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20 de dez de 2009

Vai, Planeta!!



Madrugada sempre dá uma nostalgia... Agora, quase duas da manhã, estou assistindo aos meus desenhos favoritos de quando era criança. Daí tive um sobressalto!

Esse fiasco que foi o COP 15  tem uma explicação: ninguém convidou a maior autoridade do meio ambiente para poder discursar: Capitão Planeta! Aposto que se os cinco amigos e seus anéis (Terra, Fogo, Vento, Água, Coração!) estivessem por lá teriam reunido seus poderes e então...

"Pela união dos seus poderes, eu sou... Capitão Planeta!"
Vai, Planetaaaaaaaaaa!

E tudo teria se resolvido.
#ficaadica

p.s.: Pra quem quer ver os 10 melhores desenhos dos anos 80, http://www.youtube.com/watch?v=KIggwWxmk2Y&feature=related

17 de dez de 2009

Ê, justicinha!



Francamente... Essa Justiça brasileira é uma vergonha, pra não dizer um palavrão.

Essa história do menino americano que perdeu a mãe e cujo pai luta contra o padrasto do garoto por sua guarda está uma verdadeira putaria (desculpem, mas não consigo encontrar outro adjetivo no momento).

Hoje de manhã li no jornal que o pai tinha voltado ao Brasil porque a Justiça havia decidido que os avós e o padrasto tinham até 48 horas para entregar o menino. Já à tarde, rola um habeas corpus e a guarda do garoto volta para os avós e padrasto.

E o homem vem buscar o filho e vai - pela enésima vez - voltar de mãos vazias. Que vergonha! Eu não tenho opinião formada sobre esse caso, mas já estou quase me convencendo que o melhor é que esse garoto tenha a chance de crescer num país com um pouco mais de organização no quesito Justiça.

Pra quem quer ler as últimas notícias sobre o caso, aí vai o link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u668233.shtml

16 de dez de 2009

Em busca de respostas



Longe de mim contestar as ordens dos meus chefes, afinal, é pra isso que eu trabalho: pra cumprir ordens.

Porém, não pude deixar de questionar - várias vezes, eu confesso - a razão de o jornal se interessar em publicar a nomeação do novo bispo da Diocese de Jataí. Como não consegui me convencer da importância do fato, fui em busca de outras e diferentes respostas.

E comecei pelo diretor de jornalismo da TV, a quem eu respeito muito e até chamo de "Mestre". Ele me disse pra imaginar que:

1. A Diocese de Jataí é muito importante pois engloba 27 cidades da região sudoeste do Estado;
2. A Igreja Católica tem o maior número de fiéis no país.

Sinceramente eu acho que a Igreja Católica tá beeeem fora de moda, então me custa entender a importância de uma diocese. Trabalhos voluntários? Outras instituições não-religiosas também o fazem, então teríamos que ter mais espaço no jornal. E dizer que a Igreja Católica tem o maior número de fiéis no país é um tanto questionável, afinal, todo dia abrem milhões de igrejas evangélicas. E a capacidade desse povo de "arrebanhar fiéis" é desesperadamente impressionante.

Logo, respeito a opinião dos editores e do Mestre, que entendem de jornalismo muito mais do que eu, porém ainda não consigo compreender a relevância do assunto. Por que um fato, que só interessa a uma parcela reduzidíssima da população, deveria ser publicado?

Sei lá, mas acho tão demodé falar de religião dentro de um jornal... Se for assim a gente também teria que dar notícias do bispo Macedo, não? Deus me livre-e-guarde! Sei que alguns vão pensar que eu estou dando importância demais ao assunto, mas é sério, fiquei sem entender.

11 de dez de 2009

Fatality!


Anram, ser repórter tem as vantagens gastronômicas, mas tem também aqueles momentos em que alguém testa MESMO a sua paciência. Fato do dia:

Entra na redação um cara bonachão, que quer falar com fulano, ou siclano, ou beltrano (como quem diz: conheço todo mundo).

- Não, senhor. Nenhum desses chegou ainda. Posso ajudar?

O tal se esparrama em uma cadeira.

- Pois é. O fulano não-sei-de-quê, que é político de não sei que cidade, vai estar em Jataí nesse fim de semana. A rádio já marcou uma coletiva (será que ele sabe o que é isso??) com ele, vocês poderiam aproveitar o gancho e...

- Certo. O político fulano não-sei-de-quê vem fazer o que em Jataí?

- Ah, ele vai falar dessas coisas de fim de ano, né? As coisas que ele fez nesse 2009...

- Anram, e o que ele fez por Jataí?

- Er... nada, né... Mas, então? A gente tem que tentar marcar um horário pra vocês que não atrapalhe a entrevista já marcada pra rádio, tá?

- ...

Cri. Cri. Cri.

Depois do meu silêncio fatality, ele então desiste e vai embora.
Eu mereço, né?

10 de dez de 2009

Eu gosto de eventos

Imagem meramente ilustrativa

Primeiro porque quer dizer que "algo" acontece na cidade.

Segundo porque sempre é no único hotel decente da cidade (que é muito bom, diga-se de passagem).

Terceiro porque sempre tem lanchinhos mega deliciosos e, quando tenho sorte, tem até almoços/jantares!

Ser repórter tem suas vantagens, mas se vc é repórter e gordinha, não há do que reclamar!

9 de dez de 2009

O circo


Ou a Câmara, como preferirem.

Fade in. Marla e outra repórter chegam à Câmara Municipal para cobrir a votação do orçamento de 2010, marcada para as 14h.

Pessoal da Pastoral da Aids, incluindo o padre, usa o plenário para discursar. Blá, blá, blá. Presidente da Câmara desconhecia o fato de que Jataí é o segundo município com o maior número de casos registrados de Aids no estado. (Com certeza ele não lê nem vê jornal)

Presidente canta "Como é grande meu amor por você" e é acompanhado pela plateia, digo, pelos presentes. Cantora contratada sobe e continua a cantoria. Entram Papai Noel, Mamãe Noel e Netinha Noel, que sentam à frente dos vereadores e balançam os bracinhos. Três ou quatro músicas de Natal são reproduzidas pela cantora ao lado do púlpito.

Enquanto isso, a amiga repórter descobre o talento de cartunista. Desenha todos os personagens interessantes presentes na Câmara: um vereador, o bom velhinho, o homenageado, a repórter que vos fala e até o cinegrafista.

Próxima pauta: homenagem a um professor. Nada contra o professor, quero ressaltar. Alguém lê sua história e é corrigido, ao vivo, pelo dono da história. Alguém entrega uma placa. Um vereador fala, e chora emocionado. Outro vereador o mesmo. E isso se repete cerca de dez vezes.

Chego no assessor da Câmara: e aí, o orçamento vai ser votado hoje ou não?
"Vai, daqui uma meia hora".

Anram... me engana que eu gosto.

Às 17h eu e repórter amiga pegamos os desenhos e vamos embora.
Fade out.

8 de dez de 2009

Agora eu entendo


Bem que me disseram que jornalistas são boêmios. Eu, como ainda não tinha me tornado uma, acreditava que isso era conversa pra boi dormir. Mas, com 4 meses de jornalismo diário, pude perceber que ser boêmio não é uma opção, é praticamente uma necessidade.

O fato é que às vezes a pressão diária é tão forte, vc tem que entender de tantos assuntos em tão pouco tempo, e deve ser meio expert pra poder explicar pros outros aquela coisa que há 30 minutos vc nunca sequer tinha ouvido falar... Isso mesmo, mais uma daquelas pautas do campo!

E aí quando a amiga diz em plena terça-feira "vamo tomar uma cervejinha?", vc nem pensa em recusar. Não dá, é preciso libertar a mente aprisionada por milhões de ligações elétricas formadas por neurônios mega agitados.

A cervejinha nossa de cada dia não quer dizer que vamos nos embebedar todos os dias, mas que ela tem o poder de relaxar, tem. E como tem. Tô até mole! Rsrsrs Tá que hoje é terça, perdoem-me os incrédulos e também a antiga Marla, que achava impossível beber qualquer coisa alcóolica antes de sexta-feira, às 21h. Mas o fato é que amanhã tem mais. E vai ser política, votação do orçamento.

Alguém quer me mandar pro campo?????

Muita coisa na cabeça


Eu não sei vcs, mas já percebi que tenho uma enoooooorme dificuldade pra fazer várias coisas ao mesmo tempo.

A primeira constatação é que demoro o quíntuplo do tempo para fazer qualquer uma das coisas pendentes.

A segunda constatação é que como fico pensando numa e outra coisa ao mesmo tempo, acabo não tendo foco em uma só e fica meio superficial.

A terceira constatação é que isso também acontece com minhas pautas!!! Argh!!!

Pense numa pessoa que tem tipo... 5 pautas complicadas de desenrolar e um texto por redigir. Do campo! (é, matérias do campo SEMPRE dão mais trabalho)

Então o post é pra perguntar: alguém tem uma fórmula mágica pra dar conta de tudo ao mesmo tempo?? Sério, já to até sonhando com as pautas, isso não deve ser normal... Tsc, tsc, tsc.

3 de dez de 2009

A dura arte de ser uma foca


Diário de bordo, 03/12/2009.

Como eu odeio ser tão foca! Eu tenho certeza que estava com uma pauta bombástica na mão hoje. Porém, por não saber direito como agir, exatamente o que apurar, acabei ficando com uma notícia superficial, sem informações que pudessem servir de alicerce para a reportagem.

