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29 de abr de 2010

Naves espaciais aterrorizam jataienses

Em Jataí, no Sudoeste do Estado, um tipo de veículo muito comum tem tirado do sério as pessoas de bem. O tal veículo, robusto e produzindo um grave som, é fácil alvo de críticas devido à irresponsabilidade daqueles que o dirigem. Durante o dia desrespeitam os sinais de trânsito, atropelam pedestres e atingem motociclistas. Durante a noite, além de tudo, produzem um som alto e grave, exercendo sobre as estruturas das casas um efeito de terremoto, colocando em alerta os moradores da rua por onde passa.

O veículo também é, muitas das vezes, conduzido por adolescentes que sequer poderiam guiá-lo ou ainda por marmanjos embriagados e desatentos. Até então o tal veículo era conhecido por caminhonete, mas em Jataí o nome foi reconfigurado pelo secretário de Cultura, Marquim. "Caminhonete? Não, elas são naves espaciais. Veja como o condutor acredita que está pilotando em outro mundo", esclarece.

Como este tipo de veículo ainda não teve a circulação impedida pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), as autoridades pedem cautela aos pedestres e demais que utilizam as vias de Jataí para trafegarem. A ordem expressa é de que, devido ao perigo, mantenham distância máxima das naves espaciais.

Por Marla Rodrigues
de Jataí

***** Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

21 de abr de 2010

Amadureci ou envelheci?


Primeiramente peço desculpas pela ausência. Estive com uma folguinha prolongada e aproveitei para dar um tempo da internet. Confesso que foi difícil, bem difícil. Várias vezes quis ceder à tentação, mas me mantive firme.

Estive pensando nesses últimos dias o quanto a vinda para Jataí me deixou mais... madura. Pessoal e profissionalmente. Até vir pra cá, eu nunca tinha trabalhado numa redação propriamente dita (só na rádio, mas eu era estagiária) e isso faz uma baita diferença para um jornalista.

Lembro-me de ficar chateada quando minhas matérias não saíam ou quando outro jornalista cobria a minha área de atuação. Era... frustrante. Porque eu queria ver meu nome estampado, queria 'aparecer'. Não sei se a palavra certa é essa, mas vou mantê-la.

Hoje eu consigo perceber que o que importa não é quem escreve e sim se estamos prestando um serviço. A notícia foi dada? Ela tem qualidade e relevância? Então ótimo. Isso me deixa feliz. E eu levei qualquer coisa do tipo de uns 3 ou 4 meses para amadurecer essa ideia e consolidar o pensamento.

E fico orgulhosa de mim mesma. Principalmente quando me deparo com profissionais tão despreparados para atuar numa área como o jornalismo. É um mundo de vaidades e é fácil escorregar no objetivo, que é informar a sociedade.

Pisar nas pessoas para tentar se destacar dos demais é um recurso usado com uma certa frequência, mas até então eu ainda não tinha visto isso tão de perto. Estou feliz por não ser comigo e estou feliz por ter orgulho dos meus colegas de redação e das pessoas com quem trabalho. Eu realmente aprendi a respeitar e valorizar o trabalho de cada um. Todo dia eu aprendo um pouquinho com cada um deles. E isso dá uma sensação de paz.

Por outro lado... Vir pra Jataí me envelheceu mais. Estou mais rabujenta com as coisas simples. Estando numa cidade com muuuuuitos universitários, tenho aquela boa e velha preguicinha de encarar os "points".  Eu não vejo graça em jovens estúpidos bebendo até cair ouvindo sertanejo. Eu tenho preguiça de ir a um lugar que tooooodo mundo vai. Eu tenho preguiça de não ter opções. Aliás, só me resta uma: "moer" em casa mesmo.

Chamo os amigos, a gente liga o videokê, toma um vinho, pede uma pizza e conta causos até amanhecer. Um amigo me perguntou se eu não vou casar. "Só se o marido aceitar dormir em outro quarto", foi a minha resposta. Ao que ele retrucou: "Marla, você está muito nova pra ser tão velha".

6 de abr de 2010

Porque não discuto mais cinema



Nessas minhas andaças do twitter encontrei um link que me chamou a atenção. Meu antigo professor de faculdade participava de um debate sobre o filme do Chico Xavier. Devido ao respeito que tenho por suas opiniões, resolvi encarar a parada, mesmo tendo desistido dos debates sobre filmes no primeiro ano de faculdade.

Qual não foi a minha surpresa! Eu deveria mesmo ter continuado com meu jejum. Eu não sei por que agora todo mundo se acha meio crítico de cinema. E o pior é quando as pessoas não conseguem separar as qualidades técnicas de um filme das qualidades da história contada. Deus, é tão difícil assim?

