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18 de jun de 2009

STF decide: JORNALISTA = NADA




Um absurdo o STF (Supremo Tribunal Federal) ter decidido ontem (17/06) por oito votos a um (!!!!) o fim da exigência do diploma para o exercício da profissão de Jornalismo. Só o ministro Marco Aurélio Mello votou pela obrigatoriedade da graduação.

Acompanhei todo o processo de luta da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e dos sindicatos nos últimos tempos e confesso que fico revoltada quando vejo colegas de profissão que concordam com o recurso interposto pelo Sertesp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo). Sim, foram eles, os patrões dos jornalistas, que começaram com essa palhaçada. Será que é por que eles querem jogar no lixo toda a luta dos sindicatos em nos fazer respeitar? Ou por que eles querem colocar seus "peixes" dentro das redações sem dar melhores explicações a ninguém?

Observem a justificativa do voto do relator do caso e presidente do STF, Gilmar Mendes:

"Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão". [grifos meus]

Não oferece dano? E vocês acreditam que médicos, engenheiros e juízes que acessam informação de má qualidade podem ser bons profissionais?






Vejam um trecho da fala do advogado da Fenaj em defesa do diploma - e com o que eu concordo totalmente:

"A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas para exercer em período integral a profissão de jornalista. O jornalismo já foi chamado de quarto Poder da República. Será que não é necessário o conhecimento específico para ter poder desta envergadura? Um artigo escrito por um inepto poderá ter um efeito devastador e transformar leitores em vítimas da má informação". [grifos meus]

Mais uma vez defendo a importância da informação de qualidade na construção do perfil da sociedade brasileira. Se já é difícil com profissionais formados, imagina quando os autores das reportagens não tiverem estudado ética, sociologia, política e técnicas jornalísticas...

Só para constar, sou jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e pela Universidade de Coimbra (UC), de Portugal. E continuo defendendo com unhas e dentes a exigência do diploma para exercício da profissão. E quando for editora-chefe, só contratarei profissionais formados e de qualidade, como já faço com meus estagiários (sem a parte do "formados", é claro).

4 comentários:

  1. Você já sabe minha opinião, mas eu registrei ela mesmo assim!

    http://rainersousa.blogspot.com/2009/06/o-fim-o-fim-o-fim.html

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  2. Ainda que eu discorde da idéia de que o jornalismo não traga danos à coletividade, penso que é uma profissão que dispensa conhecimentos específicos (sei que isso pode doer nos ouvidos de quem passou os últimos 4-5 anos em uma faculdade de jornalismo). Transmitir informações de qualidade não depende de técnica, mas de conhecimento e bom senso.
    E não falo da boca para fora. Pensemos em termo de diplomacia. Absolutamente, não é necessário que um diplomata seja formado em relações internacionais. Basta, para isso, que o indivíduo tenha vasto conhecimento de humanidades.

    Vamos abolir rótulos e classismos. Somos pensadores livres e também escritores. Na era dos blogs, escreve quem quer é lido quem é bom.

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  3. É uam coisa séria... mesmo. isso tem um unico objetivo... desvalorizar o nosso salario e colocar em cargos publicos, pessoa por interresse politico e que naum tenham a menor noção de levar a informação....

    marcelo_ob@hotmail.com

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  4. Cara Jornalista Marla, parabéns pelo tão sofrido mas efetivo nascimento do seu blog!
    Não sei se posso usar os pronomes de tratamento mais íntimos nesse blog que trata de assuntos sérios, então me perdoe.

    Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que sou totalmente contrário à decisão do STF de acabar com a exigência de diploma para o exercício do jornalismo. É um absurdo pensar-se que o exercício de uma profissão tão relevante não exija um mínimo de qualificação técnica. Além disso, a decisão é um completo desrespeito com muitas pessoas que assim como você, ingressaram na faculdade a duras penas acreditando que para ser Jornalista seria imprescindível a graduação.

    No entanto, gostaria de fazer duas ponderações sobre o tema:

    A primeira delas é que ao contrário do que muitos pensam, o STF é um tribunal eminentemente político, formado por juristas (extremamente qualificados, é verdade) indicados pelo presidente da república e aprovados pelo senado. Assim sendo, o Supremo toma muitas decisões que atendem a interesses de determinadas pessoas e classes; no caso, aparentemente dos empregadores dos jornalistas. Para camuflar esse jogo de interesses, o STF se utiliza de alguns argumentos jurídicos que são totalmente verdadeiros e legítimos, mas que são interpretados da forma que melhor lhes convier. Nesse caso específico, os ministros tentaram atrelar o Decreto Lei que regulamenta a profissão de jornalismo ao "espúrio" e temeroso Regime Militar, época em que o DL foi editado, dando à sociedade a impressão de que as exigências contidas no DL constituem-se em restrição à liberdade de manifestação e mesmo censura. Uma mentira, convenientemente criada por Suas Excelências.

    A segunda ponderação diz respeito a um ponto abordado por você: a qualidade da informação. Nesse aspecto, tenho de discordar de você e concordar com o STF, uma vez que a qualidade da informação não está de forma alguma atrelada ao fato de a pessoa possuir ou não curso superior. Conheço inúmeros jornalistas formados que sequer conhecem a língua portuguesa, e não possuem o mínimo de preparo para desempenhar um profissão de tamanha importância. Em contrapartida, existem muitos profissionais de outras áreas (Direito, Medicina, etc) que conhecem como poucos o assunto que está escrevendo, transmitindo uma informação de muito "mais qualidade" do que lguns jornalistas depreparados, principalmente quando se trata de um tema muito específico e técnico. Um exemplo disso é que ao procurar na internet a notícia que estamos discutindo, tive enorme dificuldade em encontrar um mísero jornalista que citasse a fonte da informação ou a decisão do STF na íntegra. Como é possível um jornalista que não cita sua fonte? Até mesmo eu, que sou formado em Direito, sei que isso é um conhecimento básico.

    Só para finalizar, creio que a qualidade da informação passa sim pela qualidade do ensino do curso de jornalismo, e não pelo fato de a pessoa que está escrevendo possuir ou não um diploma de jornalista.

    Um beijo super carinhoso para você!

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