Daí foi decidido que os vários lados dessa história não seriam publicados pelo jornal. Entendo, claro. Mas queria mesmo ter ido fundo, porque a qualquer momento - caso seja verdade - esse negócio vai estourar na mão de gente muito poderosa, e é claro que eu queria ser a dona dessa reportagem, né? Rsrsrsrs

O problema é: é verdade? É boato? É só alguém dando alarde pra algo que não tem nada a ver? Enfim... É preciso esperar. E essa espera mata. Os jornalistas, é claro...

Fim do desabafo da foca perdida.
Próximo.

23 de nov de 2009

"Márrrmud Arrrmadnejá"

Então o presidente do Irã chegou. Só queria registrar que achei válidas todas as coisas que ocorreram nesses dias que antecederam a sua visita ao Brasil.

Achei válido que Lula o tenha recebido, porque penso que demonstra que somos uma nação soberana, que se dispõe a conversar até mesmo com os loucos como Mahmoud Ahmadinejad que quer desenvolver o enriquecimento de urânio para terminar de matar os judeus que o holocausto, que ele acredita não ter acontecido, não conseguiu.

Achei válidos os protestos contra a visita do louco, porque demonstra que apesar de sermos uma nação soberana temos cérebro e não concordamos com loucos como ele que se negam a aceitar a diversidade religiosa, racial e sexual.

Acho que, no final das contas, conseguimos, com protestos e astúcia, provar que somos superiores a ele.

2 de nov de 2009

A morte e eu

Já tinha feito meu post-protesto de hoje, mas daí li um texto da encantadora Eliane Brum que me fez lembrar uma coisa. As pessoas costumam me olhar com uma cara bem estranha quando conto histórias do velório da minha avó (acho que foi o único velório que eu fui na vida depois que podia decidir por isso).

Minha avó era uma senhorinha bem bonachona e que gostava de ir ao velório de tudo quanto é gente. Até de gente desconhecida. De acordo com ela, ir a velórios era garantia de que muitas pessoas a visitariam em sua última "festa". E assim foi. Quando morreu a dona Jesuína, o velório ficou abarrotado de parentes que eu mesma nunca nem tinha ouvido falar. Conversa pra todo lado, pessoas contando histórias hilárias sobre ela e aquele banquete típico de velório que eu, particularmente, acho meio despropositado. É um tal de trança bandeja daqui, passa o refrigerante por cima do morto que deus nos acuda!

Acho que naquele momento de dor, eu era a única pessoa da família mentalmente sã e muita gente viu isso como uma forma de desprezo pela morte da minha avó, mãe de minha mãe. Primeiro porque achei um absurdo que quisessem comparar a importância da minha vó a um caixão mais luxuoso e que custava os olhos da cara. "Ora essa, debaixo do chão isso não vai fazer a menor diferença", retruquei. E o povo me arregala aquele olho como quem está falando uma coisa terrível.

Enfim, o fato é que eu lido muito bem com esse negócio de morrer. É claro que eu não gosto de perder pessoas que amo e tal, mas tenho certeza de que muitas delas vão pra um lugar muito mais legal do que esse que habito hoje. Além do mais, depois que passei uns 3 dias praticamente morando dentro de um cemitério pra rodar o nosso filme, a morte é algo que não me abala muito. E isso causa grande estranhamento nos demais.

Tuuudo isso é só pra postar aqui um trecho e o link pro texto da Eliane Brum, que pensa exatamente igual a mim. Quando você encara a morte, por exemplo comprando seu túmulo (eu tenho minha gaveta lá no Cemitério Santana!), esse assunto passa a ser banal, como os outros.

"Alguns acham que sou mórbida. Estão enganados. Encarar a morte com naturalidade é o mais longe da morbidez que se pode estar. Só espero ter sabedoria para viver minha vida com intensidade até o último suspiro. E sabedoria para morrer, sem tentar espichar a vida nem abreviá-la. Não gostaria de morrer de repente, como tantos desejam. A curiosidade sempre moveu meus passos. Quando a morte chegar, não quero perder a única chance de olhar no seu olho. Quero saber o que é morrer. Quero me lambuzar de morte como me lambuzei de vida. Quero viver. Até o fim."

Pra ler o texto inteiro, que vale muuuuito a pena, clique no link abaixo:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI102284-15230,00.html

O dia de Finados

Minha curiosidade é insana? Será que só eu é que acho que um dia dedicado aos mortos é uma perda de tempo total? O dia dos pais e o dia das mães é num domingo - dia de descanso - mas o dia dos mortos é um feriado. Isso não é dar importância demais a quem já não faz mais nada nesse mundo?

Pior que isso, penso: por que TODOS os jornais dão tanta atenção à movimentação em cemitérios, em exploração comercial nos arredores e na dor daqueles que ainda se emocionam ao lembrar de parentes queridos que já se foram?

Sei não, mas acho tudo isso muito urubu. Parece que jornalista tem uma alma urubuzada. Até eu tento me policiar, mas tem hora que sai naturalmente, infelizmente. Faço uma ronda na Polícia Rodoviária Federal:

- Alguma ocorrência hoje, policial?
- Só um acidente, sem gravidade. Deseja mais informações sobre o ocorrido?
- Morreu alguém?
- Não.
- Então não, obrigada. Bom trabalho!

Meio cruel, mas o meio está me contaminando. Espero que eu consiga manter pelo menos a cabeça fora do lamaçal.

29 de out de 2009

Qual a importância do agronegócio?

Me liga o cara da assessoria da Andef (não sabe o que é? Joga no Google, bem!), a quem eu tinha procurado duas semanas atrás:

- Marla? Tudo bem? Estamos fazendo uma pesquisa para entender como os formadores de opinião (eu????? rsrsrs) vêem o agronegócio, de modo a melhorarmos nossos próprios trabalhos. Você pode responder algumas perguntas agora?

- Posso, mas você não prefere falar com meu editor? Ou com alguém que realmente entenda de agronegócio? Eu só to no ramo há três meses.

- Não, o seu perfil também é importante em nossa pesquisa. Você pode responder?

- Posso.

- Como você vê o agronegócio?

Pausa.... que pergunta estranha! Nunca tinha pensado nisso antes!

- Não sei, nunca tinha pensado nisso antes. Mas pelo menos pra região onde eu estou, a agricultura é muito importante, principalmente porque Jataí é o maior produtor de grãos do estado de Goiás. É um negócio que movimenta muito dinheiro e provavelmente é o responsável por pelo menos 90% da receita deste município.

- Sim... (pausa pra anotação). Qual o panorama do agronegócio? Para o futuro, o que você imagina?

- Imagino um monte de produtor que não ouviu os especialistas e plantou mais do que deveria. Quando forem colher essa safra, a oferta vai ser muito maior do que a procura e os preços vão ter despencado. Sorte de quem conseguir pagar os custos da produção. Essa é uma safra histórica pros Estados Unidos e ninguém ouviu as entidades que cuidam desses produtores. Não vejo boas perspectivas.

- E quando você pensa em agricultura, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça?

Pausa... Meu Deus! cabeça... alguma coisa à cabeça, por favor!

- Ué, sei lá! Imagino uma coisa completamente diferente do que acontece hoje. Fico revoltada ao ver que toda essa produção de bilhões de toneladas é exportada para China e Europa para virar ração ao invés de ser usada em benefício humano. Bilhões de pessoas morrendo de fome e tudo o que esses grandes produtores pensam é lucrar. Agricultura não deveria ser sinônimo de subsistência humana?

- Nossa, que interessante você dizer isso. (pausa para anotar) ... E os defensivos agrícolas? Como você os vê? São importantes?

- Com certeza são. Para os produtores não perderem suas plantações. No entanto, a gente come um monte de legumes, verduras e frutas achando que ta cuidando da saúde quando, na verdade, estamos nos entupindo de excesso de resíduos de agrotóxicos. Quão mal isso vai nos fazer daqui 20, 30 anos? Teremos câncer? Não se sabe. E o produtor não está preocupado com isso. E a indústria de defensivos agrícolas deveria se preocupar mais em ensinar seus clientes a aplicar corretamente seus produtos, porque fazendo de qualquer jeito eles vão acabar nos matando. 

- Puxa! Tem certeza que você só tem 3 meses de experiência com agronegócio?

- Absoluta. Nunca tinha nem lido a esse respeito antes.

- Muito maduras suas opiniões.

Do outro lado da linha, estufo o peito - mas ele não vê...

- Muito obrigada!

- É isso. Muito obrigado por seu tempo e disposição.

- De nada. Tchau, boa tarde!

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Tá, fiquei orgulhosa da parte do "muito maduras suas opiniões", afinal, sou só uma iniciante nesse mundo estranho e milionário do agronegócio. E vocês? Já pensaram a respeito do agronegócio?

14 de out de 2009

Questão Tostines

Os crimes se repetem por que o jornal publica ou o jornal publica por que os crimes se repetem?

Pra quem não entendeu nada, esclareço. Tenho certeza de que, em algum momento da faculdade, discutismos essa questão em um debate alvoroçado das aulas de ética ou direito da comunicação, no entanto, não me recordo se chegamos a alguma conclusão. Penso que não.

