então é por essa razão que o pessoal da mesma nacionalidade acaba se unindo mais. O fato de terem a mesma cultura acaba sendo acalentador pras pessoas. Tenho visto muito disso aqui. Inclusive só me sinto protegida entre os brasileiros que se tornaram meus amigos e com a portuguesa que tem um quarto na frente do meu aqui em casa. Essas são as únicas que sei que posso contar. E não tô falando de me emprestar dinheiro ou coisas do tipo. Posso contar no nível "se eu sumir, alguém vai notar minha falta", ou "se eu passar mal, tenho alguém pra me levar no médico". Não é grana, é disposição e interesse.

É fato que o jeitinho brasileiro me irrita, mas a intransigência dos ingleses já tiraram muitos dos meus amigos do sério por aqui. Vou tomar o exemplo de uma amiga, que pediu um visto pra viajar no dia 6. Eles só entregaram o visto e o passaporte no dia 7. Como ela não poderia comprar outra passagem, acabou ficando no Brasil. Alguns meses depois, quando conseguiu ir pra Inglaterra, teve seu processo de cidadania adiado porque ela não embarcou imediatamente após a concessão do visto (que chegou atrasado). Segundo o governo britânico, ela tinha que ter se virado pra vir pra cá logo após receber o passaporte de volta. Quédizê. Asefudê, né? Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

E pra finalizar a conversa, o que ouvi de todos eles: Londres é maravilhosa pra quem tem dinheiro. É possível viver com pouca grana? Sim. É possível se divertir com pouca grana? Sim. É maravilhoso ser turista na Inglaterra? Sem dúvidas. Mas viver aqui é só pra quem tem estômago de rei, já dizia dona Elizabeth I, primeira rainha casca-grossa deste país.

Se você largou tudo pra se aventurar nesse país geladinho, conta aí pra gente nos comentários e ajude a traçar um retrato mais fiel da realidade para aqueles que têm pensado na possibilidade de fazer o mesmo. Sempre bom trocar experiências.

12 de out de 2014

Curtinhas [3]

Sendo luxuosa no meio da chuva

Verdade seja dita: enquanto não acabarem minhas aulas e eu fizer o diabo dessa prova do CAE, não terei tempo de fazer um post decente pro blog, então vai aí mais uma de Curtinhas só pra não deixar algumas coisas passarem em branco.

A primeira delas é que confesso ser uma contraventora virtual: eu baixo filmes e seriados via torrent. E aí começou temporada nova de Grey's Anatomy e eu toda excitadinha pra ver a dona Meredith Grey, entrei no site de Torrentz e... BAM! Site proibido pelo governo inglês. Ahhh, vamos dar a volta então. Entro no Kickass. No piratebay. No raio que o parta. N.A.D.A. Olha, esse país é tão modernete, que até pra ser do mal aqui tem que ser conhecedor da deep web. Não me dei por vencida e pedi ajuda dos amigos hackers. Tentei umas manhas e também não obtive êxito. Por fim fiquei com medo da Scotland Yard bater aqui na porta de casa e deixei isso pra lá.


Natural History Museum

Mais tarde um amigo me sugeriu usar o Popcorn, um programinha que usa o torrent pra ver os seriados sem precisar baixar, tudo online. Deu certo no começo e fiquei toda animadinha porque tem muita coisa boa, mas depois de uns 10 dias o programa foi barrado pelo governo inglês de novo. Olha, estão me vigiando. E de perto. Tá foda. Então se eu for deportada, vocês já sabem que foi por uma boa causa. hehehe

Minha única opção aqui (pelo menos até agora, se você tiver sugestões, favor deixar nos comentários, obrigada) é assistir o Netflix, que é diferente do Netflix Brasil. Tem uns seriados da BBC, uns filmes que não tem no nosso, enfim. E aí você aproveita e treina o inglês porque né? Legenda mandou beijos. Não tem e ponto final. "Nossa, mas nem legenda em inglês pra ajudar no sotaque filhadaputa de Yorkshire?" Não. Tem não. Se vira aí, mano. Atualmentevendo Grimm, Life on Mars e Orphan Black (que putaquepariu, como é bom!!!). Também aceito sugestões de seriados pra ver. Alguém tem?

Conheci umas blogueiras brasileiras que estão fazendo desta experiência em Londres uma coisa ainda mais linda. Uma das coisas maravilhosas dessa temporada é nosso grupinho no whatsapp, exclusivo pra mandar prints do Tinder London. Queria aproveitar esse momento para agradecer a Deus a bênção que é ter internet e tals. Nunca mais terei depressão enquanto houver Tinder e meninas para mandar prints das coisas que rolam ali. Você que acha que o Tinder Brasil tá puxado, vou te bater uma real: é verdade, mas não fica pensando que o Tinder around the world tá muito melhor não. Já temos experiências com o Tinder UK, o Tinder Espanha e o Tinder França e ó: tá mais fácil virar lésbica. Bêj.


