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31 de ago de 2009

1° Festival de Pipa de Jataí

No último domingo foi realizado aqui em Jataí o 1° Festival de Pipa da cidade. Já que a matéria não foi aproveitada pelo Jornal, publico aqui. Como não tive tempo de reescrever como queria - de forma literária - vai a versão que fiz pro jornal mesmo. Enjoy!


Foi realizado na manhã do último domingo o 1º Festival de Pipa de Jataí, cidade do Sudoeste Goiano. O evento reuniu cerca de 200 pessoas em uma grande área longe de fios de alta tensão. Foram premiadas as melhores pipas, de acordo com as seguintes categorias: menor pipa, maior pipa, pipa mais bonita e pipa mais exótica. Evandro Elias, 13 anos, ganhador da categoria maior pipa, nem queria se inscrever porque vários outros concorrentes trouxeram pipas maiores, mas no fim apenas a dele conseguiu ficar no ar. Essa era uma das condições para poder participar, a outra era provar que a pipa havia sido construída artesanalmente.

Evandro Elias, vencedor da categoria maior pipa

O sentimento de Evandro foi compartilhado por várias outras crianças e adultos que estavam competindo. Quando se achava que a menor pipa havia aparecido, logo surgia uma outra, ainda mais miúda. Para os papagaios maiores a disputa também foi acirrada. Uma delas, inclusive, chegou na carroceria de uma caminhonete e era maior que seu próprio dono. Duas pipas gigantes tentaram alçar vôo, mas as condições físicas do material e o vento estranhamente forte para a época impediram a façanha de seus construtores.

A maior pipa que apareceu no festival, mas não conseguiu voar

De acordo com Izaltino Guimarães, organizador do evento e fotógrafo, o melhor vento para soltar pipas é no meio do mês de Agosto, mas quando lhe surgiu a idéia de promover o festival já estava bem perto de Setembro. “Rezei muito para que hoje tivesse bastante vento e parece que fui atendido”, diz. Izaltino, conhecido como Tininho na região, é um apaixonado por pipas e possui várias, inclusive algumas de competição de manobras. No céu ele pôde realizar algumas dessas manobras e encantar a garotada que estava por ali.

Outra pipa interessante do festival era a de Leandro Faria, 26 anos, impressor gráfico. Além de ser feita num tipo de papel mais resistente, ao invés do papel seda, o material apresentava diversas figuras estampando os últimos acontecimentos do país. “Um dia eu li o jornal e decidi que era preciso fazer uma pipa assim, nem tanto para competir, mas para chamar a atenção das pessoas às coisas que andam acontecendo, como os casos de pedofilia, o perigo da dengue, dos agrotóxicos e a importância da natureza”, explica.



Leandro Faria e sua pipa com temática noticiosa

Apesar de várias pessoas estarem soltando seus papagaios, apenas 53 se encaixavam nos critérios e puderam concorrer. Bruno Carvalho Cabral levou o prêmio de pipa mais bonita, decorada com o rosto do Bob Esponja. A menor pipa foi a de Diogo Patrício Vieira da Silva, de 15 anos, que levou cerca de meia hora para ficar pronta. Já a pipa mais exótica pertence a Guilherme Rodrigues Silva, de 9 anos, que teve a ajuda do irmão por dois dias para montar a pipa com forma de dois cubos unidos por varetas. Cada um deles ganhou de prêmio a quantia de R$100.

Guilherme e sua pipa em forma de cubos

Marco Antônio Gomes de Carvalho, secretário da Cultura em Jataí, ficou feliz com o resultado. “Quando cheguei, às 6h30, e vi quatro pipas no céu já me senti realizado. Agora é manter essa tradição e realizar o Festival anualmente para essa garotada”, diz. Eximo Alfaix Neto, que participou do evento, conta que seu avô, há 40 anos, foi um dos pioneiros na cidade em confeccionar pipas diferentes. “Não bastava subir uma pipa no céu, era preciso ser diferente. A menor de suas pipas media 1,5 metro. Festivais como esse são importantes para resgatar a cultura e os valores, que hoje se encontram tão perdidos em nossa sociedade”, afirma.

28 de ago de 2009

Por que adoro matérias no campo

Eu sei que todos os meus amigos ouviram de mim as mais injuriosas lamentações a respeito dessa nova vida como correspondente em Jataí, no sudoeste goiano, onde tudo o que dá ibope é safra, colheita e grãos. "Como é que vou andar de salto alto nessa lama?", pensava eu, até que cheguei aqui. É, não dá pra andar de salto alto no campo, por isso, eu nem trouxe salto pra essa cidade. Na verdade, minha vinda para cá inclui acessórios bem simples: um sapatinho de boneca com salto mínimo pra cobrir políticos e afins, minha sandália super confortável da Mr. Foot, meu tênis velho de guerra e uma bota, pra cobrir campo.
Meu horário "normal" de trabalho é das 14h às 19h e minha primeira pauta no campo exigia que eu estivesse na redação às 7h da manhã. Humor: bem mais ou menos. Daí, 45km de estrada de terra, comendo poeira. A pauta? A festa de Nossa Senhora da Abadia, na região conhecida como Comunidade da Onça. Ao chegar, percebi que o assunto tinha tudo pra render uma matéria literária, rica em detalhes e cheia de histórias tradicionais da fé de um povo em sua santa.
E foi aí que descobri que era possível ser feliz, muito feliz cobrindo coisas no campo. Gente simples, acolhedora, educada e muito, muito farturenta. Haja comida!! Super café da manhã, super almoço, super doces e super jantar! Afora danças, bebidas e alegria de pessoas que tinham entre 01 e 96 anos de idade.
Descobri também que essas são as pautas que mais rendem no jornal. Cortam pouco o seu texto, suas fotos ilustram a matéria e todo o seu "esforço" normalmente não é em vão. Dessa festa tive uma matéria publicada na edição de domingo, onde ainda foi possível salvar um pouco do literário que eu tinha escrito para essa história. A foto é chamativa, reproduz a fé do povo. E minha alegria foi das grandes, afinal, além de emplacar uma matéria no jornal (não, isso não é fácil. Fazemos inúmeras matérias que nem passam perto de ser publicadas), me satisfiz como jornalista. É possível ser feliz cobrindo coisas do campo. É possível ser feliz jornalismando longe de casa!
A todos, aqueeeeele abraço e minhas sinceras desculpas pela demora desse blog em funcionar. Continuo sem internet em casa e pela conversa da Brasil Telecom, vou continuar assim por um bom tempo. Como costumo chegar às 9h e ir embora da redação às 21h, sobra pouco, bem pouco tempo para voltar a me dedicar ao blog.

12 de ago de 2009

Guenta aí!

O blog deu uma parada justificada.
Para os mal informados, explico:

Nos últimos 15 dias minha vida virou de ponta a cabeça.

Me afastei do Brasil Escola devido ao novo trabalho de correspondência do jornal O Popular. Como se isso não bastasse, a correspondência é feita em Jataí-GO. Resumindo, sou uma homeless aqui no interior e obviamente ainda não instalei internet numa possível casa, onde pretendo chamar de lar. Quando tudo se acertar conto o que venho aprendendo nestas últimas duas semanas.

Jornalismo é muito mais que ficar esperando as notícias chegarem até nós. E isso me alegra imensamente. É possível ser feliz jornalismando mesmo quando se ganha pouco!

E até logo!
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