Quando foi descoberto aquele caso do alemão que prendeu e abusou da própria filha por sabe-se lá quantos anos, todos ficaram chocados e acreditaram que nenhum ser humano poderia ser mais animal do que ele. No entanto, algum tempo se passou e outro caso foi revelado, desta vez na Califórnia (EUA). Dezoito anos sob o cárcere privado de um "religioso" fanático.

Isto sempre aconteceu, alguns dizem, "mas só agora é que os casos vieram à tona". É preciso divulgar esse tipo de crime, por que os pais precisam preparar seus filhos para o mundo lá fora, precisam saber dos males dos quais devem proteger seus filhos. Tá, tá. Acho que é importante, sim.

Porém, hoje vi uma notícia na Folha que me deixou encucada. De acordo com a reportagem, "um homem de 31 anos foi preso na terça-feira (13) por suspeita de manter uma jovem de 19 anos em cárcere privado por 40 dias na cidade de Montes Claros (MG)". Será que o infeliz teve a fantástica ideia de "roubar" uma adolescente para abusar dela OU ele apenas reproduziu um crime que pareceu "perfeito" a um primeiro olhar?

Fico imaginando se os noticiários não deram uma forcinha para que o psicopata agisse... E vocês? Já se pegaram pensando nisso? O que seria melhor? Fingir que isso não acontece e deixar de publicar ou continuar publicando e sofrer com a dúvida de estar encorajando criminosos? A resposta é com vocês, nos comentários!

9 de out de 2009

Marla, a vidente pessimista

Como alguns de meus companheiros de trabalho ficaram revoltados com meus comentários acerca do Rio 2016, deixo-vos com a reportagem de ontem do Jornal da Globo, que diz e-xa-ta-men-te o que eu falei sobre a estrutura caótica do Rio de Janeiro. Nem todo mundo me respeita como jornalista, mas a maioria de vocês respeita o Jornal da Globo, né?


E pra quem não sabe... Eu sou ótima pra dizer se uma coisa vai dar certo ou não. E espero muuuuuuito estar enganada, mas essas Olimpíadas... sei não.

Reportagem dos nossos coleguinhas de profissão do JG: http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1335135-16021,00-MAIS+UM+DIA+DE+CAOS+NO+TRANSPORTE+PUBLICO+CARIOCA.html

p.s.: Nay, "bão dimaiss" você aparecendo por aqui! Bjokas pro casal!

7 de out de 2009

Sem vandalismos, por favor!

01- O que vai ganhar o MST destruindo pés de laranja, tratores, equipamentos e instalações das casas de fazendas?

02- O que vão ganhar os cariocas depredando trens, estações e cabines?

03- O que vão ganhar os turcos se revoltando contra agências de bancos e lojas comerciais?

-------- Respondo ---------


01- Tiros.
02- Impostos mais caros para pagar o conserto do bem "público" que eles inutilizaram.
03- Bombas de efeito moral, tiros de borracha.


-------- Resumindo ---------

01- O MST vai continuar sem terra.
02- Os trens e estações vão continuar sucateados.
03- O FMI e o BIRD vão continuar negociando medidas que não dizem respeito à base da população, "se cagando" para a taxa de desemprego.

-------- Então ----------

Que diferença fez...

... derrubar pés de laranja e destruir equipamentos e instalações de uma fazenda?
... sucatear mais os já sucateados trens, estações e cabines?
... quebrar e queimar agências bancárias e estabelecimentos comerciais?

--------- Logo ----------

O anarquismo e o movimento "revolucionário" não vão mudar o mundo. Vocês querem protestar? Sejam pacíficos. Vocês querem chamar a atenção? Queimem e quebrem suas próprias casas, carros e lojas. Vocês querem que os políticos sejam decentes? Votem melhor na próxima eleição.

3 de out de 2009

Over!

Quem me segue no twitter sabe que eu não suporto mais ouvir falar em gripe suína ou em Rio 2016. E tenho certeza que vocês também não suportam mais. E é isso que me faz pensar por que os jornalistas continuamos a falar destes dois assuntos incessantemente. Pensei, pensei e pensei e não cheguei a conclusão alguma. Melhor, imaginei que se eu fosse a editora de algum veículo faria meu protesto "pessoal" evitando tocar - mais - nesses temas.

Vá lá que quando as pessoas sabem de um surto de doença elas acabam se prevenindo mais e tal. Mas daí a dedicar duas páginas ou mais de 5 min (no caso da tv) aos casos de morte por gripe suína é um tanto de - se não demasiado - exagero. E daí que noticiar cada morte singular por vírus H1N1 já está bem demodé. Aposto que todo mundo passa a fazer como eu: ignorar a informação.



O mesmo está acontecendo agora com a tal escolha do Rio de Janeiro como sede para Jogos Olímpicos de 2016.  O que tinha de ser noticiado, já foi. Já sabemos  onde vai rolar a próxima Olimpíada. Chega de notícia velha! Achei um absurdo - mesmo! - dedicar o Jornal Hoje inteiro à cobertura do anúncio. Para mim bastava  a nota ao fim do jornal ou num plantão (com aquela música que dá medo) na hora em que fosse confirmada a cidade. E o povo chorando... por quê, gente? Será que eu sou tão insensível assim??

Tudo bem que isso seja importante para o país e para a economia da cidade e para a "representação da América Latina" (na boa, acho que o Lula ta pouco se fud*** pra isso), mas será que ninguém pensou nos "contras" dessa escolha? Acho que devia começar, inclusive, por aquelas milhares de pessoas que estavam em Copacabana na hora do anúncio.

Sejamos sinceros: quem já morou no Rio sabe perfeitamente que a cidade não tem condições de atender com qualidade a toda essa multidão de gente que vai chegar. O trânsito já é caótico por si só. O transporte urbano é um lixo e absurdamente demorado (pra se ter uma ideia, leva-se mais de hora pra percorrer 10 ou 15km). E eu nem estou contabilizando o metrô e o trem. 

Quantos bilhões de reais serão desviados em nome de uma estrutura que não será mais utilizada, como aconteceu com um estádio construído perto da Mangueira (não lembro o nome ao certo) na época do Pan? O negócio virou um mausoléu e quanto dinheiro foi gasto lá? Milhões, certamente.

Podem me chamar de pessimista e tal, mas quando penso no caos... Tenho pena dos moradores do Rio. Mesmo. Mas se rolar um trampo por lá nesta época, por que não? Contraditória? Não. Oportunista, como a própria situação.

18 de set de 2009

Falemos de amenidades

Porque defender os frascos e comprimidos a toda hora também cansa!

Pra variar, descobri mais dois desses sites pra gente que - como eu - não tem muito o que fazer nas horas vagas. Como boa representante da classe que não tem muito talento em produzir vídeos e charges, posso lhes dizer que os dois links abaixo são muito divertidos!

O primeiro é um para quem tem boas ideias mas não sabe desenhar muito bem. O site monta os desenhos pra você e só é preciso que você tenha alguma habilidade com o mouse para mover as pecinhas do corpo ou os desenhos da charge, na verdade chamados de HQ's. O site é em Português.

http://pixton.com/br/for-fun

Só é preciso fazer um cadastro simples pra poder salvar suas HQ's no seu próprio perfil.

Com o outro eu me diverti mais. É o XtraNormal, que produz animações. Basta ter uma mínima noção de roteiro e ideias, muitas ideias. Dá pra fazer muita coisa, mas ainda não tive tempo de fuçar bastante. Mesmo assim posso dizer que ele é bastante intuitivo, super fácil de mexer. Só em inglês e francês e também é preciso um cadastro gratuito pra salvar suas animações no seu perfil. E o mais legal é que o personagem "fala" as coisas que você escreve. É mesmo muito divertido, acreditem! Rsrsrsrs Pra vocês terem uma noção, fiz essa animação aqui rapidinho, só pra demonstrar.

16 de set de 2009

Porque sou jornalista


Hoje eu escrevi minha segunda matéria que, digamos, pode cutucar um político. Com isso, já são três pessoas de vida pública que podem não gostar muito de mim. E eu só tenho um mês e meio de jornal, o que quer dizer que a tendência pode piorar fortemente. A questão é: por que resolver implicar com os políticos? Bom, explico.

Eu bem que tentei ser boazinha e emplacar matérias literárias e bonitinhas em cadernos específicos do jornal, mas as que "dão ibope" mesmo são as cabeludas da política rsrsrs. Lá fui eu contar pra mamãe, pra ver se ela ficava orgulhosa da filha que tem, mas...

- Você está maluca? Eles vão te matar! - disse mamãe.

Tá, tá. Acho que no fundo, bem lá no fundo, ela tem um pinguinho de razão, afinal ela é mãe e preza pela integridade física de sua filha. Antes que alguém me pergunte, não. Eu não fui ameaçada por ninguém. Compartilho o caso por que fiquei me perguntando por que é importante fazer o que estou fazendo. Não falar mal de políticos, mas publicizar aquilo que eu vejo como anti-ético, desrespeitoso e - por que não dizer - uma puta duma sacanagem com a população.

Pensando aqui com meus botões cheguei à conclusão de que foi por isso que me formei. Quando entrei na faculdade eu queria ser a Fátima Bernardes e ganhar muito dinheiro. Mas eu saí da faculdade entendendo por que é importante formar jornalistas éticos e, se é que tem algum lado, que seja o lado da população. Se somos o quarto poder? Sei lá, não dou valor a isso. Só quero poder fazer com que esses políticos possam se incomodar, quem sabe ficar com vergonha...