Museu dos dinossaurinhos fofos

Hoje foi um dia esquisito. Acordei nesse domingão de meu deus e não tinha muito o que fazer com tanta chuva caindo nessa cidade. Fiquei entediada e resolvi curtir tédio em museu, porque aí pelo menos seria num lugar bonito (MIM julguem). Fui pro Natural History Museum, essa maravilha de arquitetura. Passei a tarde no whatsapp e no skype enquanto via tanta gente carregando criançada pra lá e pra cá e queria só dividir com vocês que tenho muito respeito por quem decide ter filhos nesse mundo. Espero que façam um bom trabalho porque a cada dia que passa tenho menos vontade de me unir a vocês.

Enfim... depois que fui expulsa do museu, saí à procura de um café pra continuar curtindo tédio em um lugar bonito. Fui parar no Café Vienna, entre as estações de South Kensington e Knightsbridge. Peguei meu livrinho e segui na leitura acompanhada de um bom chocolate quente. O livro: Orgulho e Preconceito e Zumbis, que a Did me emprestou. Pois bem, julgo caráter de ingleses que não sabem quem é Jane Austen porque né? Também julgo caráter de brasileiro que não sabe quem é Machado de Assis. É só um equivalente. Daí a garçonete teve coragem de interromper minha leitura (sim, pra um inglês é preciso muita coragem pra fazer isso) pra perguntar se o livro valia a leitura porque ela é fã de Jane Austen mas ficou com um pé atrás de estragarem um livro que ela ama. Vocês acham que ela ganhou uma gorjeta gorda, sim ou claro?


Arquitetura foda

Depois fui bater perna na rua, a calçada ficou estreita e o cara me deu passagem. Mandei um thank you e ele: "My pleasure". Olha, eu sei que é só uma resposta padrão e tal, não vamos nos alongar muito nisso aí, mas toda vez que ouço um "My pleasure", fico gamadinha e quero casar com o cara. Me julguem. Educação abre portas. E pernas.

Por fim, me enfiei no metrô correndo pra chegar em casa a tempo de assistir Downton Abbey e desconfio que tinha um comediante famoso no trem porque um cara ficou todo animadinho perguntando se podia contar uma piada pra ele. Sei que ele contou lá uma piada sem graça, o comediante quase perdeu a estação porque queria saber o final e depois disso o contador de piadas instigou os passageiros a contarem piadas também. Assim mesmo, sem mais nem menos. Pensei que ele fosse ser friamente ignorado, mas uma senhorinha puxou uma piada e depois outras 3 pessoas também contaram suas anedotas. Olha, posso viver 100 anos nessa cidade, ela sempre vai me surpreender.

23 de set de 2014

Curtinhas [2]

Minha casa fica no bairro de Leyton, no leste londrino, lugar recuperado pelas Olimpíadas de 2012

Enquanto não arrumo coragem pra fazer o post sobre minha última visita a Bath, vai aí outro post de Curtinhas. Vocês gostam? Se sim, siga. Se não, passa amanhã! :)

Já falei que a casa onde estou ficando é de uma família paquistanesa, né? Pois é, todo britânico elogia meu inglês, mas eles não entendem uma palavra do que eu digo. Então empatou, porque eu custo a entender o que eles falam. A língua deles é o urdu e parece que tudo que eles falam em inglês soa como urrdu urrrdu urdu urrdu (com o R sendo pronunciado igual ao que os portugueses fazem).

Quando eles falam entre si, nunca sei se é em urdu ou em inglês. Já saquei que às vezes eles misturam os dois. E tem também duas crianças, uma de 5 e outra de 8, que o que falam é praticamente incompreensível. Tudo o que entendo é "mamaaaaa, mamAAAaa", que é algo repetido cerca de 384 vezes por dia. (minha sanidade AINDA está em dia, obrigada)


Tem ônibus na avenida principal e metrô logo ali na frente, é o mutirão do Iris fazendo mais por você! (Goianos entenderão)

A dona da casa não fazia a menor ideia de que no Brasil se falava português. Quando ela me pegou lendo um documento em português ficou toda abismada. Ficou impressionada em saber que Portugal havia colonizado alguém na vida, porque né? Até eu ficaria. ryzos, ryzos. Mas aí empatou de novo, porque sei absolutamente nada sobre o Paquistão. Desconfio, inclusive, que posso não saber apontar onde fica o diabo do país no mapa.

