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16 de dez de 2010

Exemplo do nada

 Eu tenho certeza de que uma das razões pelas quais eu decidi não trabalhar na frente das câmeras tem a ver com a minha privacidade, ou melhor, com o anonimato. É legal poder ir ao supermercado e ninguém saber quem é você. Se bem que da última vez que passei no Pão de Açúcar de madrugada um carinha geek comentou algo do tipo "você sabe que mora numa cidade pequena quando começa a encontrar desconhecidos insistentemente". E ele se referia a outro lugar bastante frequentado por nós dois: o Stravaganza.

Enfim...

O fato é que eu mal tenho assinado minhas matérias e ainda assim continuo ouvindo elogios sobre o meu texto. o.Õ (alguém tá querendo me passar a perna). Ou: pessoas desconhecidas insistem em me adicionar no orkut ou no facebook (isso acontece com mais frequência do que você imagina). Olha, acho legal o Handerson Pancieri ou a Thaís Freitas ou o Adriano Reges adicionarem tudo quanto é tipo de gente nos facebooks deles (tá, rolou um exagerinho). Aproxima o telespectador de quem faz televisão ou deve dar status ser amigo de jornalista (eu nego). Mas, OLHA, ainda não consigo fazer isso com a minha vida. Toda interação tem um limite.

Ainda gosto de dizer ao telefone "aqui quem fala é Marla Rodrigues" e a pessoa responder "quem???". Anram. Gosto disso. Não tenho essa pretensão de ser A jornalista foda que todo mundo comenta, tipos, sei lá, William Bonner. Não quero ser o "tio do twitter". Nééum.

Mas aí vem e me aparece outra coisa estranha. A filha de uma cliente da minha mãe que deve ter uns 10 anos, acho. Adora ela, que é super espertinha, contestadora, cheia dos argumentos e reflexões. Tipo uma miniaturazinha de Marla, confesso. Em uma ocasião em que eu não estava, ela disse à minha mãe que quando crescesse queria ser como eu: jovem, com um carro (tadinha, ela não sabe é de nada!), independente, que já fez faculdade e tem uma profissão. Incluindo a parte de ser jornalista.

Deus do céu! Eu não tô sendo MESMO um bom exemplo, viu? E esse negócio de ser exemplo pra qualquer coisa me incomoda. Eu não sou exemplo pra ninguém. Pra nada. Ok ser admirada por algumas das minhas poucas qualidades, mas exemplo? Aí foi demais pra mim.

Retomando o raciocínio... (cadê a Did pra comentar o quanto a gente dá voltas até terminar um assunto?)

Eu fiquei pensando: vai que essa menina me vê bêbada dançando até o chão em uma festa? Ou: ela me vê jogando papel no chão ou xingando alguém no trânsito, enfim... qualquer coisa! E se eu "perco o encanto" e ela acaba desistindo de ser qualquer coisa na vida porque aquilo que ela achou que fosse o máximo simplesmente não existe? Olha, é muito difícil ser exemplo de alguém. Preciso conversar logo com ela.

E vocês? Já foram o exemplo de alguém? (Did, vc pode desandar a contar da sua mini sister. rs)

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