- E pra quê? Que diferença faz? - pergunta mamãe.

Porque eu preciso fazer a minha parte. Eu PRECISO mostrar que não sou conivente com essas atitudes. E já que o jornal não tem rabo preso com ninguém, continuo a fazer o meu trabalho sem medo de represálias, porque confio na apuração que faço. E tenho dito.

9 de set de 2009

O que vale é barganhar

Em feira de artesanato de Jataí o bacana é trazer objetos já sem utilidade e tentar trocar por outros que lhe tenham valor


Feiras de artesanato sempre atraem pessoas das mais díspares idades. Com a Feira do Olho d’Água, em Jataí, no Sudoeste Goiano, não foi diferente. Mesmo tendo início neste último domingo, o evento, que promete acontecer a cada 15 dias, foi programa para crianças e até idosos. Quem lá esteve pôde se encantar com o artesanato local, comida típica, boa música e a oportunidade de trocar objetos já sem uso para o dono.


A troca é o diferencial desta feira, que pretende reunir artesãos da cidade e também pessoas comuns, com objetos a oferecer. Bastava estender uma toalha e espalhar produtos que poderiam ser objeto de troca ou até mesmo venda. A pechincha é garantida, mas a modalidade ainda apareceu tímida neste primeiro dia. Somente quatro pessoas trouxeram de suas casas alguns pertences que poderiam trocar: bijouterias, acessórios, roupas e até livros e discos de vinil que, quando chegaram, trouxeram grande alvoroço de curiosos.


Nas bancas de artesanato o talento era facilmente apercebido. Todos os trabalhos contavam com grande perfeição e detalhes, além de um acabamento impecável. Foi possível encontrar de tudo: oratórios, esculturas, móveis, tapetes, trabalhos com crochê e tricô, porta-trecos e muitos enfeites. Estes últimos foram, com toda a certeza, o ponto alto da feira.


A barraca mais visitada foi a de Maria Conceição (responsável pelos trabalhos das duas fotos acima), que vive de artesanato e já participa da Feira do Artesão – também tradicional na cidade – há oito anos. Ela explica que para produzir seus enfeites busca muita coisa no mato. Dá mesmo para perceber: são cabaças, fibra de bananeiras, madeira, jatobás, diferentes sementes e até mesmo mel, que enfeita a miniatura de um carro de boi. Ao ser perguntada sobre o enfeite preferido, ela desconversa: “Não dá pra escolher um trabalho que eu goste mais, para mim cada um deles é um filho”.


Outra artesã que trabalha com material vindo direto da natureza é Edileuza Gonçalves (que fez o trabalho ao lado), que foca seu trabalho em enfeites que estamos acostumados a ver na época do Natal. Até mesmo a caixa aonde vão as bolas feitas com frutinhas da gueroba vira presente: é capricho do início ao fim. É ela mesma quem produz a folha de papel feita com a fibra da bananeira, que vira anjo e até cartão de visitas. “Esse papel leva um dia inteiro para ficar pronto e meus filhos e sobrinhos já aprenderam a manusear, me ajudando na produção”, comenta.


Pátina em madeira e objetos para enfeitar a casa são a especialidade de Selma Amador, que começou a fazer artesanato há mais ou menos três anos e coloca a família toda para ajudar. Seu trabalho é minucioso e agrada aos olhos de quem vê. Selma foi uma das que trouxe, além do material para vender, objetos para trocar. “Esse é o diferencial desta feira, mas acho que ainda é preciso enfatizar esta parte. Poder trocar coisas que já não uso há tanto tempo é muito interessante, adorei a idéia.”, conta.


Andando mais um pouco é possível ver uma banca com esculturas de madeira e ferro. Pelo menos é o que parece até que tento pegar uma delas. A leveza do material me faz desconfiar. “É gesso”, explica a artesã Cida Rezende, que capricha na pintura e engana a todos que passam por ali. Ela fez um curso de esculturas em gesso há cinco anos e, desde então, nunca mais parou de trabalhar com as mãos. “É algo que faço como hobby, mas que já me traz algum retorno financeiro”, diz. Cida comenta que fica feliz ao ver um espaço especial para artesãos dentro da cidade e promete trazer mais esculturas daqui 15 dias. “Desta vez eu trouxe poucos objetos, para sentir o movimento da feira, mas na próxima já trarei bem mais”, entusiasma.


Música para todos os gostos


Além das bancas, outra atividade chamou bastante atenção de quem se dispôs a sair de casa na manhã do último domingo. A boa música vinda de um palco, entre artesãos e uma natureza exuberante que circunda o chamado Calçadão do Olho d’Água, ao lado da biblioteca municipal. Pelo menos quatro músicos nos brindaram com belas canções, dedilhadas ao violão e até mesmo em uma harpa. Os instrumentos lembraram aos ouvidos desde antigas músicas de raiz até música clássica.


Curiosa, me aproximo da harpa, um aparelho de som tão encantador e tão difícil de se encontrar por aí. O harpista é Papi Bordon, um paraguaio que há muito adotou o Brasil como morada. No sotaque, quase não se percebe o espanhol, que já não é falado desde 1970, quando se mudou para São Paulo. Em Jataí já são quase dez anos e Papi conta que é muito feliz vivendo aqui, mas ainda ama o Paraguai. “É um coração partido ao meio. A vantagem é que fico feliz com qualquer resultado de uma partida de futebol entre o Brasil e o Paraguai”, diz, com um sorriso largo – sua marca registrada.


Papi é, além de professor de idiomas, professor de harpa na Escola Municipal de Música, onde faz um trabalho que encanta a muitos na cidade. “A música é algo muito especial, que sempre toca as pessoas. Mas ainda assim vejo poucas oportunidades de apresentar o trabalho que fazemos. Esta nova feira é uma maneira de aproximarmos a música dos cidadãos”, argumenta.


Sucesso


Para saber a opinião dos visitantes da Feira do Olho d’Água, bastava perceber seus olhares e encantamento diante do trabalho dos artesãos e logo mais, as mãos cheias de pacotinhos levando presentes para amigos ou para si mesmo. Maria Luíza, funcionária pública, gosta muito do trabalho feito com material vindo da natureza local e sempre que pode prestigia os artesãos, comprando seus trabalhos. Rosa Helena, que é professora, também ficou encantada com o que encontrou na feira e sua mãe se apaixonou por alguns enfeites feitos com vidros. “Nós adoramos a feira, com certeza voltaremos daqui a 15 dias para ver o que mais o pessoal vai trazer”, diz.


A Feira do Olho d’Água acontece de 15 em 15 dias, sempre aos domingos, das 9h ao meio dia, no Calçadão do Olho d’Água, ao lado do Centro Cultural, no centro de Jataí. O próximo encontro é no dia 20 de setembro, não perca!

4 de set de 2009

Dicas para "focas" da internet


Pra quem não entendeu nada, foca é o nome que se dá aos recém-formados em Jornalismo. Agora para quem, como eu, é foca do jornalismo e também da internet, a dica é ainda mais valiosa e foi roubada de um blog que eu gosto muito: Novo em Folha, do programa de treinamento da Folha de S. Paulo. 

Como bem sabem, minha vida na internet é bem recente, de maio... por aí! E desde então venho colecionando em Meus Favoritos do Opera (já aprendi que o Internet Explorer não é o melhor browser para o meu Windows) inúmeros blogs que leio frequentemente e que acho invariavelmente válidos para mim. Só que obviamente não tinha tempo hábil para visitá-los todos ou quando tinha, acabava pulando um ou outro - e claro, perdia alguma coisa importante, porque a lei de Murphy foi feita pra mim.
Como dizem os Cassetas, "acabaram-se os seus problemas"! O Google tem um esquema que lê as novidades de todos os blogs pra você, mesmo quando você não está no seu computador, com a sua lista de Favoritos! É assim: ao invés de você visitar blog por blog, conferindo as novidades, o Google Reader arquiva todas as novidades para você e assim que você lê as chamadas, o programa grava como "já lido", evitando que você veja duas vezes uma mesma coisa ou não veja nenhuma. Ah, e além de blogs ele lê notícias de qualquer jornal que disponibilize o RSS (não se desespere, o link abaixo explica tudo!). Diria minha mãe: é uma maravilha da modernidade. Sei que isso deve existir há milhões de anos, mas só agora fiz a descoberta. A quem interessar possa, segue o link para um tutorial simples, de como utilizá-lo, roubado do blog da Ana Estela:

Tutorial Google Reader

E ainda para aqueles que não encontraram utilidade no Twitter, ou ainda apanham de suas funcionalidades, mais um roubo: o tutorial dos pios! Aqui, ó:

Tutorial Twitter

Agora não tem mais desculpa: faça já a sua conta e seja um seguidor das minhas twittadas: http://twitter.com/marlarodrigues

31 de ago de 2009

1° Festival de Pipa de Jataí

No último domingo foi realizado aqui em Jataí o 1° Festival de Pipa da cidade. Já que a matéria não foi aproveitada pelo Jornal, publico aqui. Como não tive tempo de reescrever como queria - de forma literária - vai a versão que fiz pro jornal mesmo. Enjoy!


