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28 de out de 2013

Minas é bão demais, uai!

Estrada de ferro que liga Ouro Preto a Mariana

SPOILER: Esse post não é sobre Londres. Ouvi um aleluia?? Amém!

Dia 24 de outubro é aniversário de Goiânia. E deu numa quinta-feira. Como sou funcionária pública, logo emendaram tudo (incluindo o 28, que é dia do servidor público) e me vi com 5 dias de folga. Resultado? Inventei uma mini roadtrip pras Minasssss Geraissssss, sô!

Passo 1: pedir o carro da mãe emprestado. O meu é bom, gente. O seu também. Mas olha, pra dirigir 2.220km um Nissan faz toda a diferença. E olha que ela só tem um Versa, que é a linha baratchinha da Nissan. Quando você for trocar de carro, dê uma passada por lá, viu? #ficaadica

Passo 2: convencer algum doido de última hora a ir com você. Roadtrip não foi feita pra ir sozinho, gente. Se ficar cansado, tem que ter alguém pra revezar no volante com você, entre outros milhares de imprevistos que podem ocorrer.

Passo 3: definir roteiro. Fechei em Ouro Preto, Mariana, São João del Rei e Tiradentes.

Passo 4: fechar hotel antes de pegar a estrada. Eu não fiz isso pela primeira vez na vida e me arrependi amargamente.

Paisagem na BR-262

Tudo isso feito, bora se aventurar. Saulo e eu saímos de Goiânia já era quase 6 da manhã da quinta-feira. Pegamos a BR-153 sentido sul e achei a estrada bem boa. Só paramos ao meio-dia em Araxá pra almoçar e conhecer um nadinha da cidade que é tão famosa pelos banhos medicinais e doces caseiros. Não tomei nem banho medicinal nem comi doce caseiro, mas achei bom assim mesmo.

Igreja Matriz de São Domingos, em Araxá

Demos uma volta na praça principal, com direito a igreja, chafariz e museu da Dona Beja (pode ser Beija também, descobri lá). O que deixou a menina da cidade grande aqui encafifada foi a quantidade de casas com muros de 1 metro de altura. Gente, no interior dá pra morar em casa sem muro.

Museu Histórico de Araxá "Dona Beja"

O que achei ruim é que pedimos indicação de lugar bem bom pra comer e eles nos mandaram prum restaurante fofo, porém com comida ruim. Mas gente! E a comida mineira cheia de torresmo? Não tinha. Eram 12:30 e tinha quase nada de comida. Perguntei que hora mineiro almoça e a moça do restaurante me respondeu: "A partir das 10h". Meu queixo caiu, comi o que tinha e pegamos a estrada de novo.

Casa sem muro no centro de Araxá
Arquitetura fofucha

O que mais ouvi quando disse que iria pra Minas é que a estrada era ruim demais. Vou dizer: tudo mudou. Estradas estão duplicadas, asfalto está novíssimo. Dá pra ir de cabo a rabo de 140km/h que o carro nem treme. A parte ruim é que tem dezenas de radares de 60km/h que eu sempre lia na placa 80km/h, porque 60km/h numa rodovia não faz sentido e certamente levei umas multas. Quem nunca? Ruim mesmo é a sinalização nos trevos. A gente sempre ficava em dúvida e quando era pra virar, a entrada já tinha passado, pois as placas estão super "um-dó-lá-si-já!". Dica: tenha caaaaaaaaalma nos trevos. Vá devagar.

Pessoal no paragliding na saída de BH

A BR-262 é um sonho pra dirigir e nos levou até Belo Horizonte com as melhores paisagens possíveis. Dica: deixe a câmera a postos. A gente tirou nada de fotos, mas garanto procês que é a melhor paisagem ever, cheia de serra e mata atlântica. Entre BH e Ouro Preto a gente ainda encontrou um pessoal voando de paragliding. Super legal.

