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7 de mar de 2010

Aquilo que a gente não vê

 

Neste domingo uma amiga me fez companhia e me poupou de ter o desprazer de ligar a tv. Já tarde da noite nós conversávamos na varanda quando a luz acabou. Depois de xingar a cidade - porque só aqui a energia cai com tanta frequência - os olhos passaram a se acostumar com um outro tipo de luz.

Algo elevou o meu olhar. Eram estrelas. Inúmeras. Brilhando e roubando a cena e também as nossas palavras. Olhamos uma para a outra e percebemos o quanto somos uma poeirinha nesse universo imenso. O quanto ele é belo.

Foi com tristeza que constatei que nunca tinha parado para olhar estrelas aqui. Em uma cidade grande é difícil: há muitos prédios, muitas luzes competindo. Mas aqui, não. Aqui as estrelas brilham muito e eu nunca tinha prestado atenção nelas.

Poucos minutos depois a energia voltou e resolvemos apagar a luz da varanda. Era melhor assim. Nem sempre a gente vê aquilo que está na frente do nosso nariz. Era preciso aproveitar.

Um comentário:

  1. Um post sobre as coisas que se perpetuam na vida, que não são efemeras como a factualidade jornalistica. Acho que esse tipo de relato e sempre
    muito bem vindo, nos tira um pouco da superficialidade do dia a dia e nos põe em contato com o que e nossa essência, nossa pequenez e fragilidade humana.

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