Foi realizado na manhã do último domingo o 1º Festival de Pipa de Jataí, cidade do Sudoeste Goiano. O evento reuniu cerca de 200 pessoas em uma grande área longe de fios de alta tensão. Foram premiadas as melhores pipas, de acordo com as seguintes categorias: menor pipa, maior pipa, pipa mais bonita e pipa mais exótica. Evandro Elias, 13 anos, ganhador da categoria maior pipa, nem queria se inscrever porque vários outros concorrentes trouxeram pipas maiores, mas no fim apenas a dele conseguiu ficar no ar. Essa era uma das condições para poder participar, a outra era provar que a pipa havia sido construída artesanalmente.

Evandro Elias, vencedor da categoria maior pipa

O sentimento de Evandro foi compartilhado por várias outras crianças e adultos que estavam competindo. Quando se achava que a menor pipa havia aparecido, logo surgia uma outra, ainda mais miúda. Para os papagaios maiores a disputa também foi acirrada. Uma delas, inclusive, chegou na carroceria de uma caminhonete e era maior que seu próprio dono. Duas pipas gigantes tentaram alçar vôo, mas as condições físicas do material e o vento estranhamente forte para a época impediram a façanha de seus construtores.

A maior pipa que apareceu no festival, mas não conseguiu voar

De acordo com Izaltino Guimarães, organizador do evento e fotógrafo, o melhor vento para soltar pipas é no meio do mês de Agosto, mas quando lhe surgiu a idéia de promover o festival já estava bem perto de Setembro. “Rezei muito para que hoje tivesse bastante vento e parece que fui atendido”, diz. Izaltino, conhecido como Tininho na região, é um apaixonado por pipas e possui várias, inclusive algumas de competição de manobras. No céu ele pôde realizar algumas dessas manobras e encantar a garotada que estava por ali.

Outra pipa interessante do festival era a de Leandro Faria, 26 anos, impressor gráfico. Além de ser feita num tipo de papel mais resistente, ao invés do papel seda, o material apresentava diversas figuras estampando os últimos acontecimentos do país. “Um dia eu li o jornal e decidi que era preciso fazer uma pipa assim, nem tanto para competir, mas para chamar a atenção das pessoas às coisas que andam acontecendo, como os casos de pedofilia, o perigo da dengue, dos agrotóxicos e a importância da natureza”, explica.



Leandro Faria e sua pipa com temática noticiosa

Apesar de várias pessoas estarem soltando seus papagaios, apenas 53 se encaixavam nos critérios e puderam concorrer. Bruno Carvalho Cabral levou o prêmio de pipa mais bonita, decorada com o rosto do Bob Esponja. A menor pipa foi a de Diogo Patrício Vieira da Silva, de 15 anos, que levou cerca de meia hora para ficar pronta. Já a pipa mais exótica pertence a Guilherme Rodrigues Silva, de 9 anos, que teve a ajuda do irmão por dois dias para montar a pipa com forma de dois cubos unidos por varetas. Cada um deles ganhou de prêmio a quantia de R$100.

Guilherme e sua pipa em forma de cubos

Marco Antônio Gomes de Carvalho, secretário da Cultura em Jataí, ficou feliz com o resultado. “Quando cheguei, às 6h30, e vi quatro pipas no céu já me senti realizado. Agora é manter essa tradição e realizar o Festival anualmente para essa garotada”, diz. Eximo Alfaix Neto, que participou do evento, conta que seu avô, há 40 anos, foi um dos pioneiros na cidade em confeccionar pipas diferentes. “Não bastava subir uma pipa no céu, era preciso ser diferente. A menor de suas pipas media 1,5 metro. Festivais como esse são importantes para resgatar a cultura e os valores, que hoje se encontram tão perdidos em nossa sociedade”, afirma.

28 de ago de 2009

Por que adoro matérias no campo

Eu sei que todos os meus amigos ouviram de mim as mais injuriosas lamentações a respeito dessa nova vida como correspondente em Jataí, no sudoeste goiano, onde tudo o que dá ibope é safra, colheita e grãos. "Como é que vou andar de salto alto nessa lama?", pensava eu, até que cheguei aqui. É, não dá pra andar de salto alto no campo, por isso, eu nem trouxe salto pra essa cidade. Na verdade, minha vinda para cá inclui acessórios bem simples: um sapatinho de boneca com salto mínimo pra cobrir políticos e afins, minha sandália super confortável da Mr. Foot, meu tênis velho de guerra e uma bota, pra cobrir campo.
Meu horário "normal" de trabalho é das 14h às 19h e minha primeira pauta no campo exigia que eu estivesse na redação às 7h da manhã. Humor: bem mais ou menos. Daí, 45km de estrada de terra, comendo poeira. A pauta? A festa de Nossa Senhora da Abadia, na região conhecida como Comunidade da Onça. Ao chegar, percebi que o assunto tinha tudo pra render uma matéria literária, rica em detalhes e cheia de histórias tradicionais da fé de um povo em sua santa.
E foi aí que descobri que era possível ser feliz, muito feliz cobrindo coisas no campo. Gente simples, acolhedora, educada e muito, muito farturenta. Haja comida!! Super café da manhã, super almoço, super doces e super jantar! Afora danças, bebidas e alegria de pessoas que tinham entre 01 e 96 anos de idade.
Descobri também que essas são as pautas que mais rendem no jornal. Cortam pouco o seu texto, suas fotos ilustram a matéria e todo o seu "esforço" normalmente não é em vão. Dessa festa tive uma matéria publicada na edição de domingo, onde ainda foi possível salvar um pouco do literário que eu tinha escrito para essa história. A foto é chamativa, reproduz a fé do povo. E minha alegria foi das grandes, afinal, além de emplacar uma matéria no jornal (não, isso não é fácil. Fazemos inúmeras matérias que nem passam perto de ser publicadas), me satisfiz como jornalista. É possível ser feliz cobrindo coisas do campo. É possível ser feliz jornalismando longe de casa!
A todos, aqueeeeele abraço e minhas sinceras desculpas pela demora desse blog em funcionar. Continuo sem internet em casa e pela conversa da Brasil Telecom, vou continuar assim por um bom tempo. Como costumo chegar às 9h e ir embora da redação às 21h, sobra pouco, bem pouco tempo para voltar a me dedicar ao blog.

12 de ago de 2009

Guenta aí!

O blog deu uma parada justificada.
Para os mal informados, explico:

Nos últimos 15 dias minha vida virou de ponta a cabeça.

Me afastei do Brasil Escola devido ao novo trabalho de correspondência do jornal O Popular. Como se isso não bastasse, a correspondência é feita em Jataí-GO. Resumindo, sou uma homeless aqui no interior e obviamente ainda não instalei internet numa possível casa, onde pretendo chamar de lar. Quando tudo se acertar conto o que venho aprendendo nestas últimas duas semanas.

Jornalismo é muito mais que ficar esperando as notícias chegarem até nós. E isso me alegra imensamente. É possível ser feliz jornalismando mesmo quando se ganha pouco!

E até logo!

30 de jul de 2009

E a ética, cadê?


Falar sobre ética é um procedimento muito complexo e, às vezes, muito pretensioso e pedante. Apesar disso é fato que deveríamos dar mais atenção a esse assunto. Ética é importante para o dia a dia, para o caminhar da sociedade. Sem ética um país pára, estagna. Há mais ou menos uma semana assisti a um documentário de 1991 que falava sobre ética em vários aspectos. Por exemplo, por que as pessoas se acham no direito de comer alimentos dentro dos supermercados e não pagar? Ou por que mente-se tanto nos classificados para vender carro ou casa? No anúncio é um palacete, na real um casebre. Resposta dos "pegos no flagra": quem não é esperto, dança.

Pra um documentário de 1991, ele me parece bastante atual. E isso me incomoda, pois gostaria de ver as coisas melhorando, se dignificando. Eu queria ter orgulho da sociedade em que vivo, mas definitivamente eu não tenho. E isso piora bastante quando se está longe do Brasil. Eu tinha vergonha de ser brasileira em Portugal, pois, acreditem, se existia um crime, uma "burlada" no sistema ou coisa do gênero o culpado era sempre um brasileiro.

Levar vantagem é coisa de brasileiro. Só no  Brasil as pessoas se orgulham de levar vantagens nas coisas - nesse sentido de malandragem. Na Europa, por exemplo, se fizerem e forem pegos, escondem o rosto por vergonha. Mas aqui criança aprende desde cedo que deve empurrar o lanche ruim em troca do lanche gostoso do coleguinha ou que deve colar se preciso for para poder passar de ano.

Em Portugal não há catracas nos ônibus. Você entra, passa o bilhete e pronto. Vez ou outra um fiscal confere os bilhetes dos passageiros. 100% das vezes em que presenciei um "flagra" o burlador do ônibus (autocarro) era um brasileiro.

Além disso, os motoristas sempre dão "bom dia" e estão dispostos a ajudar. Não é preciso tumultuar a porta de saída com medo de passar o ponto e o motorista não esperar. Lá você pode continuar sentado até o ônibus parar por completo e abrir a porta. Não há pressa, pois ele sabe que alguém vai descer. Várias vezes presenciei situações em que o motorista saía de seu confortável banco para ajudar uma velhinha a subir ou descer do ônibus. E achando bom. Aqui no Brasil já vi inúmeras vezes velhinhas quererem descer na Santa Casa e serem esmagadas nas portas porque os motoristas não queriam esperar.