A primeira coisa que vimos em Ouro Preto

Do paragliding até Ouro Preto é que foi confusão. A estrada que leva pra cidade é pista única e umas 10x pior que a estrada pra Santos, cheia de precipícios e caminhões apressadinhos. Achei tenso. Chegamos em OP por volta das 20h e paramos num quiosque de turismo pra nos ajudar a achar um lugar pra passar a noite. Puro pesadelo. Primeiro porque a cidade estava lotada de gente pra gravar um comercial e segundo porque só sobraram os hotéis mais carinhos. O mais em conta que conseguimos foi um de R$130 a diária.

OP super charmosa à noite
Cheia de cor
Depois de instalados, fomos dar uma volta na cidade e as luzes artificiais deram todo um charme pro lugar. Arrisco dizer até que fica mais bonita à noite do que de dia. Como a cidade estava cheia, animação era de lei. Tomei um caldo na praça Tiradentes e batemos perna à vontade.

Trem da Vale que liga OP a Mariana

Pela manhã nos arriscamos a pegar a Maria Fumaça que leva até Mariana. Por R$50 você compra o bilhete de ida e volta. Vale a pena? Ó, se você veio pela BR-262, te garanto que você viu coisa melhor. Serra, cachoeira e riozinho. Na estrada é free. #ficaadica

Uma das paisagens que se vê do trenzinho

Na estação ferroviária de Mariana pegamos um ônibus até a Mina da Passagem, a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. A guia nos contou que ela tem 11km² de extensão (brinquei que se calhar, ela é maior que a própria cidade de Mariana, mas ela não achou muita graça) e chega a 120m de profundidade. Pra chegar lá, basta aguentar os solavancos do trolley. As galerias são altas e espaçosas porque foram abertas por dinamites. Curiosamente a mina extraía ouro até 1985 e a técnica usada por eles foi implantada pelos ingleses (sempre eles!) e era revolucionária. Tem ainda um lago natural no fundo. O passeio custa R$30 e, esse sim, vale muito a pena.

Estação ferroviária de Mariana

Mina da Passagem por dentro

Lago natural dentro da mina (dá pra mergulhar!)

Pedacinho de Mariana

Janelinhas árabes!

Igreja no aaaalllto da serra (não tive coragem de chegar mais perto!)

Depois de pegar um ônibus pra voltar ao centro da cidade, almoçamos num restaurante qualquer que foi ok. A essa altura eu já estava desesperada por comida mineira, mas fiquei a ver navios... Demos umas voltas pelo centro da cidade, nada que eu tenha amado muito. Desculpe ao pessoal que ama Mariana, mas eu não voltaria. Nem de longe ela tem o charme de Ouro Preto.

Às 16h pegamos o trem de volta a OP e decidimos tentar um hotel mais em conta. Ficamos no Ouro Preto Hostel. Pagamos R$90 na diária de um quarto pequeno, abafado e com cheiro de mofo. Vou nem contar que fica num lugar terrível na cidade. Pra não dizer que tudo foi péssimo, a senhorinha que nos atendeu foi super fofa e nos ajudou à beça.

Os rocamboles e doces de compota

Logo pela manhã pegamos a Estrada Real rumo a São João del Rei, mas acabamos decidindo ir direto pra Tiradentes, pois teríamos pouco tempo pra ver duas cidades. No meio do caminho existe uma cidadezinha chamada Lagoa Dourada que não seria nada interessante, não fosse pelo fato de produzir o melhor rocambole do mundo. Sério. Nem gosto de rocambole, mas fiquei alucicrazy com esse. Comprei várias caixinhas, já que eles enrolam tudo na hora e está sempre super fresquinho. Aonde é essa maravilha? Se você estiver na estrada entre Ouro Branco e São João del Rei/Tiradentes, podicrê que você vai passar pela loja, que chama O Legítimo Rocambole. A estrada passa por dentro da cidade e ela é uma lojinha azul cheia de fotos de artistas que já foram felizes por ali. Não resisti e ainda comprei outros doces de compotas que estavam lá sendo lindos.

