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23 de nov de 2009

"Márrrmud Arrrmadnejá"

Então o presidente do Irã chegou. Só queria registrar que achei válidas todas as coisas que ocorreram nesses dias que antecederam a sua visita ao Brasil.

Achei válido que Lula o tenha recebido, porque penso que demonstra que somos uma nação soberana, que se dispõe a conversar até mesmo com os loucos como Mahmoud Ahmadinejad que quer desenvolver o enriquecimento de urânio para terminar de matar os judeus que o holocausto, que ele acredita não ter acontecido, não conseguiu.

Achei válidos os protestos contra a visita do louco, porque demonstra que apesar de sermos uma nação soberana temos cérebro e não concordamos com loucos como ele que se negam a aceitar a diversidade religiosa, racial e sexual.

Acho que, no final das contas, conseguimos, com protestos e astúcia, provar que somos superiores a ele.

2 de nov de 2009

A morte e eu

Já tinha feito meu post-protesto de hoje, mas daí li um texto da encantadora Eliane Brum que me fez lembrar uma coisa. As pessoas costumam me olhar com uma cara bem estranha quando conto histórias do velório da minha avó (acho que foi o único velório que eu fui na vida depois que podia decidir por isso).

Minha avó era uma senhorinha bem bonachona e que gostava de ir ao velório de tudo quanto é gente. Até de gente desconhecida. De acordo com ela, ir a velórios era garantia de que muitas pessoas a visitariam em sua última "festa". E assim foi. Quando morreu a dona Jesuína, o velório ficou abarrotado de parentes que eu mesma nunca nem tinha ouvido falar. Conversa pra todo lado, pessoas contando histórias hilárias sobre ela e aquele banquete típico de velório que eu, particularmente, acho meio despropositado. É um tal de trança bandeja daqui, passa o refrigerante por cima do morto que deus nos acuda!

Acho que naquele momento de dor, eu era a única pessoa da família mentalmente sã e muita gente viu isso como uma forma de desprezo pela morte da minha avó, mãe de minha mãe. Primeiro porque achei um absurdo que quisessem comparar a importância da minha vó a um caixão mais luxuoso e que custava os olhos da cara. "Ora essa, debaixo do chão isso não vai fazer a menor diferença", retruquei. E o povo me arregala aquele olho como quem está falando uma coisa terrível.

Enfim, o fato é que eu lido muito bem com esse negócio de morrer. É claro que eu não gosto de perder pessoas que amo e tal, mas tenho certeza de que muitas delas vão pra um lugar muito mais legal do que esse que habito hoje. Além do mais, depois que passei uns 3 dias praticamente morando dentro de um cemitério pra rodar o nosso filme, a morte é algo que não me abala muito. E isso causa grande estranhamento nos demais.

Tuuudo isso é só pra postar aqui um trecho e o link pro texto da Eliane Brum, que pensa exatamente igual a mim. Quando você encara a morte, por exemplo comprando seu túmulo (eu tenho minha gaveta lá no Cemitério Santana!), esse assunto passa a ser banal, como os outros.

"Alguns acham que sou mórbida. Estão enganados. Encarar a morte com naturalidade é o mais longe da morbidez que se pode estar. Só espero ter sabedoria para viver minha vida com intensidade até o último suspiro. E sabedoria para morrer, sem tentar espichar a vida nem abreviá-la. Não gostaria de morrer de repente, como tantos desejam. A curiosidade sempre moveu meus passos. Quando a morte chegar, não quero perder a única chance de olhar no seu olho. Quero saber o que é morrer. Quero me lambuzar de morte como me lambuzei de vida. Quero viver. Até o fim."

Pra ler o texto inteiro, que vale muuuuito a pena, clique no link abaixo:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI102284-15230,00.html

O dia de Finados

Minha curiosidade é insana? Será que só eu é que acho que um dia dedicado aos mortos é uma perda de tempo total? O dia dos pais e o dia das mães é num domingo - dia de descanso - mas o dia dos mortos é um feriado. Isso não é dar importância demais a quem já não faz mais nada nesse mundo?

Pior que isso, penso: por que TODOS os jornais dão tanta atenção à movimentação em cemitérios, em exploração comercial nos arredores e na dor daqueles que ainda se emocionam ao lembrar de parentes queridos que já se foram?

Sei não, mas acho tudo isso muito urubu. Parece que jornalista tem uma alma urubuzada. Até eu tento me policiar, mas tem hora que sai naturalmente, infelizmente. Faço uma ronda na Polícia Rodoviária Federal:

- Alguma ocorrência hoje, policial?
- Só um acidente, sem gravidade. Deseja mais informações sobre o ocorrido?
- Morreu alguém?
- Não.
- Então não, obrigada. Bom trabalho!

Meio cruel, mas o meio está me contaminando. Espero que eu consiga manter pelo menos a cabeça fora do lamaçal.
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