Essa tal família mora no subsolo e em parte do térreo (dividimos a cozinha). Eu e mais duas meninas, que desconfio serem portuguesa e australiana, moramos no 1º andar, em quartos separados. Tudo o queconsegui arrancar delas foi um "Good morning, how are you doing?". Hoje mesmo estava eu tomando café da manhã na cozinha, quando uma delas chegou (não, não sei quem é quem porque né? nunca me deram chance de me apresentar etc) pra pegar algo na geladeira e tentou se manter incógnita BEM NA MINHA FRENTE. Cumprimentei, claro, desejei um bom dia etc. Mas gente, que povo esquisito! E eu aqui, toda alegrinha, achando que a gente ia assar um pão australiano juntas e depois cozinhar um vacalhau com binho, ora pois. Sei de nada, inocente!


Sou xonadinha nesses telhados iguais aos do filme da Mary Poppins

Falar em gente esquisita, antes de me arranjar aqui em Leyton, tinha ido ver uma casa em Surrey Quays. Bati à porta e me aparece um italiano (sim, eu sempre sei quando são italianos porque... bem, eles são lindos). Me apresento, digo que vim ver o quarto pra alugar. Ele fica me olhando com cara de pasmo, tenta esboçar alguma coisa, mas faz sinal com as mãos pra eu esperar. Ele grita algo em italiano lá dentro e logo vem a agente, também italiana, me receber. E eu rindo, porque não sou obrigada. Daí papo vai, papo vem, caímos no "ah, você é brasileira, eu sou italiana e blá blá blá". Daí não resisti e perguntei por que diabos os italianos não conseguem falar em inglês por nada nesse mundo.

Depois de ela me dizer que levou 3 anos pra aprender (TRÊS ANOS!!) a falar como ela falava agora, revelou: "você já viu um italiano andando sozinho?". Balanço a cabeça negativamente. "Pois é", me disse ela. "Eles andam em bandos, nunca praticam inglês, estão sempre falando em italiano e não aprendem mesmo". Daí pensei no equivalente em brasileiros e fiquei muito, muito feliz de ter fugido de brasileiros na escola no ano passado. Este ano manterei a mesma postura, porque é receita de sucesso.


Gents, Leyton tem até seu próprio parque. Top demais! ryzos

Fugindo um pouco das nacionalidades. Dia desses fui pagar uma coisa qualquer com moedas e a moça pediu pra checar o valor. Fiquei assim, olhando pra cara dela como quem diz "mas o que foi nesse inglês que eu não entendi?". Depois fui pagar outra coisa em outro lugar e a atendente fez o mesmo, pediu pra contar as moedas que eu havia entregado. Gentemmmmmmm, eles acham falta de educação não confiar no valor que você entregou pra eles. Agora, pra evitar o constrangimento deles, eu entrego as moedas e digo "você pode checar, por favor?". E essa sou eu, facilitando a vida dos britânicos. Sou ou não sou uma fofa? rs

Última moda em Londres é passar sombra na parte de baixo dos olhos. Isso mesmo, mas não é degradée, esfumaçado, nada disso. É tipo passa amarelo embaixo e azul em cima. Olha, espero muito que essa moda não seja exportada pro Brasil, porque santo deus de misericórdia, é feio demais!

19 de set de 2014

Primeiras impressões



Esta não é minha primeira vez em Londres, mas algumas coisas podem ter passado batido na minha última visita. Desta vez estou me policiando para anotar as coisas que vejo, assim não esqueço tão facilmente. A primeira delas, claro, tinha que ser em relação à ~frieza~ dos ingleses. Sempre achei isso uma balela, mas acabei vivendo uma situação que explica bem porque não concordo com nada disso.

Comprei minha saladinha no Prêt-a-Manger e não tinha lugar pra sentar. Pedi pra sentar na mesa onde estava uma senhora, que muito educadamente consentiu. Como ela puxou papo? Sim, falando do lindo dia ensolarado que estávamos vivenciando (sim, ingleses só sabem puxar papo falando do tempo). Conversa vai, conversa vem, ela me contou de alguns lugares que já tinha conhecido (alguns na América do Sul) e perguntou o que eu estava fazendo. Ao saber que estava à procura de um quarto para alugar, ela pensou um pouco, lembrou de uma amiga, pediu meu telefone e anotou o dela em um papel.