Bom, mas isso são apenas pequenos exemplos. O que quero dizer é que o Brasil está longe, muito longe de ser uma sociedade ética ou realmente educada, porque aqui só tratamos bem os "gringos". A mudança se faz na cabeça e na postura de cada (único) brasileiro. É muito fácil reclamar dos políticos que estão lá fazendo toda aquela caca. E você? É realmente ético? 

Comece mudando as suas atitudes. Depois você passa a dica pro colega mais próximo. Só assim tenho esperanças de ser uma velhinha vivendo em uma sociedade um pouco mais adiantada no quesito ético. Como diz o Pasquale, "é isso".

21 de jul de 2009

TV aberta, caca na certa


Depois de um ano e meio é mais do que justo tirar algumas férias... Mas vou me lembrar de organizar alguma viagem para o meu próximo descanso remunerado. Se não fosse esse computador e uma internet bacaninha ligada a ele eu tenho certeza de que já estaria completamente maluca.

Não dá pra assistir tv, pelo menos não a tv aberta, disponível a todos os mortais. Uma meia dúzia de canais transmitindo programas vazios, estúpidos e fúteis. Juro que não consigo passar mais de uma hora em frente à televisão, e normalmente esse período é apenas para que eu passe o tempo fazendo outra coisa, como comer ou fazer as unhas, por exemplo.

Agora mesmo desliguei a tv depois de zapear por alguns canais. Cito, porque merecem ficar envergonhados. Na RedeTV! estava passando o programa da tarde (que não sei o nome...) e uma matéria sobre o vitiligo de Michael Jackson; convencendo a tudo e a todos que MJ realmente sofria com a doença, que ele nunca mentiu sobre seu problema, que os veículos de comunicação deviam ficar envergonhados de duvidar de alguém que sofria com uma doença tão grave, provando por fotos e mais fotos os períodos em que o astro do pop começou a apresentar manchas em sua pele. Ah, e o mais importante: que a matéria que eles estavam apresentando era muito importante para o telespectador porque ao invés de fazer sensacionalismo, estava informando à população. Anham... vai saber quanto tempo aquela matéria ficou no ar...


Inconformada, mudo para a Globo. Sessão da Tarde e mais um daqueles filmes bobos, que mostram famílias tipicamente americanas e seus dramas que nunca mudam... Canso em 5 minutos.

Record é a próxima da lista. Não sei quem é o apresentador nem o nome do programa. Só sei que tinha uma tal Mirela (parece que é a mulher do Latino que saiu de "A Fazenda". Informada, não?) atravessando uma "ponte" improvisada a vários e vários metros do chão, amparada unicamente por uma dessas cordas de bung jump (é assim que escreve?). O detalhe é que tinha um logotipozinho no canto da tela informando "ao vivo". Mas eu tenho certeza de que vi essa mesma cena mais cedo, no Hoje em Dia. Mistééééééério....

Next. SBT. Ah, esse é piada mesmo. No ar, o programa que era da Volpato e agora está com a moça do "Alô, Christina", o Casos de Família. Primeiro "caso" do dia: uma mulher, provavelmente uma prostituta, cuja filha sentia vergonha do jeito de ser da mãe. Mal entra a menina de 19 anos - que mais parece mãe da mãe - e começa o barraco. Nem deu tempo de ver quem ficou com menos cabelo no pega-pá-capá.

Daí desisti, ? Porque ninguém é de ferro. Será que é por isso que as nossas "donas-de-casa" são tão alienadas? Porque deve ter alguém que assiste, não? Senão o programa não estaria no ar: sem ibope, vai pra geladeira. Alguém tem os números do Ibope? Quantas milhares ou milhões de pessoas assistem a essas porcarias? Vou tentar encontrar e volto depois pra contar.

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Achei. Números do Ibope (média):

A Tarde é Sua (RedeTV!): 5
Sessão da Tarde (Globo): 20 (achei duvidoso esse número)
Geraldo Brasil (Record): 9
Casos de Família (SBT): 4

Encontrei vários números pra saber quanto vale cada pontinho desses. Descobri que a conta é complexa e varia de acordo com o estado, então vou adotar cada ponto valendo como 60 mil pessoas. Isto quer dizer que pelo menos 2,3 milhões de pessoas estão assistindo a essa porcaria, já que o valor pode ser maior dependendo de quantas pessoas se encontram "na sala" vendo tv. Diz uma pesquisa do IBGE de 2007 que somos no Brasil 183,9 milhões de pessoas. Se formos comparar, o número de pessoas que assistem TV no período da tarde pode parecer ínfimo, mas deve fazer um grande estrago nas famílias de classes C e D, não?

17 de jul de 2009

Como é possível odiar a internet


Desde que, finalmente, consegui instalar a internet aqui em casa tenho tido sucesso em minha vida virtual. Quero dizer, estou conseguindo me virar bem por aqui, conhecendo programinhas super legais e maneiras intensas de me manter informada sobre tudo - o sonho de 10 a cada 10 jornalistas. Acontece que tem uma coisa que vem me tirando do sério: a falta de informação sobre coisas realmente básicas.

Por exemplo, como manter a velocidade dos downloads que faço? Os vídeos, que demoravam cerca de 40 minutos para baixarem estão levando agora mais de 3 horas e às vezes, a velocidade vai baixando, baixando até perder-se completamente e lá se vai para o lixo o arquivo que já estava 90% baixado. Alguém tem alguma dica para conseguir me livrar deste problema??

Outro caso: descobri um programa sensacional chamado Evernote (www.evernote.com), que permite você organizar seus arquivos, criando pastas com informações em comum que são uma mão na roda para jornalistas que sempre precisam de um banco de dados eficiente. Além de ser grátis, esse programinha pode ser acessado online (de onde você estiver), pelo seu celular, pelo seu desktop em casa ou ainda pelo pendrive, funcionando perfeitamente offline. E a mágica maior acontece quando você acessa a internet, pois todas as informações novas que você postou serão sincronizadas, evitando que você tenha que fazer o santo "ctrl+C e ctrl+v" a cada vez que adicionar algo às suas pastas.


Tudo lindo, achei o máximo! Acontece que no modelo online é possível escrever na caixinha de texto, mas no modelo desktop você tem que "escrever" com o mouse porque simplesmente não tem entrada pra texto digitado. Além disso, tive problemas mil pra conseguir salvar as notes que faço no modelo online. O que toda pessoa normal faz? Procura um tutorial na internet. E assim o fiz.

Acreditem vocês que não existe um tutorial explicando a coisa mais simples do Evernote: adicionar notes. Não, não existe. Existem tutoriais mil, explicando as coisas mais complexas e absurdas que o Evernote faz, como sincronizar e adicionar links apenas apertando um botão, como utilizar o programa para gerenciar um blog, como adicionar arquivos diversos nas suas notes, mas... COMO SALVAR NOTES, não existe. Nesses momentos eu me sinto realmente burra. E ah... isso me incomoda pracaramba.com.br.

Custa fazer um tutorial com a coisa simples??? A mais simples de todas? Se é um tutorial não deveria ter todos os passos? Quer dizer, o manual de instruções de qualquer celular explica como ligar/desligar o mesmo, por que não ter "como adicionar notes" em um tutorial?

E vocês? Também morrem de ódio quando não encontram algo realmente simples? E mais: alguém sabe como adicionar notes no Evernote?? Porque daqui a alguns dias esse programa vai se chamar "Nonote" para mim...

8 de jul de 2009

Ah, eu quero um Nokia N85!


Com um celular que tem a tela verde fica difícil convencer o Danilo Gentili de que eu o sigo no twitter sem nenhum interesse... ham... Pelo menos é o que eu quero que ele pense! =D

7 de jul de 2009

Lazy blog


Isso é porque a intenção era publicar um post novo todos os dias. Mas já vi que é fisicamente impossível, afinal, eu tenho vida fora da internet (ainda bem!). Prometo melhorar isso aqui quando entrar de férias, logo, logo. Enquanto isso, divirtam-se com videozinhos toscos roubados do twitter!




Esse é pra quem entende português de Portugal:




Essa boca aí tá muito suja pra rede nacional!




E quando você pensa que já viu de tudo...

2 de jul de 2009

E lá se foi meu primeiro ídolo


Eu sei que o assunto Michael Jackson já está mais do que batido, mas só agora, depois do luto de uma semana, é que consigo raciocinar sobre a morte daquele que foi o primeiro artista de quem eu realmente gostei. É que eu sempre fico aérea quando o assunto é: morreu alguém que você gosta. Parentes podem comprovar...

Ontem, numa conversa de bar, percebi que eu era a única que não tinha sido influenciada musicalmente pelos meus pais. E enquanto meus amigos discutiam se o Inter ainda faria os 3 gols e quem havia sido expulso por último, pude constatar que tudo o que eu gosto de música é o que eu, de fato, escolhi. E MJ foi o primeiro deles.


Lembro-me perfeitamente dos meus argumentos para convencer a minha avó a deixar uma criança de 8 anos ficar até tarde em frente à tv pra poder assistir o filme Moonwalk: "mas .... é Michael Jackson!".