Tendo sido militante da causa espírita durante anos e hoje ateu - salvo engano - achei muito válida a opinião do professor. Uma análise tranquila, sem rancor, objetivando o filme em si, e não a história de Chico. Mas é claro que alguns babaquinhas (fico pensando se não são evangélicos...) começaram a questionar tantas coisas nonsense como, por exemplo, se as psicografias eram reais ou falcatruas...



 
Não sabe brincar, não brinca. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é OUTRA coisa. Quem disse que o filme está lá para provar alguma coisa? Daí repudiam o filme até como coisa do diabo. Ai, ai... tenho preguiça.

Acredito que filmes são iguais a pinturas ou a esculturas ou a livros. É absolutamente subjetivo e suas interpretações dependem da bagagem cultural de cada um. Aquilo que é verdade para mim pode não fazer sentido para você. E a vida segue em frente, nada de ficar empacando em detalhes estúpidos.

Pq desisti do cinema

Quando entrei na faculdade fiquei super entusiasmada em poder estudar cinema (havia inúmeras disciplinas voltadas para isso). Mas já no primeiro semestre eu me desencantei e no segundo eu desisti, de fato. A razão reside na forma como o professor lecionava as aulas. Que ele me perdoe, mas quem está na chuva é pra se molhar.


Achava podre quando ele jogava na cara dos alunos o quanto éramos fúteis porque gostávamos de Titanic ao invés de O corpo que cai. Porque tínhamos um olhar domesticado ao invés de um olhar crítico e imparcial. Porque o cinema hollywoodiano nos despejava seus melodramas e nós chorávamos. E alguém me responde: por que isso seria ruim?

Na minha modesta opinião, qualquer tipo de arte deveria ser apreciada sem preconceitos. Se fulano gosta de sertanejo, ciclano prefere o cinema novo, beltrano gosta do dadaísmo e eu de Paulo Coelho, ok. Não acho justo diminuir as pessoas porque elas gostam de algo que rejeitamos. Muito blasé. Se não fosse toda essa multiplicidade seríamos todos robôs. E chatos, muito chatos.

5 de abr de 2010

Orkut não é lugar de criança


Podem me chamar de careta à vontade, mas orkut não é lugar de criança.

Eu sempre fui adepta desta filosofia e fiquei ainda mais chata depois que vi aquele que pra mim é um irmão se aventurando sozinho nesta página de relacionamentos. Alguns vão dizer "mas ele já tem 12 anos" ou ainda "ele sabe o que pode ou não pode fazer". Concordo, mas o que me preocupa não é o que ele vai fazer e sim o que podem fazer com ele.

Por mais que nós, os adultos, possamos ensinar o que é certo e o que é errado ou qual atitude ele deve tomar em determinados casos, nós nunca, repito, NUNCA saberemos qual será a reação de uma criança diante uma situação inesperada. E é possível confiar no poder de discernimento de um pré-adolescente? Eu acho que não.

Só para ilustrar o post, cito dois fatos que pude constatar no recém-criado perfil daquele que eu ainda considero uma criança. A primeira é boba, infantil. Só causaria vergonha e embaraço. Uma colega de escola perguntava se ele queria "ficar" com uma menina e ele respondia que sim, mas que era pra manter segredo. Fail. Nem ele nem ela protegiam seus scrapbooks de olhares que não fossem de amigos adicionados. Logo, descobrir qualquer historinha ali foi muito mais fácil do que roubar o doce de um recém-nascido.

O segundo fato vai além. Tratava-se da marcação de um encontro. "Nos encontramos em tal lugar a tal hora, ok?" Isso realmente me preocupou. Um bando de cordeiros estúpidos dizendo à raposa em qual lugar estariam pastando. E se não sou eu? E se é um pedófilo esperando por uma oportunidade em que essas crianças estariam sozinhas, sem a supervisão de um adulto?



Não me chamem de neurótica, eu sou precavida. Não é à toa que o orkut diz ser uma coisa para maiores de 18 anos. A quantidade de comunidades pornográficas (pra dizer o mínimo) é assustadora, principalmente as que incitam crianças a fazerem sexo com adultos.

A coisa é séria e não dá pra fingir que não estamos vendo. Façamos alguma coisa!! E pra ninguém achar que eu sou tão louca, deixo aqui o link para uma matéria da Revista Educação, que cita o nome de algumas comunidades envolvendo crianças e adolescentes e o pior: a quantidade de pessoas que delas fazem parte. É assustador.

Confiram: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11183
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