Disse que falaria com a amiga pra ver se ela ainda tinha um quarto disponível e deixou bem claro que ME ligaria à noite se houvesse resposta afirmativa. Nada de "me liga, vamos marcar um café". Nada de "me liga se precisar de alguma coisa". Pra brasileiro, isso é um tapa na cara. Pra mim, é ótimo. Gosto desse negócio de conhecer alguém, aproveitar aquele momento e fim. Essa coisa de cultivar amizade dá muito trabalho. Vivamos o momento e chega dessa necessidade de colecionar amigos no Facebook e Whatsapp. (by the way, não, ela não me ligou)


Um dia de sol em Londres

Mais tarde, depois de sair da 5ª visita inútil na campanha "Minha casa, minha vida - UK Version", sento na calçada pra conferir o endereço da próxima visita. Um garotinho perto dos seus 6 anos passa por mim, olha e volta, me dando um belo de um "hi, how are you?". Minha vontade: esmagá-lo num abraço fofucho. Minha reação: "hiiii! fine, and you?". FINE! BYE! Porque é assim que crianças são. E vocês aí, falando que ingleses são frios e nada amáveis. Shame on you.

Outra coisa que sempre fico devendo são fotos dos diferentes estilos londrinos. Queria eu poder tirar uma foto de cada cabelo foda que vejo por aqui. As negras arrebentam nesse negócio de ser original. Putz, como elas são lindas e estilosas! Mas como elas são (também) meio bravas, acho melhor não me arriscar a tirar uma foto sem permissão e levar uns tabefes. 


Galera lagarteando no jardim da Westminster Abbey

Aqui também tem muitos, muuuuuuuuitos muçulmanos (o bairro que moro agora, em Leyton, é um deles), chega a ser impressionante. Por todo lugar que você passa tem comida halal (contrário de haram - alô, galera que assistiu a Jade na Globo!), que nada mais é que uma comida sem indícios de carne de porco (comê-la é pecado para os muçulmanos - mas gente, como é que comer bacon pode ser pecado????). Inclusive, tive que comprar panelas e louças pra poder cozinhar na casa que aluguei, que é de uma família paquistanesa muçulmana. Sim, eu preferiria morar na casa de uma típica família inglesa, mas hoje em dia ISSO é uma família tipicamente inglesa. Engraçado, né?

Outra coisa engraçada também é que como a mistura de culturas aqui em Londres é gigantesca, eu nunca sei se meu inglês é que está muito ruim ou se eles apenas estão falando outra língua mesmo. Sim, acontece todo dia. Seja no metrô, no ônibus, ou na rua mesmo, o que mais se ouve é o NÃO-inglês. Olha, já tentei decifrar algumas coisas, mas só reconheço as línguas latinas, sendo que o que mais ouço vêm do leste europeu, logo...

17 de set de 2014

Curtinhas

Estação de South Kensington

Você sabe que não tem inglês no hostel em que está hospedado quando: precisa subir 4 andares de escada com uma mala de 25kg e ninguém se oferece pra ajudar.

Em compensação, eu mal tinha saído do trem quando um rapaz se ofereceu pra levar minha mala escada acima pra sair da estação de Leyton. E não era assanhamento, porque ele estava acompanhado da namorada. Rá!

Compensando para o mal, um motorista se achou no direito de vir andando devagarinho na rua pra mexer comigo, dizendo que estava "elogiando meu batom vermelho". Levou uma bela de uma resposta e uma buzinada do carro de trás.


"Praça" do Royal Albert Hall

Achar quarto para alugar nessa cidade é uma missão para poucos. Os anúncios na internet dão um preço e quando você chega na casa pra olhar, o preço é outro - assim como as condições da casa descritas no anúncio. Diz que é single room, quando é roomshare. Diz que custa 100 libras/mês, quando custa 150. Diz que tem 3 quartos, mas há 10 pessoas morando na casa. Coisa de campeão achar um lugar morável aqui. (Sim, sou campeã!)


Royal Albert Hall, o próprio

Me aventurei na fila de 2 horas para comprar um ingresso pro BBC Proms a 5 libras e consegui. Paguei 5 libras pra ver o concerto de pé, com velhinhos excêntricos tentando causar uma boa impressão numa garota alemã que nada entendia e gente aplaudindo por 7 minutos seguidos a cada ato. Valeu só pra tirar o Royal Albert Hall da minha lista de must-see, mas ó, te dizer que em Goiânia assisto concertos toda terça-feira, de graça e sentadinha, no Teatro Sesi. Bêj!