Chafariz de São José, em Tiradentes

Chegamos em Tiradentes por volta das 13h. Estacionamos o carro na rua principal (eu sei, eu sempre encontro vagas impossíveis!) e resolvi entrar num hotel pra tentar algum mapa. Mais que isso, encontrei A melhor guia possível. A Joyce, da Pousada do Lazer, não me convenceu a ficar por lá (R$350 a diária, gente!), mas nos forneceu mapa e circulou as coisas mais legais de se fazer na cidade pra quem só tem uma tarde pra ficar por lá. Uma fofa. Quem passar por lá, lembra de dar um oi pra ela? :)

Fomos até o Chafariz de São José  e depois resolvemos almoçar no Panela de Minas, também na rua principal, uma delícia!!! Finalmente uns torresmos e uma linguiça que era pura pimenta. Vou nem contar o tanto que o tal pastel de angu é delicioso, gente! Slurp. Depois do banquete, o Saulo foi tirar um cochilo na Pousada Arco-Íris, onde a dona Catarina, outra fofa!, fez a diária por R$140.

Igreja Matriz de Santo Antônio
Eu segui até a Igreja Matriz de Santo Antônio, a segunda mais rica em ouro do Brasil, que é linda. Pequenina, mas linda. E é claro que para o meu desespero, não é possível tirar foto lá dentro. Não entendo, nunca entenderei. Você cobra R$5 pra entrar, faz o negócio de ponto turístico, mas turista não pode ser turista lá dentro. Desculpa, não faz sentido.

Esse conjuntinho é chamado de Quartier Latin

Desci o morro e andei a cidade inteira à pé. Muito fofa, cheia de casinhas coloridas nas ruas de pedras que doem a sola do pé. À noite ainda subi até a igreja novamente pra pegar o crepúsculo no ponto mais alto da cidade. Foi uma boa ideia. Pela manhã tomamos o melhor café da manhã de todos os hotéis em que ficamos preparados pelas mãozinhas da dona Catarina, que foi fofa o suficiente pra servir o café bem mais cedo do que normalmente faz só porque precisaríamos sair quase de madrugada.

O sol se preparava para descer

Fim de tarde

Igreja quase no escuro

Já nas luzinhas artificiais 

Foi tudo muito legal, mas se eu tenho uma dica pra dar é: reserve pelo menos uns 2 ou 3 dias pra visitar apenas Ouro Preto. Não tive tempo de entrar em nenhum museu ou igreja e me arrependi um bocado, pois são as coisas que mais gosto de fazer. Para aproveitar melhor, pegue o ônibus (transporte público mesmo!) que liga OP a Mariana só pra ver a mina e depois volte. Custa R$ 3,20 cada passagem e você não fica preso aos horários do trem.

Se você já se aventurou pelas cidades históricas de Minas, conte aí pra gente nos comentários. Se tem alguma dúvida, deixe aí também!

2 comentários:

  1. Marla, fiz esse passeio em março. Minha sogra mora em Lavras, então saímos cedo para SJ del Rey e Tiradentes e voltamos para casa. Depois reservamos hotel em Ouro Preto - um dia e duas noites. Visitamos dezenas de museus e igrejas, as obras barrocas são lindas!! Não fomos à mina da passagem, fomos em uma outra dentro de Ouro Preto mesmo (não compensa, caso volte na cidade...) O museu da Inconfidência é fantástico! Agora, Mariana, realmente... só para falar que foi rs Gostei muito de Tiradentes, as lojinhas, os restaurantes e o passeio de Maria Fumaça é bem legal (mas as paisagens são comuns). Enfim, compartilhado! Também pretendo voltar a essas cidades e ver o que ainda não vi!!! Ah, antes que eu me esqueça, você poderia ter incluído Inhotim no roteiro. Um dos lugares mais lindos que já fui!!

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    Respostas
    1. Puxa, nunca sequer havia cogitado Inhotim. Vou incluir nos próximos roteiros, com certeza! Devo voltar pra Araxá em breve com uma amiga que tem parentes por lá. Tenho certeza que aí sim terei tempo de aproveitar tudo com um pouco mais de calma. ;)

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