Sei lá, mas aquela voz inconfundível, aquela dança inconfundível, aquele nêgo do sorriso bonitão (é, eu sou fui descobrir a versão monstrenga muito depois)... Sempre fui apaixonada por MJ, do meu jeito musicalmente largado de ser. E estava animada com a possibilidade de vê-lo nos palcos outra vez (por DVD, gente, por DVD - que eu ainda não tenho cacife pra viajar só pra ver um show), mas a morte tão prematura do meu astro me deixou abalada. E com raiva, muita raiva.

E aí o que a gente faz quando fica com raiva? Põe a culpa em alguém! E eu digo: o que matou MJ há muitos e muitos anos foi seu pai, um homem cruel, mau, vil, manipulador e oportunista. Meu Deus, o homem anuncia que está abrindo uma gravadora ao mesmo tempo em que diz o dia do funeral de seu filho mais talentoso. Como pode?

Como muitos devem saber, little Michael foi "enfiado" no Jackson Five quando tinha apenas 5 anos de idade. Durante 10 15 anos ele apanhou de seu pai cada uma das vezes que errou durante o ensaio do grupo musical. Little Michael tinha tanto medo de seu pai que chegava a vomitar de tanta ansiedade. Isso talvez explique por que MJ - que não teve infância - era tão aficionado por não crescer, por Neverland, por Peter Pan e por crianças. Ele sempre dizia que queria ser para seus filhos exatamente o contrário do que seu pai foi para ele.

Quando chegou à adolescência, MJ sofreu com as espinhas que estragavam seu rosto. Enquanto isso os fãs perguntavam "where's little Michael?", ávidos por ver o irmão mais talentoso e mais bonito do JF. Quando se deparavam com o "teen Michael" ficavam horrorizados, deixando o pequeno, já num período tão complicado da vida, completamente traumatizado. Enquanto criança era muito amado e agora adolescente ninguém o achava mais cute? Eu também ia gostar de virar Peter Pan.

The damned Joseph, o pai nojento, começou a encher a cabeça do adolescente com um monte de abobrinhas: que ele era feio, que seu nariz era largo demais, que ele não podia ser da mesma família, "oh Deus", como ele era horrível! E o que aconteceu? Michael começou a primeira das operações que anos mais tarde desfiguraria seu lindo rosto (sim, eu achava lindo!): afinou seu nariz. E se tivesse parado por aí... ah, se tivesse...

Mas não, MJ não conseguia se olhar no espelho, nunca gostava da imagem que via, estava sempre insatisfeito com sua aparência e se transformou numa face monstruosa. Eu não vou citar o vitiligo, pois não acredito que ele tenha tido a ideia de virar "branco". Acredito que algo realmente aconteceu e que o tratamento deu no que deu: um negro lindo que virou um branco estranhíssimo.

Quanto às acusações de abuso sexual de menores, não acredito de todo em nenhuma das partes. Não duvido que Michael possa ter feito alguma coisa infantil (aos olhos dele) com essas crianças, mas acredito muito mais que as famílias inventaram uma situação para poder extorquir o rei do pop. Vejam bem, se essas famílias realmente tivessem índole, eles não permitiriam que MJ continuasse molestando crianinhas ao invés de ser preso. Mas o que elas fizeram? Aceitaram um "acordo" de vários milhões de dólares. Isso é postura de gente correta? Eu não acho.

O fato é que a morte de MJ ainda me abala. Vi o vídeo onde ele aparece ensaiando dois dias antes de falecer e me deu um aperto imenso no coração. Perdi meu ídolo, e ele ainda tinha muito gás para dar a seus fãs. Mas ele mesmo queria era descansar, queria dormir e fez, inconscientemente, a sua vontade.

27 de jun de 2009

Meu ouvido não é penico




Eu quero muito descobrir quem foi que inventou o alto-falante para celular. Queria muito comunicar a esta digníssima pessoa que o resto da humanidade não sabe utilizá-lo de maneira satisfatória. Explico-me.

Não sei quantos dos meus amigos ainda são obrigados a utilizar o transporte coletivo da cidade de Goiânia, mas tenho certeza de que quem "pega o busão" vai entender rapidinho sobre o que estou falando.

O problema acontece quando um companheiro de busão resolve comprar um celular que toca MP3. Maldita democratização da tecnologia, com R$ 240 é possível comprar um desses modelos, mas até aí tudo bem. O caso resulta em úlcera aguda quando ele gasta R$ 240 num celular mas não gasta R$ 20 num fone de ouvido. Ou melhor, ele deve até ter um fone de ouvido guardado láááááá no fundo da gaveta, pois o que interessa pra ele é mostrar para o resto do ônibus que ele pode comprar um celular que toca MP3. Maldita democratização da tecnologia.






É impossível chegar mentalmente sã até minha casa. No caminho, sou obrigada a ouvir de tudo: funk, pop, sertanejo, axé, audiozinhos "engraçadinhos" que variam com a cara do cidadão e até sermão de pastor evangélico. Sim, acreditem, eu já ouvi o sermão de um pastor evangélico por MP3. Só assim mesmo para me obrigarem a ouvir um.

E mesmo com os meus muxoxos, suspiradas e "ai, que gente mal educada, gasta R$ 240 num celular mas não tem R$ 20 pra dar num fone de ouvido!", os cidadãos que acham que estão arrasando na trilha sonora continuam impassíveis, com aquela cara de "puxa, estou fazendo a alegria da galera!".

O pior mesmo é quando tem dois ou mais caras "massa" que começam a competir pra ver quem tem o celular com o alto-falante mais potente. Santo Deus!!!!






Gente, se vocês conhecem alguém que têm um desses modelinhos sacanas de celular (difícil alguém não ter...), por favor, tentem ensiná-los a ter um pinguinho de educação, meu ouvido não é penico!! E eu tenho o direito de passar a minha viagem no coletivo lendo um bom livro, como gosto de fazer, deixem meu ouvido em paz!!!!

24 de jun de 2009

Ainda sobre o assistencialismo

Aproveitando o assunto do último post, embarco de novo no debate sobre as políticas públicas assistencialistas do Lula. Hoje encontrei um artigo muito bacana na Folha de S. Paulo - o que, por acaso, comprova que essa conversa do STF de falta de liberdade de expressão é uma balela, já que o cara não é jornalista mas conseguiu o espaço - sobre "A invenção dos programas sociais".

Apesar de grande, vale a pena ler. O autor é JOSÉ ANÍBAL PERES DE PONTES, 61, economista e deputado federal pelo PSDB-SP, líder de seu partido na Câmara dos Deputados. Foi presidente nacional do PSDB de 2001 a 2003. O link está disponível só para assinates aqui. E os grifos são todos meus, é claro.

"A MELHOR chance que se pode dar a quem vive abaixo da linha da pobreza não é a solução óbvia de distribuir dinheiro -que alivia, mas ensina pouco-, mas distribuir oportunidades. Distribuir dinheiro tira momentaneamente da pobreza, mas só a distribuição de oportunidades permite o passo redentor que permite a ascensão social e, ao mesmo tempo, confere dignidade. Alguém cunhou uma expressão feliz -não se dá o peixe, ensina-se a pescar.

Distribuir dinheiro para um homem que é são, já dizia o poeta nordestino Luiz Gonzaga, o rei do baião, ou o mata de vergonha, ou vicia o cidadão. Distribuir dinheiro sem contrapartida é condicionar o homem à eternização do assistencialismo que não o promove -ao revés, o condiciona à dependência. Distribuir oportunidades fortalece o homem, ajuda-o a enxergar-se cidadão.

Distribuir dinheiro é lesar a criatividade do pobre, menosprezar sua capacidade empreendedora, desconfiar das suas potencialidades de realizar.

O saber local existe e é capaz de gerar revoluções, ensinou-nos a antropóloga Ruth Cardoso. O seu jeito de olhar a pobreza sem associar a miséria à mera e efêmera carência material vinha de quem via, nos pobres, potencialidades inatas capazes de conferir-lhes independência, dignidade e liberdade -bastava uma mãozinha para criar oportunidades redentoras.

Foi assim, acreditando que a melhor solução para redimir a miséria era a distribuição de oportunidades, não de dinheiro, que Dona Ruth construiu seu pensamento singular, que revisou os fundamentos antropológicos no Brasil contemporâneo.

Ela consolidou esse pensamento na década de 1970, quando o saber antropológico no Brasil não concebia fórmulas eficazes para promover os segmentos sociais que viviam abaixo da linha da pobreza.

Quando chegou ao poder, acompanhando o marido, ela já carregava a certeza científica de que a melhor forma de escapar à miséria era propiciar a apreensão de conhecimento. O dinheiro dado aprisiona; o conhecimento, sim, liberta e aponta caminhos para a ascensão social, definiu dona Ruth muito antes de que se consolidassem formas de ampliar a justiça social e reduzir as diferenças de classe no Brasil.

Em maio de 2007, num seminário organizado pelo PSDB em Brasília, ela disse: "Temos prazos e metas, e é assim que vamos combater a pobreza, não é distribuindo recursos e esperando para ver o que acontece, porque isso se faz há muitos séculos, não tem novidade nenhuma". E arrematou:


"Desde a Idade Média, esse sistema de assistir e doar existe, e a pobreza está crescendo. Então, não há mais o que discutir, por aí não vamos".

Foi essa ideia revolucionária que orientou o surgimento da rede de proteção social no governo Fernando Henrique Cardoso. Pela primeira vez na história, face ao largo contencioso social herdado da escravidão, um governo brasileiro se mostrou incomodado com os que viviam abaixo da linha da pobreza.