De dentro do Royal Albert Hall, as galerias onde ficam os mortais

Além disso, como não tinha nenhum aviso em nenhum lugar (sim, eu chequei), resolvi fazer um mini vídeo de parte do concerto. Um velhinho me deu o toque pra desligar a câmera e assim o fiz. Depois, no intervalo, um segurança veio me dizer que eu não podia usar a câmera (que eu já não estava usando). E um outro cara que estava atrás de mim mandou um "she wasn't causing any harm" e fiquei com medo de olhar pra trás e me apaixonar, pois: sou dessas. hahaha

8 de set de 2014

Londres, o retorno. Day #1

As costas do Big Ben tem isso

O voo, como sempre, me trouxe como uma pluma até Londres. Quando depois de 11 horas avistei as primeiras casinhas de Londres, meu coração palpitou, pois é assim que ele funciona. Os telhados pontiagudos me fizeram cantarolar um chim-chimney e, fosse noite, certeza que eu cantaria um step in time. Tá entendendo nada do que tô falando? Aqui, ó.


Telhadinhos pontiagudos!

Passada a primeira emoção do dia, me apeguei à próxima, que foi perceber que Londres abriu um solzão pra me receber, porque ela sabe... Ensolarada, não há cidade no mundo mais bela... E o sol firmou o resto do dia, impressionantemente. E este dia, meu primeiro dia, foi a única vez na vida que senti calor nesta cidade e... não curti muito não. Pode ter sol, dona Londres. Mas dá uma esfriadinha, vai. 




Tudo isso, claro, só consegui ver porque o moço indiano da imigração resolver "quebrar meu galho" (anram, foi mais ou menos assim que ele disse) depois de implicar com absolutamente tudo o que eu disse. Primeiro queria saber como eu ficaria tanto tempo fora do trabalho, depois quanto de dinheiro estava levando, me fez contar as notas pra ele (!!!) e ficou questionando como eu vim ano passado pra estudar se o visto que eu tinha não me dava esse direito. Olha, foi apenas o inferno, nível fiquei nervosa, tremi umas bases lá. Achei que eu fosse visitar uma salinha especial. Vinte minutos depois ele resolveu quebrar meu galho e me deixar entrar. Aff.


Hammersmith

Felizmente a estação Hammersmith tem elevador e eu não precisei morrer carregando a mala. Em compensação, me puseram no 4º andar do hostel que não tem elevador. Olha, já odiei esse hostel com todas as minhas forças. Parece todo bonitinho, mas até agora as tomadas não funcionam, muito menos os lockers. E nem pensar em incomodar alguém do staff, porque elas ficam no pub e vez ou outra fazem ~o favor~ de te atender alguém do hostel. Vou sobreviver. Vou.




Assim que cheguei, fui atrás de loja de telefone, pois dessa vez não fico sem internet no celular nem que a vaca tussa. Comprei um samsung acer com chip da Three por 80 libras e vou sobreviver dessa facada. Internet é apenas maravilhosa e ilimitada. Parece quesempre ligado no wifi de tão rápido. Toma essa na sua cara, operadoras brasileiras. Saindo da Three, almocei uma sopa do dia no Prêt-a-Manger, pois sou uma pessoa óbvia e acho tudo de lá uma delícia. Me julguem.


Porque todos os fish and chips são o melhor do mudno

Fui então bater perna no centro, porque seria muita ofensa a Londres não sair por aí a apreciando depois do sol que ela jogou na minha cara. Lá pelas tantas, quase cozinhando debaixo dessa lua, fui ao Tesco Express comprar uma água que custava 78 cents. Só que eu tinha 74 cents. "Vai querer, moça?". Era isso ou uma nota de 50. E ela ficou lá com 4 centavos a menos numa tranquilidade de deixar qualquer caixa do Walmart / Carrefour / Extra no chinelo. Saudades tb, Tesco.


Trafalgar Square

Te dizer que tô acostumada a andar em Londres, mas igual ao que fiz hoje, tá pra entrar pra história. Fiz um caminho alternativo, passando por trás (e não pela frente) das grandes atrações - coisa que eu nunca sequer pensei em fazer... Foi ótimo! Mas fiquei acabada, destroçada, detonada, etc. Como ponto de chegada defini encarar a subida até a Russell Square e matar a saudade dos tempos de St. Giles. Com tanto cansaço, deitei na grama, como outras 200 pessoas que lá estavam e peguei no sono bonito. Sorte que quando acordei, meu travesseiro (vulgo mochila com toda minha vida) ainda estava lá! Ufa!

Obrigada, China Town!

Really strange...

Bom, agora acabou palhaçada, que eu preciso achar um lugar urgente pra ficar nessa Londres de meu deus. Turismo agora só no fim de semana! Torçam pra eu achar uma casa sem gente louca!

Saudades, Russell Square! Beijos!

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