Sob a inspiração de dona Ruth, o governo repudiou a fórmula assistencialista e optou pela distribuição de oportunidades que permitiriam às pessoas ascender socialmente mediante o desabrochar de suas próprias potencialidades.

Foi dona Ruth quem consolidou a ideia da contrapartida, para comprometer o homem com sua própria evolução social.

Esse legado revolucionário sofreria, adiante, desvios reprováveis. Retrocedemos à noção primária de que o fundamental era dar dinheiro. Regredimos à forma mais torpe de escravidão, aquela que bloqueia a evolução do homem e o condiciona ao voto, tornando-o vítima de um vergonhoso processo de dominação que compromete o seu arbítrio de cidadão.

Foi dona Ruth quem convocou empresários ao Palácio do Planalto pela primeira vez para discutir um tema até então obscuro e incompreensível -a responsabilidade social.

Ela usou a força do governo para propagar a consciência de que as grandes empresas deveriam se corresponsabilizar pela melhoria do cenário social. Criava-se ali um novo olhar sobre a tragédia da pobreza e a dívida social da sociedade brasileira.

Ela reinventou a solidariedade.

Sem Ruth Cardoso há um ano, as ideias empobreceram, e o Brasil empobreceu junto. Seus movimentos criativos e generosos, no entanto, não são elos perdidos do passado: ao contrário, representam uma ideia vigorosa a demarcar caminhos para quitar a imensa dívida social que o Brasil tem com as populações que vivem abaixo da linha da pobreza.

O Brasil merece, dona Ruth merece que não viciemos os cidadãos na humilhação da dependência, mas ofereçamos a eles a grandiosa opção do encontro com a cidadania.
"

23 de jun de 2009

A farsa do ProUni

Como ficou prometido no último post, a conversa de hoje é sobre o ProUni (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal, que oferece bolsas de estudos em universidades particulares brasileiras. As bolsas podem ser parciais (25%, 50%) ou integrais (100%) e o critério para concessão do benefício está ligado à nota obtida no último exame do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e à renda familiar do candidato ao desconto da mensalidade.

Primeiramente deixo claro que não concordo com as políticas públicas assistencialistas do Lula. Acho que ele só dá o peixe ao invés de ensinar a pescar - em quase todas elas. E com o ProUni é a mesma coisa. Se o governo utilizasse o dinheiro dos impostos não arrecadados das universidades privadas (é assim que os estudantes conseguem as bolsas) para investir no ensino público fundamental, muitas políticas públicas seriam desnecessárias ou, pelo menos, melhor aproveitadas.

De que adianta jogar um jovem completamente despreparado dentro de uma universidade? Jovens que saem do Ensino Médio de escolas públicas com sérias dificuldades em compreender textos simples farão o quê quando se depararem com textos de Foucault ou Habermas? Nada, meus amigos. Não farão nada.



Mas vão poder dizer: e daí, tenho um diploma! E que valor esse diploma vai ter para o mercado de trabalho? Se a competição já está acirrada dentre aqueles mais preparados, imagine como será quando esse carinha ex-escola pública for jogado na cova dos leões? Como alguns já sabem, trabalho na área de Vestibular de um Portal de educação e o que mais me deixa possessa de ódio é quando recebo um zilhão de e-mails de alunos de Ensino Médio de escolas públicas querendo saber como podem obter a bolsa do ProUni, como se daquilo dependesse a sua vida. Como alguns outros também sabem, eu prezo - e muito - pelas universidades públicas e creio que, salvo raras exceções, são as melhores instituições de Ensino Superior.

Pois bem, no site eu sempre tento fazer com que os alunos percebam a importância de concorrer de fato a uma vaga na universidade pública, mesmo que seu Ensino Médio tenha ficado a desejar. Pobreza não é desculpa, pois há uma lista de cursinhos populares que oferecem cursos pré-vestibulares gratuitamente ou a preços simbólicos. Dicas de estudo, como apreender o conteúdo, disponibilidade de fazer o download de provas de vestibulares anteriores, banco de redações... Tudo isso para tentar preparar esses alunos para o monstro que é o vestibular.

Mas não, nenhum deles quer estudar. Nenhum deles quer se esforçar; uns porque trabalham o dia todo, outros porque acham que não vale a pena e ainda outros que não acreditam em suas capacidades intelectuais. O que querem é o caminho mais fácil: a bolsa do ProUni.E alguns agora devem estar pensando o quanto o meu discurso parece com o de uma pequena burguesa que estudou toda sua vida em colégios bam-bam-bam de Goiânia. Pois digo a vocês que não. Só para constar estudei em colégios que a maioria de vocês nunca sequer ouviu o nome e que cobravam mensalidades também simbólicas perto dos R$ 500 que alguns pagam por aí. Cito:


* Escola Professora Modestina (1ª a 4ª série)
* Instituto Educacional Emmanuel (5ª a 8ª série)
* Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET (1º ano)
* Colégio Pardal (2° e 3° ano)

Pois é. E me formei em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás e pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde jamais imaginei que poria os pés. Tudo isso porque acreditei em mim, acreditei que teria uma boa chance se estudasse mais, se me sacrificasse mais. Ainda não colhi louros, mas sei que estou no caminho certo.

E o resto do pessoal? Os colegas do ensino público? Por que é tão difícil que eles creiam em si mesmos? Por que são tão acomodados? Por que o Lula acha que isso é bom para os brasileiros? E mais, qual vai ser o político que vai ter peito de acabar com o ProUni? OU melhor, quem é que vai ter peito de investir no ensino básico de qualidade para ver o resultado só daqui a 20 anos para que o político da época receba as glórias?

Alguém tem resposta para ao menos uma das minhas perguntas??

21 de jun de 2009

Ninguém gosta da escola

Olá pessoal!

Li uma matéria publicada na Folha de São Paulo no último dia 17 e gostaria de compartilhar com vocês as partes mais importantes. A íntegra pode ser vista aqui.

"Os professores brasileiros são os que mais desperdiçam com outras atividades o tempo que deveria ser dedicado ao ensino. No período em que deveriam estar dando aula, eles cumprem tarefas administrativas (como lista de chamada e reuniões) ou tentam manter a disciplina em sala de aula (em consequência do mau comportamento dos alunos).

A conclusão é de um dos mais detalhados estudos comparativos sobre as condições de trabalho de professores de 5ª a 8ª séries de 23 países, divulgado ontem (16) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A pesquisa foi feita em 2007 e 2008.

(...) O relatório da OCDE mostra que a maioria (71%, maior percentual registrado) dos professores brasileiros começou a dar aulas sem ter passado por um processo de adaptação ou monitoria. A média dos países nesse quesito é de 25%.

(...) As informações foram colhidas em questionários respondidos por diretores e professores de escolas (públicas e privadas) selecionadas por amostra. No Brasil, 5.687 professores responderam ao questionário, aplicado em 2007 e 2008.

(...) Eles [professores] também têm menos experiência em sala de aula do que a média --só 19% dão aula há mais de 20 anos; a média de todas as nações comparadas é 36%. Estão abaixo da média (89,6%) ainda no nível de satisfação com o trabalho: 84,7%, o quarto menor índice."

Visão do professor sobre os alunos

Meu amigo Rainer Gonçalves (veja o blog dele aqui) fez um comentário bastante pertinente sobre o analfabetismo, ou  melhor, o analfabetismo funcional, no país e também vale a pena copiar para cá. A discussão completa do Fórum pode ser vista aqui.

"Quando estive lecionando [Rainer é historiador] em escolas públicas de Ensino Fundamental, percebia que a falta de interesse de estudos por uma grande parcela de estudantes que apenas reproduziam o total desinteresse dos pais pelo saber.
Eles sobreviviam sem isso, então para que vou levar escola e professor à sério?!


Hoje, lecionando no Ensino Médio da rede privada, esse mesmo desinteresse se manifesta em alunos que não se empenham porque sabem que "papai" vai pagar uma faculdade particular qualquer para eles.
Assim eles fingem que estudam, as universidades fingem que selecionam e mais um caminhão de diplomados se espalha por aí.


Acho que enquanto não tivermos uma geração de pais que ascenderam por conta dos estudos, ainda presenciaremos esse quadro de natureza bizzara!"

Então...

Creio que temos um problema sério por aqui. Os professores não estão satisfeitos com o trabalho que exercem, os alunos não gostam e não dão valor aos professores nem à escola, que dirá ao conhecimento. E são esses mesmos alunos que vão se formar e continuar pensando "escola pra quê?". Isso porque o diploma universitário está se tornando algo banal, comercial. Qualquer um pode ter diploma de graduação hoje em dia, por isso é tão importante continuar estudando.

Agora pensem comigo: quantas pessoas, quantos amigos vocês conhecem que têm diploma e não trabalham na área que escolheram como profissão? Eu conheço vários. E se essas pessoas não ascenderem exercendo essa tal profissão, vão pensar: esse meu diploma não serve para nada. E aí voltaremos ao mesmo problema do século passado - a desvalorização do estudo por parte dos pais. Sem incentivo a criança não vê utilidade no seu esforço para entender a matemática ou o português - primeiro desafio da vida escolar.

Como se diz por aí, e agora, José?

Acho que nessa discussão vale ainda falar sobre o ProUni, mas isso vai ficar para um outro post. Até lá!
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